Antes da Estante

A maldição do “entorpecente”

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on outubro 1, 2009

Escolher o título talvez seja uma das tarefas mais desafiadoras na feitura de um livro. Tem que ser atraente, curioso, levemente poético e com algum mistério. E tem que ajudar a vender. Como se não bastasse, a responsabilidade na escolha é maior, porque o título é a primeira coisa que chega. É empatia ou repulsa, ali, no ato.

É “Tijolo de segurança”, do Cony, ou “Grande sertão: veredas”, do Guimarães.

Então, durante mais de um ano que passei elaborando o “Festa Infinita”, não deixei de pensar em qual seria o título ideal. Defini minha escolha alguns dias antes de entregar os originais. E errei.

Não no título. Gosto de “Festa Infinita”. Tem todos os elementos supracitados. O problema foi a maldita palavra “entorpecente”, do subtítulo.

Quando escolhi, pensei em drogas, claro. Mas não apenas nisso. Afinal, uma rave é entorpecente por conta da música repetitiva, da luz, do afastamento da cidade, das horas ininterruptas de dança e etc. Queria, portanto, trazer todos esses elementos para o subtítulo. Infelizmente, contudo, a palavra está já um tanto gasta e viciada. Foi tão usada como adjetivo referente a drogas que perdeu seus matizes.

Como resultado, tenho me desdobrado em palestras e entrevistas tentando explicar que, apesar de abordar a fundo a questão das drogas, o livro não se resume a isso. E que tarefa mais ingrata essa, viu? Porque num país em que ninguém lê, o título ganha status de obra. Com o perdão do lugar comum, julga-se o livro pela capa.

Há, inclusive, casos levemente absurdos, como o de um DJ, organizador de um importante festival que é retratado no livro, ao longo de algumas dezenas de páginas. Retratado, diga-se, de forma elogiosa. Pois o sujeito fez questão de dizer que não leu nem a parte que lhe diz respeito. Não leu nem o trecho em que falo das inegáveis qualidades que ele tem como DJ. Mesmo assim achou-se no direito de sair falando mal.

Não criticou a escolha do título. Se fosse isso, tudo bem, pelo menos ele saberia do que fala. Mas não, ele criticou o conteúdo. Disse que o livro é sensacionalista e que eu não passo de um jornalista picareta.

Pôs a culpa no “entorpecente”.

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Record, raves, e o padrão de Ana Paula

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on julho 31, 2009

Tive uma sensação de déjà vu, ontem, assistindo ao Jornal da Record. Pela segunda vez na semana a nova casa de Ana Paula Padrão exibiu uma reportagem denunciando mortes e tráfico de drogas em raves.

Da primeira vez  (acho que foi na terça-feira), já achei um pouco estranho, principalmente por não haver algum fato realmente novo, que justificasse a exploração do assunto em horário nobre. Além disso, a edição da reportagem deixava claro que houve um bom tanto de manipulação na forma como tudo foi montado. Mas, tudo bem, uma vez, vá lá. Afinal, falamos da rede Record, de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.

Mas eis que ontem, cometendo o desatino de assistir novamente ao mesmo telejornal, me deparo com uma segunda matéria atacando as raves. Não era idêntica, mas quase. As mesmas imagens, as mesmas entrevistas, os mesmos personagens, sem praticamente nenhum fato novo. O assunto era a morte de um garoto, numa festa Tribe, há mais de um ano.

Refestelado no sofá, portanto, refletia eu sobre os sinistros rumos do jornalismo televisivo nacional, quando, mais uma vez, a Record me surpreendeu. Sapecou no ar uma longa reportagem a respeito dos bastidores de sua próxima novela. Vejam bem, leitores da geração déficit de atenção! Tratamos do programa jornalístico sério da emissora, que pretende fazer frente ao Jornal Nacional.

Pois eu, caro Edir, voltei correndo para a companhia de Fátima Bernardes e seu tremelicante esposo, William Bonner (percebam como ele chacoalha enquanto fala).

Quanto a você, cara Ana Paula, está muito longe de seu padrão. Desculpem o trocadilho infame, mas não resisti.

