Antes da Estante

O charme retrô dos bigodes de Levy Fidelix, no Nota de Rodapé

Posted in Crônica, Jornalismo by Tomás Chiaverini on outubro 3, 2012

Os Moinhos de Vento de Levy

Levy Fidelix foi o primeiro candidato a chegar ao debate da TV Cultura – realizado em setembro – com quase duas horas de antecedência. Adentrou os portões exibindo um caprichado sorriso sob o bigode preto retinto, aparentemente recém retocado de Grecim 2000. Ao contrário de seus adversários (excetuando-se, por motivos óbvios, Soninha), vestia um terno mal ajustado e uma gravata listrada, daquelas largas, de antigamente. Quando o embate começou, destilou os disparates de sempre, ainda que o famoso aerotrem tenha perdido espaço para um banco municipal. Na surreal hipótese de Levy tornar-se prefeito, o tal banco, de alguma maneira mágica, salvaria a cidade da iminente bancarrota.

Foram duas horas e meia de discursos enfadonhos e semi-afagos entre os oito candidatos, e faltavam menos de quinze minutos para meia-noite quando o mediador, Mario Sergio Conti, finalmente decretou o término do lenga-lenga. Apesar do adiantado da hora, a imprensa, que heroicamente lotava a plateia, subiu ao palco em busca de declarações. Aquela coisa de sempre: microfones, gravadores, câmeras e filmadoras disputando espaço para registrar uma declaração insossa qualquer.

Os mais assediados foram Haddad, Serra e Russomanno, líderes nas pesquisas. Mas todos, até os menos expressivos, como Gianazzi e Paulinho da Força, mereceram alguma atenção dos repórteres. Menos o pobre Levy. Nem sequer um microfonezinho se dispôs a dar voz às suas utopias tão ingênuas e divertidas.

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Uma estranha realidade

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on setembro 3, 2009

Às vezes abro o jornal e me sinto vivendo numa realidade paralela. Tudo bem, sentimento compartilhado, creio eu, pela maioria dos leitores, nenhuma grande novidade. Esse mundo é muito estranho mesmo, e a imprensa faz questão de ressaltar as bizarrices. Mas às vezes as coisas vão além.

Hoje, por exemplo, fui brindado com a notícia de que, por uma sábia medida do governo, em 2014 os carros produzidos aqui terão de poluir 30% menos. Nada de bizarro, ok. Se não fosse por um detalhe: essa meta é inferior àquela que Europa e EUA já adotaram.

Surreal, não?

Sim, mas nada que se compare ao Collor. Pois é, ele de novo. Para quem não sabe, o nosso bicudo caçador de marajás, o boneco assassino do senado, a Fênix do impeachment agora se tornou imortal. Sem nunca ter publicado um livro, o filho do tinhoso conseguiu a proeza de ser escolhido para uma vaga da Academia Alagoana de Letras.

Bizarro o bastante ou querem mais?

Certezas bizarras

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 4, 2009

“Se o Lula ganhar, vou ter que dividir meu quarto com um monte de gente pobre”.

Assim, do nada, essa frase espocou hoje na minha cabeça. Por conta de meu próximo projeto (do qual os senhores logo terão mais notícias) ando lendo muito sobre o período da ditadura, uma época em que o fanatismo político fazia as pessoas terem certezas bizarras.

A frase acima, claro, não diz respeito aos anos de ignorância militar. Também não foi proferida por nenhum político ou jornalista. Referia-se à disputa eleitoral entre Lula e Collor, ocorrida há quase duas décadas, e foi dita por minha prima, então com seus dez aninhos.

Criada por pais de direita, ela tinha nessas palavras o principal argumento para torcer por Collor e vencer a discussão que teve comigo, seu primo criado à esquerda do berço.

Hoje, vendo a promiscuidade de Lula com sujeitos como Collor, Renan Calheiros e, claro, o imperador Sarney, percebo que, se há uma certeza na política nacional, é a própria bizarrice.

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