Antes da Estante

De volta às origens

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on setembro 1, 2008

Boa parte dos cabelos vem emaranhada em tufos dreadlocks. As cores preferidas para saias rodadas, calças folgadas, batas e ponchos são aquelas de tonalidades naturais, do marrom ao verde musgo. Há rostos pintados com traços de tinta vermelha, e há aquela música, aquele ensurdecedor e repetitivo tambor eletrônico.

É impossível, portanto, olhar para uma pista de dança de uma rave ou festival sem traçar um paralelo imediato com alguma arquetípica festa tribal. E essa semelhança, às vezes, surpreende até os mais envolvidos com o fenômeno raver.

Há quase dois meses, na pista de dança do Trancendece, Alok, o organizador do Universo Paralello, olhou em volta, depois se virou para mim empolgado e sentenciou:

“Isso é uma incrível experiência antropológica pós-moderna.”

E eu fiquei pensando nisso.

E fiquei olhando a pista, aquele monte de gente pulando num Kuarup eletrônico, cuja fonte de energia estava no som repetitivo e hipnótico do psytrance… Então comecei a pensar na história da música eletrônica.

O psytrance evoluiu do house e do techo. O house e o techno vieram da disco-music, que veio do rock. O rock veio do blues. O blues evoluiu a partir das work-songs, músicas cantadas pelos escravos americanos, que certamente se inspiravam nos sons da África tribal, que devia ter muito em comum com o psytrance.

Dá o que pensar não?

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E no que deu?

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on março 10, 2008

Atendendo ao pedido feito num post da semana passada, coloco aqui um link da LastFM onde é possível escutar gratuitamente algumas faixas de psytrance.

Aos ouvidos mais conservadores e delicados, que certamente verão no estilo traços do cruzamento de Enya com uma britadeira, vale a ressalva: a música, nas festas, pretende ter uma função quase religiosa, algo semelhante aos mantras budistas.

Como o próprio nome (transe psicodélico) já sugere, o objetivo do estilo, sempre reproduzido em caixas de som que mais parecem pequenos edifícios, é levar a um outro estado de consciência, a uma espécie de transe coletivo.

Para quem tem recursos além das ridículas caixinhas do computador, vale a pena ouvir por alguns minutos num volume de incomodar os vizinhos.

Confesso que ainda não mergulhei em nenhuma viagem dessas, mas senti uns movimentos involuntários no pescoço ao escutar algumas das faixas.

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