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Narayhana, raves e rodeios

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on junho 8, 2009

Neste sábado atendi a uma estudante de jornalismo que, por conta do Festa Infinita, escolheu me entrevistar para um trabalho da faculdade. Aparentemente seguindo a escola dos bons repórteres, Narayhana, 19, fez questão de se encontrar comigo pessoalmente e se descambou de Itapevi para a Lapa. Ossos do ofício.

Eis que no final da entrevista a garota de nome complicado, uma raver convicta, me fez uma pergunta recorrente. “A imprensa não trata as raves de forma preconceituosa, tocando no assunto só quando algo errado acontece?”

Eu respondi o que sempre respondo. Que não. Que a imprensa vive de má notícia e ponto. É a vida. Não há perseguição às raves. Duvido que Folha, Estado, Veja ou Globo estejam, de alguma forma, interessadas em conter esse “movimento contracultural”.

Mas, por falar em má notícia, a pergunta de Narayhana, me fez lembrar de um assunto que eu queria ter comentado por aqui e acabei esquecendo. Algumas semanas atrás, um rodeio em Jaguariúna (interior de SP) causou comoção nacional depois que quatro pessoas morreram e dezenas ficaram feridas numa mega pancadaria.

E o que isso tem a ver com raves?

Tem a ver que Jaguariúna, cidadezinha orgulhosa de seus rodeios, é uma das poucas a proibirem terminantemente a realização de raves.

Dá o que pensar, não?

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A miséria alheia

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on maio 21, 2009

Sou fã de José Padilha. Apesar das críticas de que Tropa de Elite é uma apologia à brutalidade policial achei um filme excelente, corajoso e necessário. Li o livro (“Elite da Tropa”) e achei o filme melhor, coisa rara.

Escrevo sobre Padilha, por conta de duas coincidências. A primeira vem do fato de que ele está produzindo um filme sobre raves. O título provisório é “Paraísos Artificiais”, e ainda não há previsão de lançamento. Ao contrário do que muita gente que conhece o trabalho do diretor supõe, o longa não será um documentário (como “Ônibus 174”), nem baseado em fatos reais (como “Tropa de Elite”). Será uma história ficcional, sobre jovens que se envolvem com drogas. As raves estarão no pano de fundo.

A equipe por trás das câmeras também será diferente da do “Tropa”. Marcos Prado, que fazia a produção, será o diretor, invertendo papéis com Padilha. Foi Marcos Prado, inclusive, que me contou tudo isso. Ao vivo e em cores, vejam só, na pista de dança do Universo Paralello.

De sunga e com um chapelão de palha, fotografava ravers para ajudar a compor seus personagens. Colhia imagens, enquanto eu colhia informações e sensações.

A segunda coincidência (por falta de termo melhor?) é uma sensação de comprometimento com os personagens retratados. No caso de José Padilha e Marcos Prado, esse laço forçado pela profissão ocorreu no último filme da dupla, “Garapa”. É um documentário sobre famílias miseráveis que, em pleno século 21, passam fome. Se alimentam de uma mistura de água morna e açúcar, a tal da “garapa”.

Numa reportagem publicada ontem pela Folha de S.Paulo, Padilha fala da terrível impossibilidade de ajudar aquelas pessoas durante as filmagens. A produção não podia distribuir comida, senão a situação se tornaria artificialmente diversa da realidade, não haveria filme. Depois, com o documentário pronto, Padilha e Marcos Prado passaram a ajudar. Enviam dinheiro para as famílias retratadas.

Senti algo parecido quando apurava o livro “Cama de Cimento”, sobre a população de rua de São Paulo. Um sentimento de cumplicidade com a sociedade que perpetua aquela miséria, mas mais do que isso. Uma impressão de que eu estava explorando aquela gente. Ouvindo suas histórias, roubava a última coisa que lhes pertencia.

No final, como quem leu o livro sabe, tentei ajudar algumas pessoas isoladamente. Não adiantou a boa vontade. Mas continuei a me sentir comprometido com o povo das ruas. E antes que o livro fosse publicado, talvez para me livrar do sentimento de culpa, me comprometi a doar metade dos meus direitos autorais.

Assim, 25% dos royalties do “Cama de Cimento” são destinados à Associação Rede Rua, e 25% à Revista Ocas.

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O que o livro “Festa Infinita – o entorpecente mundo das raves” não é?

