Antes da Estante

Ar puro e cocô plastificado

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 3, 2009

Ah, que beleza será o ar de São Paulo agora que a corja homicida de fumantes não mais o empestará com suas baforadas mortalmente cancerígenas. Ônibus desregulados, SUVs e a crescente frota de automóveis continuarão, é verdade, causando ligeira piora na pureza atmosférica, mas o importante é que medidas estão sendo tomadas.

O mundo, caros leitores, está ficando mais limpo. E os cidadãos desta metrópole, que é a Big Apple da América Latina, o umbigo emergente do mundo em desenvolvimento, estão se tornando cada vez mais politicamente corretos.

Para comprovar tal cosmopolitismo paulistano basta tomarmos como exemplo os cachorrinhos endinheirados que passeiam pelas calçadas do bairro de Higienópolis (nome que vem ao encontro do tema). Hoje, depois de uma ampla campanha de conscientização, basta que seus intestinos caninos ponham pra fora algumas porçõezinhas de excremento, para que a massa fétida seja rapidamente recolhida em herméticas sacolinhas plásticas.

Daí, ainda morno, o tóxico pacote é dispensado em alguma das várias lixeiras que se espalham por aquelas aprazíveis calçadas. Dela será provavelmente encaminhado a um lixão onde perdurará ad eternum.

A prática, temos de admitir, deve ter criado uma nova característica de lixo, algo que a natureza talvez não aceite de bom grado. Fezes que seriam rapidamente transformadas e biodegradadas tornam-se em algo de potencial poluidor semelhante ao conteúdo dos tonéis radioativos descartados por usinas nucleares.

Mas não sejamos ecochatos. Afinal, se queremos um mundo realmente limpinho e higiênico, temos que arcar com as conseqüências, não é mesmo?

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