Antes da Estante

Narayhana, raves e rodeios

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on junho 8, 2009

Neste sábado atendi a uma estudante de jornalismo que, por conta do Festa Infinita, escolheu me entrevistar para um trabalho da faculdade. Aparentemente seguindo a escola dos bons repórteres, Narayhana, 19, fez questão de se encontrar comigo pessoalmente e se descambou de Itapevi para a Lapa. Ossos do ofício.

Eis que no final da entrevista a garota de nome complicado, uma raver convicta, me fez uma pergunta recorrente. “A imprensa não trata as raves de forma preconceituosa, tocando no assunto só quando algo errado acontece?”

Eu respondi o que sempre respondo. Que não. Que a imprensa vive de má notícia e ponto. É a vida. Não há perseguição às raves. Duvido que Folha, Estado, Veja ou Globo estejam, de alguma forma, interessadas em conter esse “movimento contracultural”.

Mas, por falar em má notícia, a pergunta de Narayhana, me fez lembrar de um assunto que eu queria ter comentado por aqui e acabei esquecendo. Algumas semanas atrás, um rodeio em Jaguariúna (interior de SP) causou comoção nacional depois que quatro pessoas morreram e dezenas ficaram feridas numa mega pancadaria.

E o que isso tem a ver com raves?

Tem a ver que Jaguariúna, cidadezinha orgulhosa de seus rodeios, é uma das poucas a proibirem terminantemente a realização de raves.

Dá o que pensar, não?

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Como os livros são vendidos?

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on junho 1, 2009

Essa é uma pergunta que me acompanha desde que lancei o Cama de Cimento, nos idos de 2007, época distante, em que eu seria incapaz de postar este texto num blog sem ajuda de um especialista.

Esmiuçando a pergunta: o que faz com que alguém entre numa livraria e resolva comprar o livro de um autor completamente desconhecido?

E antes que você debande achando que esta é mais uma daquelas listas de perguntas não respondidas, já me adianto e digo que se acalme, caro leitor, pois, sim, eu tenho uma resposta. Uma resposta parcial. Meia resposta, talvez.

O tempo urge, o mundo roda, Lugo copula e Kim Jong-il ameaça pôr um fim em tudo isso. Mas, novamente, peço calma. Aceitando a hipótese de que você, leitor, seja parte da população economicamente ativa, ouso dizer que alguns instantes a mais, gastos neste texto cheio de malabarismos de baixa qualidade literária, não trarão grandes prejuízos para o PIB deste nosso impávido colosso.

Pois bem, um passo atrás para tentar responder a pergunta. Ou a metade da pergunta. Três quartos, diria eu. E apesar de minha matemática falha, proponho uma divisão. Não da pergunta ainda, mas dos livros.  Livros de ficção pra um lado e livros de não-ficção para o outro. Todos acompanhando? Não? Pois bem. Vamos à não-ficção.

Esses, num primeiro momento, são mais fáceis de se vender. Pelo simples motivo de que, geralmente, há uma parcela da população que tem  interesse específico pelo assunto retratado. Tomemos o exemplo deste que vos escreve.

No caso do meu primeiro livro, Cama de Cimento, calculo que haja algo como 13,7 sociólogos que se interessem pelo tema retratado, a população de rua (que a maioria dos mortais quer mais é esquecer). No caso do segundo, Festa Infinita, há centenas de milhares de ravers que podem ser vistos como potenciais interessados.

Aí temos, portanto, metade da pergunta respondida. Os interessados entram na livraria, se deparam com seu assunto predileto e se arriscam a comprar.

Agora vamos ao outro um quarto. Que não é um quarto de verdade, porque agora podemos juntar tudo novamente. Ficção e não-ficção. A coisa está ficando um pouco confusa, mas não importa. A essas alturas acho que não há mais ninguém me acompanhando. Textos para a internet têm de ser curtos e objetivos, não longos e confusos como este.

Mas, agora não há remédio. Vamos até o final. Juntamos tudo. Porque, por mais ravers que haja no Brasil, acho pouco provável que eles compareçam em massa às livrarias e façam o livro se tornar um sucesso de vendas. Para isso, é necessário que o livro rompa a barreira de seu circulo de aficionados. É preciso que atraia leitores que se interessem apenas pela leitura, como no caso dos livros de ficção. É isso. É preciso atrair pessoas que gostem de ler. Ponto. Aí voltamos ao um quarto da pergunta, ou da resposta, mas que, na verdade, não é um quarto, porque juntamos tudo. Santos contorcionismos mentais, Batman!