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on maio 4, 2009

Semana passada, recebi uma proposta um tanto inusitada do site Factóide. Pediram que eu fizesse uma pergunta para que eu mesmo respondesse. Achei bem bacana a idéia, e depois de fundir a cuca pra descolar algo que, assim como a proposta, fugisse da normalidade, me sai com esse texto que reproduzo abaixo.

Eu perguntei: o que o livro “Festa Infinita – o entorpecente mundo das raves” não é?

E eu respondi: “Festa Infninta” não é um livro moralista, não é um livro de denúncia, não se enquadra no jornalismo policial, não é sensacionalista, apesar de ser um tanto sensorial. Não é jornalismo marrom, e sim multicolorido. Não é antiético, apesar de olhar pelas fechaduras alheias. Não é uma obra que faça juízos de valor, que espalhe preconceitos ou que exponha personalidades ao ridículo. Não é um livro sobre drogas, apesar de se aprofundar no assunto. Apesar de se aprofundar até um pouco demais, na opinião de alguns.

“Festa Infinita” não  é um relato apaixonado, apesar de ter um bocado de paixão na escrita. Não é parcial, apesar de se desapegar à imparcialidade. Não é a bíblia do mundo trace. Não é o livro de cabeceira dos ravers. Não é um manual para ravers iniciantes, nem um alerta para pais preocupados. Não é apologético nem reacionário. Não é careta. Não é simples nem simplista. Não é voltado para um público alvo específico.

“Festa Infinita não é quadrado, nem retangular, nem plano. Elíptico talvez. Não é uma tentativa de ganhar dinheiro a qualquer custo. Não é uma jogada de marketing. Não é chato. Não é mal escrito. Não elabora teorias e cita pouquíssimas delas. Não é tacanho, obtuso, estreito ou careta. Não é o prefácio. Não é a orelha ou a quarta capa. Não é uma campanha publicitária, nem uma resenha de livraria. “Festa Infinita” não é ficção, apesar de ser literatura. Não é o que quem não leu anda falando.

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Festa Infinita na MTV

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on abril 30, 2009

Atendendo a pedidos, coloco abaixo o vídeo da entrevista sobre o Festa Infinita na MTV. O áudio está levemente prejudicado, a sincronia lembra o Fucker and Sucker, mas, no fim, o que importa é a comunicação. Ou não.

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Festa Infinita: para o alto e além

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on abril 27, 2009

Um dos grandes desafios do “Festa Infinita”, na minha opinião, é conseguir ir além do mundo da música eletrônica. É ser valorizado como um livro que seja interessante e válido para os mais diversos públicos. Meu sonho, na verdade, é que ele seja lido por pessoas que nunca se interessaram por raves, mas que ouçam falar do livro e resolvam lê-lo apenas por conter boas histórias sobre o mundo real contemporâneo.

Por isso, fiquei triplamente feliz quando, na semana passada, encontrei esta resenha do livro no blog do Mauro Ferreira. O primeiro motivo da felicidade é que Mauro está além do mundo da música eletrônica. O segundo é que ele é um jornalista experiente e conceituado, já trabalhou em importantes jornais cariocas e seu blog é uma referência no mundo da música. E terceiro, mas de forma alguma menos importante, é que a resenha é extremamente elogiosa.

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Onde comprar

Posted in Extra by Tomás Chiaverini on abril 17, 2009

Muita gente tem me perguntado onde é possível comprar o “Festa Infinita”. Bom, a Ediouro tem um eficiente esquema de distribuição e logo mais ele deve estar numa livraria perto de você.

Como o livro vai pro Brasil inteiro, contudo, é possível que em algumas regiões ele demore um pouco mais para chegar às prateleiras.

Para quem não encontrou o livro, ou não está a fim de se descambar até uma livraria, minha sugestão é que compre pela internet. Recomendo, em especial, o site da livraria Cultura, que tem um bom serviço de entrega e onde o Festa está com um desconto caprichado.

Para acessá-lo, basta clicar na imagem da capa do livro, aqui na lateral direita.

Boa leitura!

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Por que a verdade incomoda?

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on abril 13, 2009

Na última sexta-feira, em pleno feriado de Páscoa, com o porta-malas do meu moribundo Corsinha recheado de exemplares do “Festa Infinita”, me aventurei por estradinhas sinuosas, me perdi um bocado, mas finalmente cheguei ao local onde estava começando mais uma edição da rave Respect. Perto de Suzano, no interior de São Paulo.

Eu havia sido gentilmente convidado pelos organizadores da festa (que também tem ajudado muito na divulgação do livro) para fazer uma espécie de noite de autógrafos. Fiquei por lá até uma 5h30 da manhã. Foi a primeira vez que pisei numa rave após a publicação do livro e, tenho de admitir, não foi das experiências mais agradáveis.

A parte de conversar sobre o livro com desconhecidos até que foi divertida. Vendi uma meia dúzia de exemplares, fiz propaganda, dedicatórias, etc. Mas o que me incomodou foi ser olhado por certos personagens como se eu os houvesse traído ou coisa assim.

E aqui, não custa esclarecer. O “Festa Infinita” não é um livro de denúncia. Não pretende julgar ninguém, condenar ninguém, reforçar estereótipos ou perpetuar preconceitos. Pretende apenas retratar, a partir de ângulos diversos, esse grande universo em que se desenrolam as raves.

Dito isso, voltemos aos narizes torcidos. Pessoas que antes me saudavam efusivamente perguntando do livro, nessa noite fingiram não me conhecer. E outras, com quem eu vinha até criando relações de amizade, me cumprimentaram friamente.

E o motivo, meus caros leitores, é “a verdade”. Incrível, mas as pessoas realmente se surpreenderam porque escrevi “a verdade”. E me disseram isso com todas as letras: “pôxa, mas você abriu demais a vida das pessoas”, ou: “podia ter dado uma aliviada pra gente”, ou ainda: “cara, você falou que fulano de tal fuma maconha”.

Vejam, caros leitores, na apuração deste livro eu nunca me disfarcei para obter informações. Pelo contrário, sempre me apresentei como jornalista, disse que estava escrevendo um livro, informei o nome da editora e gravei as entrevistas sempre com consentimento do entrevistado. Agora, todos se surpreendem quando topam com a verdade.

Pessoas que me fizeram longos discursos em prol da liberdade, que me convidaram a partilhar baseados e insistiram veementemente diante das recusas, que condenaram a hipocrisia da sociedade e a manutenção da ilegalidade (que sustenta corruptos e criminosos) agora ficam assustadas quando trato o tema de forma franca e aberta.

Se as cinzas de Timothy Leary não houvessem sido lançadas no espaço, ele certamente estaria rolando no túmulo diante de incongruências como esta.

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Limbo

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on abril 9, 2009

Estamos no limbo, caros leitores. Pelos menos é assim que nos sentimos.

O livro está lançado, todo o mundo raver está comentando, o coquetel foi um sucesso e, como pude verificar ontem, exemplares encontram-se estrategicamente dispostos bem na entrada da livraria Cultura do Conjunto Nacional. (Ah que maravilha a visão do livro publicado, descansando ao lado do filho de alguém como Chico Buarque.)

Mas enfim, as coisas vão acontecendo lentamente. Sai uma notinha aqui, outra ali, uma entrevista na MTV (ótimo), e muitas matérias que apenas se repetem em dezenas de blogs (bom também).

Mas o que está realmente acontecendo? De verdade. As pessoas estão comprando? Estão lendo? Estão gostando? Falando para os amigos na mesa de bar? Vão colocar na lista de presentes para o próximo aniversariante?

Aaaaarrrrghhhhhh, não sei.

E pior, vou ficar sem saber durante um bom tempo, porque os números de vendagem demoram a ser compilados. E pior que não posso pegar a mochila e subir alguma montanha para um retiro espiritual. A todo o tempo surgem nova oportunidades de entrevista e não posso me dar ao luxo de estar ausente. Então resta controlar a ansiedade e esperar.

Para nosso conforto, às vezes temos boas notícias, como a primeira resenha crítica do livro, feita por um insider do universo raver no blog Factóide.

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É neste sábado!

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on abril 2, 2009

Incrível, fantástico, estupendo. Ele ficou pronto.

Apesar de todas as improbabilidades, deu tudo certo, e um segundo livro chega às prateleiras. Assim, convido tanto os que participaram desta odisséia desde o começo quantos os que só pegaram o finalzinho, a brindar comigo no lançamento do livro “Festa Infinita”.

Vai ser neste sábado, dia 4, na Livraria da Vila que fica na Fradique Coutinho, 915. Estarei lá à partir das 16h.

Àqueles que ainda estão traumatizados por conta do dilúvio que acometeu nossa metrópole durante o lançamento do “Cama de Cimento”, folgo em dizer que, de acordo com os boletins meteorológicos disponíveis, a tarde de sábado promete ser bela e ensolarada (5% de chance de chuva).

Tenho de alertar, contudo, para os eventuais problemas de tráfego no local do evento, já que as estreitas ruas da Vila Madalena dificilmente comportarão a horda de automóveis que fluirá rumo à livraria.

Mas a CET já me encaminhou o plano de reestruturação do tráfego elaborado para o evento. Também conversei com a Força Nacional de Segurança, que afastou qualquer possibilidade de ameaça terrorista, mesmo com a presença de tantas lideranças internacionais.

Por fim, àqueles que pretendem chegar ao local de helicóptero, alerto que pode haver problemas. Caso Obama confirme a presença, é provável que o espaço aéreo sobre a livraria fique fechado na maior parte da tarde.

Não reclamem. Seria muito pior se Bento XVI não tivesse desistido na última hora, depois de conferir certas fotos picantes que ilustram o livro…

Mas, enfim, brincadeiras à parte, apareçam todos, que a tarde promete ser divertida e agradável.

Até lá, fiquem com um grande abraço!

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E segue o galope

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 30, 2009

Pois não é que que sobrevivemos, com poucos gaguejos, à entrevista concedida ao vivo para MTV nesta bucólica tarde de março? Se alguém perdeu, ou se todos perderam, não há motivo para desespero. Haverá uma reprise no próximo sábado, dia do lançamento, às 13h.

Pra quem quiser um contato mais próximo com este que vos tecla, na quarta-feira, às 16h, participarei de um bate-papo no Uol. Seria legal encontrar os eruditos leitores do Antes da Estante por lá.

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A fama vem a galope

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 26, 2009

Eis que a fama vem a galope. Sério. Vem mesmo. Quem não acredita pode conferir aqui. O livro caiu nos teclados dos blogueiros e dos sites especializados em música eletrônica. Vem causando polêmica em fóruns de discussão. Em muitos fóruns de discussão.

Hoje darei entrevista para a rádio Band News, segunda participo de um programa da MTV. Ao vivo (eu hein!). No começo desta semana, a primeira página do Uol estampou uma chamada para a entrevista que dei ao Rraurl. Em menos de 12 horas, o post teve mais de 7 mil acessos.

Eu, de minha parte, estou achando tudo muito bom, tudo ótimo e divertido. Mas bem estranho também. Muito estranho. Estranho porque o livro só saiu da gráfica hoje. Ninguém leu. Ninguém nem deu uma folheada. Nem uma leiturinha diagonal. Nada.

Tanta falação é apenas por conta do tema polêmico. Mas a verdade é que ninguém sabe o que vai encontrar nas 304 páginas do Festa Infinita.

E se for ruim? E se o livro for uma bomba? Hein, senhores blogueiros? E se o autor for disléxico? Que dirão vocês? Que dirão se encontrarem um compêndio antropológico repleto de gnósticos termos eruditos?

E vocês, caros ravers, que me atacam acusando-me de sensacionalista, reacionário e superficial? E se o livro for o material mais interessante sobre o assunto já escrito? E se acabar por tornar-se “o livro de cabeceira dos ravers”, como postou algum blogueiro?

E vocês, caros ravers que me defendem? E se o livro for um nojo de careta, apelativo e reduzir este movimento que vocês tanto amam a um boletim de ocorrência lavrado pelo DENARC? Como vocês se justificarão para seus pares?

Mas, enfim, não adianta pedir calma. Não adianta pedir que leiam antes. Este livro que um dia foi tão meu, só meu, que esteve encerrado dentro da minha cabeça, agora nasce para o mundo e já traz consigo um sem número de rótulos, opiniões e preconceitos; já gera amores e desamores.

Pois que seja. Que falem do recém-nascido! Mas depois me façam um favor. Invadam as livrarias e esvaziem as prateleiras que sustentam o Festa Infinita. E não parem por aí. Leiam. Leiam com atenção, sem pular páginas. Mergulhem no texto. Entendam, decodifiquem meus caracteres e depois voltem a falar. Elogiem, xinguem, amem ou odeiem tudo de novo. Mas dessa vez com conhecimento de causa.

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O release, senhores

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 19, 2009

Pra quem não sabe, release é um texto curto e objetivo, que tem a função de informar a imprensa sobre novas pautas e produtos. E há a mais diversa gama de releases entupindo as caixas de entrada dos repórteres em geral. Desde aqueles falando do novo filme até os que detalham o mais novo lançamento da indústria automotiva.

Há, inclusive releases que vêm envoltos em kits de imprensa sedutores e sofisticados, com amostras grátis, brinquedos, pôsters e etc.

São extremamente importantes para a divulgação do que quer que seja, não só porque constituem-se no ponto de partida para o trabalho dos repórteres, como porque  às vezes são publicados na íntegra, como se fossem uma matéria jornalística.

Abaixo, reproduzo o release de Festa Infinita, elaborado pela assessoria de imprensa da Ediouro, e que me parece bem bacana.

Tomás Chiaverini desvenda o universo raver

em Festa Infinita –  O entorpecente mundo das raves

Longas festas, em lugares afastados, com muita música eletrônica e drogas sintéticas. Para muitos, essa pode ser a definição das festas raves, tão comuns hoje em dia, mas o jornalista Tomás Chiaverini mostra que o universo raver vai muito além, em Festa Infinita – O entorpecente mundo das raves.

Enquanto acompanha a história de pessoas que frequentam as raves, Tomás mostra como são essas festas. O uso de ecstasy, LSD e outras drogas, o transe através da música, a filosofia P.L.U.R. (Peace, Love, Union, Respect ), nada escapa ao olhar atento desse jornalista.

DJ famosos, organizadores de festas, bomba trancers, neo-hippies, pessoas que se penduram por piercings, e também jovens comuns, que estudam ou trabalham a semana toda para passar o final de semana pulando ao som do psytrance, todos são personagens desta história onde as mais diversas tribos se reúnem com o mesmo objetivo: deixar-se hipnotizar pelo tummm, tumm, tumm que vem de gigantescas caixas de som.

Tomás Chiaverini nunca havia ido a uma festa dessas, mas para poder descrever com clareza o que acontece nesse ambiente barulhento e colorido ele não apenas fequentou raves, como viajou, passou mais de 30 horas dentro de um ônibus, com cerca de 40 ravers para ir ao festival Trancendence, acampou por 10 dias no Universo Paralello – um dos maiores festivais do país – e até mesmo experimentou um ecstasy para compreender o efeito da droga associado a música eletrônica, tão apreciado por inúmeros jovens.

Depois de cerca de 1 ano de muita pesquisa este livro-reportagem chega às livrarias repleto de informações e fotos que demonstram como a realidade dessas festas vai muito além do consumo de drogas descrito nas matérias de jornais.

Festa Infinita – O entorpecente mundo das raves possibilita ao leitor um mergulho nesse mundo onde a música alta e eletrônica hipnotiza, e a festa parece nunca acabar.

Tomás Chiaverini é jornalista e autor do livro Cama de cimento – uma reportagem sobre o povo das ruas (Ediouro, 2007), onde retrata o cotidiano dos sem-teto na cidade de São Paulo. Como repórter, trabalhou na Folha de S.Paulo e teve matérias publicadas em importantes revistas e sites. Durante todo o ano de 2008, manteve o blog “Antes da Estante”, em que foi possível acompanhar os bastidores da elaboração de Festa Infinita.

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Degustação

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 16, 2009

Enquanto o Festa Infinita não chega às prateleiras, ofereço mais um aperitivo do texto. O trecho abaixo foi extraído do capítulo “De orgias e motosserras”, que conta a história do Fuck For Forest, um grupo que usa o sexo para preservar a natureza, e que conversou comigo algumas vezes, durante o Universo Paralello.

Seis dias antes do início do festival, uma funcionária da produção se aproxima de uma mesa de madeira tosca, enterrada na areia e sombreada pelos coqueiros que se espalham pelo acampamento-base. Usando um inglês abrasileirado ela se dirige a duas meninas e um rapaz que conversavam amolecidos pelo onipresente sol da Bahia:

– O Swarup pediu para que vocês não andem mais pelados na praia, além do local da festa – exclama num tom calmo e gentil. Depois para, pensa um pouco escolhendo as palavras, e continua: – E quanto ao sexo… Bom, eu vou ter que pedir que vocês não façam em público, a não ser na área da performance.

O norueguês Tommy Hol Ellingsen, 31, a encara por algum tempo, como se não fosse capaz de compreender o que ela estava dizendo. Depois levanta o rosto, já esculpido numa expressão de espanto e indignação, e indaga, num inglês impecavelmente europeu.

– Mas como assim?

Tommy tem cabelos loiros compridos e uma barba que acaba numa xuca, presa por um elástico na frente do queixo. Veste uma saia comprida de algodão marrom, uma regata bege, e vários colares de conchas e sementes. Complementando o visual pouco comum, usa um cinto de couro que exibe a imagem de Jesus e Maria numa fivela prateada, uma tatuagem na mão com a fórmula 2+2=5, e, cereja do bolo, uma flauta doce de madeira cor-de-rosa, atravessada na cintura qual uma espada de pirata.

Ainda com aquele inglês um pouco capenga e com toda a calma que o calor nordestino impõe, a produtora continua a argumentar. Explica que, mesmo que não queiram, eles de certa forma representam o festival para a população local. Depois conta que há dois anos, os moradores da região foram reclamar com o prefeito por conta da multiplicação de peitinhos livres de sutiã pela praia de Pratigi. O prefeito, cumprindo seu dever político democraticamente aferido, levou as queixas aos organizadores da festa. A partir de então, esforços  têm sido reunidos a fim de diminuir a nudez na praia.

– Mas – exclama Tommy preservando aquela expressão de indignação – e na festa?

– Ah, lá vocês podem ficar nus sem problema nenhum. Mas o sexo vai ter que ser só no espaço para adultos, porque tem muitas crianças na festa, e os pais podem se incomodar.

Tommy pensa mais um pouco, por um instante parece até compreender a situação, mas logo volta a se indignar:

– Mas por que isso? A população local não gosta de ver gente pelada?

– Não é isso. É que as pessoas aqui são muito pobres – explica a moça. – Eles não têm nem o que comer, como é que vão entender… O amor?

(…)

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Festa Infinita cai na rede

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 12, 2009

Pois então, caros leitores, regozijo-me ao informá-los que o Festa Infinita não está mais restrito às páginas do Antes da Estante e que, como um benéfico vírus cultural, vai se espalhando pelos meandros do hipertexto.

Abaixo coloco os links que remetem a notícias ou fóruns de discussão sobre o livro. Também aproveito para criar uma nova página, onde acompanharemos a escalada rumo ao Olimpo da fama.

Site Mushrootz

Fórum no site Baladaplanet

Site Plurall

Comunidade no Orkut

PS: o livro, que ainda não saiu das rotativas, já está à venda em pelo menos duas livrarias: Cultura e Saraiva.


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Senhores, brindemos às orelhas

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 9, 2009

Orelha, como todos sabem, além de importante componente do sistema auditivo de mamíferos em geral, é aquela parte dobrável da capa dos livros, que também serve como marcador. Ali, geralmente há textos com resumos elogiosos e algumas informações sobre o autor.

A orelha serve, basicamente, para convencer você, leitor, a levar o livro da gôndola da livraria para sua casa. Ou para intelectuais de butique tecerem comentários pseudo-inteligentes sobre obras que não leram.

Abaixo, seguindo nas notícias em primeira mão, seguem os textos que estarão nas orelhas de Festa Infinita.

Em “Festa Infinita”, o leitor é convidado a um mergulho no barulhento, colorido e entorpecente mundo das raves. Logo no primeiro capítulo, uma narrativa dinâmica e precisa descreve uma festa do começo ao fim, com toda a intensidade da música, com a efervescência das drogas sintéticas, e com garotos que se penduram pela pele em bizarras e angustiantes performances masoquistas.

A partir daí, o autor cria um amplo panorama desse movimento contracultural, que só no Brasil atrai cerca de 500 mil jovens por mês, para alguma das 1.400 festas, promovidas anualmente em sítios, praias desertas e clareiras no meio do cerrado. Raves que chegam a atrair 30 mil pessoas em “modernos rituais de êxtase coletivo”.

Para dar vida a este mundo sensorial, o repórter entrevistou inúmeros DJs, produtores e aficionados, criando uma trama de perfis que, por meio de casos curiosos, divertidos e até dramáticos, ilustram a história das raves no Brasil. Usando técnicas de imersão próprias do jornalismo literário, o autor conviveu intensamente com os personagens retratados, acompanhou DJs em assustadoras viagens noturnas, e mergulhou em noites de música ininterrupta.

Num ônibus, junto a 40 ravers, empreendeu uma surreal viagem de mais de 30 horas até o interior de Goiás, e passou uma semana acampado num dos maiores festivais de música eletrônica do país. No fim do ano, viajou a uma praia deserta no sul da Bahia onde, por quase um mês, acompanhou a montagem do Universo Paralello – festa que atrai dez mil ravers para mais de uma semana de sol, drogas e dança. Finalmente, para viver e retratar esse universo da forma mais intensa e realista possível arriscou-se a experimentar na própria pele os efeitos do ecstasy somados à música eletrônica.

O resultado desse processo de imersão é um texto fluido e instigante, que mexe com os sentidos, que evidencia o hedonismo descompromissado de parte da juventude atual, e que documenta uma faceta da história contemporânea completamente desconhecida para a maior parte da população.

Tomás Chiaverini é jornalista, autor do livro “Cama de Cimento – Uma reportagem sobre o povo das ruas” (Ediouro/2007), onde retrata o cotidiano dos sem-teto na cidade de São Paulo. Como repórter trabalhou na Folha de S.Paulo e teve matérias publicadas em importantes revistas e sites nacionais. Durante todo o ano de 2008, manteve o blog “Antes da Estante”, em que foi possível acompanhar os bastidores da elaboração de “Festa Infinita”. Até iniciar a apuração deste livro, nunca havia passado perto de uma rave.

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Lançamento

Posted in Extra by Tomás Chiaverini on março 6, 2009

Está marcado, confirmado e aprovado. O lançamento será  dia 4 de abril, um sábado, por volta das 16h. O estabelecimento que terá o prazer de receber tão importante evento será a Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho, em São Paulo.

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Senhores, em primeira mão, a capa!

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 5, 2009

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Um livro para o mundo

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 2, 2009

Não é pequeno o prazer que um autor sente ao ler comentários elogiosos sobre seu texto, ainda mais quando eles foram escritos por alguém como Ricardo Kotscho. O fato de tais cumprimentos estarem num prefácio, ou seja, num espaço naturalmente dedicado a elogios, não torna menor este prazer.

Mas quando li pela primeira vez as três páginas do prefácio de “Festa Inifinia”, fui acometido por um outro sentimento. Algo parecido com o que deve sentir uma mãe de meia idade que, sentada na varanda da frente, fuma um cigarro enquanto seu filho recém-formado vai embora de casa.

Kotscho não me conhece, nunca foi a uma rave e não creio que seja admirador de psytrance. Quando leu o livro, portanto, o fez com um grande distanciamento. E, para minha surpresa, sua visão do meu trabalho, pelo menos em certos pontos explicitados no prefácio, são às vezes muito diversas da minha própria.

E, ainda que sem o gabarito de Kotscho ou a tarefa de escrever um prefácio,  quantos outros leitores não haverão de ter opiniões das mais variadas sobre aquilo que eu disse? Quantas interpretações possíveis pode haver nas 300 páginas que tomaram todo meu tempo por mais de um ano? Impossível prever.

Mas esse talvez seja um dos grandes encantos do jornalismo literário. Por buscar proximidade com a arte, é muito mais subjetivo, amplo e aberto do que qualquer reportagem de revista, jornal ou o que seja.

Ao autor, só resta observar da varanda, enquanto o livro se afasta, e torcer para que ele encontre seu espaço nas prateleiras do mundo.

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