Mas, enfim, há alguns seres estranhos que realmente entram na livraria e compram um livro de um autor desconhecido. Seja ele de ficção ou de não-ficção. Essa é a parte que vai ficar sem resposta.

A outra forma de se vender livros é através daquilo que os marqueteiros chamam de mídia espontânea. Matérias sobre o livro. Exemplo disso é o estrondoso sucesso de Chico Buarque no mundo das letras. Não que ele não o mereça, nem tenha talento para isso. Mas, num primeiro momento, seus livros vendem porque ele é o Chico. E o simples fato do Chico lançar um livro é notícia.

Nós, que não somos o Chico, vamos nos espalhando em notas, entrevistas e resenhas. Nada de capa da Ilustrada, mas muitos textos bacanas. Desde o lançamento, toda semana sai alguma novidade sobre o livro. Algumas, bem bestas. Outras pra encher a gente de orgulho, como esta, escrita por Luiz Felipe Carneiro, jornalista carioca especializado em música.

Ufa, esse foi difícil! Alguém teve a manha de chegar ao final junto comigo?

Festa Infinita: para o alto e além

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on abril 27, 2009

Um dos grandes desafios do “Festa Infinita”, na minha opinião, é conseguir ir além do mundo da música eletrônica. É ser valorizado como um livro que seja interessante e válido para os mais diversos públicos. Meu sonho, na verdade, é que ele seja lido por pessoas que nunca se interessaram por raves, mas que ouçam falar do livro e resolvam lê-lo apenas por conter boas histórias sobre o mundo real contemporâneo.

Por isso, fiquei triplamente feliz quando, na semana passada, encontrei esta resenha do livro no blog do Mauro Ferreira. O primeiro motivo da felicidade é que Mauro está além do mundo da música eletrônica. O segundo é que ele é um jornalista experiente e conceituado, já trabalhou em importantes jornais cariocas e seu blog é uma referência no mundo da música. E terceiro, mas de forma alguma menos importante, é que a resenha é extremamente elogiosa.

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O release, senhores

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 19, 2009

Pra quem não sabe, release é um texto curto e objetivo, que tem a função de informar a imprensa sobre novas pautas e produtos. E há a mais diversa gama de releases entupindo as caixas de entrada dos repórteres em geral. Desde aqueles falando do novo filme até os que detalham o mais novo lançamento da indústria automotiva.

Há, inclusive releases que vêm envoltos em kits de imprensa sedutores e sofisticados, com amostras grátis, brinquedos, pôsters e etc.

São extremamente importantes para a divulgação do que quer que seja, não só porque constituem-se no ponto de partida para o trabalho dos repórteres, como porque  às vezes são publicados na íntegra, como se fossem uma matéria jornalística.

Abaixo, reproduzo o release de Festa Infinita, elaborado pela assessoria de imprensa da Ediouro, e que me parece bem bacana.

Tomás Chiaverini desvenda o universo raver

em Festa Infinita –  O entorpecente mundo das raves

Longas festas, em lugares afastados, com muita música eletrônica e drogas sintéticas. Para muitos, essa pode ser a definição das festas raves, tão comuns hoje em dia, mas o jornalista Tomás Chiaverini mostra que o universo raver vai muito além, em Festa Infinita – O entorpecente mundo das raves.

Enquanto acompanha a história de pessoas que frequentam as raves, Tomás mostra como são essas festas. O uso de ecstasy, LSD e outras drogas, o transe através da música, a filosofia P.L.U.R. (Peace, Love, Union, Respect ), nada escapa ao olhar atento desse jornalista.

DJ famosos, organizadores de festas, bomba trancers, neo-hippies, pessoas que se penduram por piercings, e também jovens comuns, que estudam ou trabalham a semana toda para passar o final de semana pulando ao som do psytrance, todos são personagens desta história onde as mais diversas tribos se reúnem com o mesmo objetivo: deixar-se hipnotizar pelo tummm, tumm, tumm que vem de gigantescas caixas de som.

Tomás Chiaverini nunca havia ido a uma festa dessas, mas para poder descrever com clareza o que acontece nesse ambiente barulhento e colorido ele não apenas fequentou raves, como viajou, passou mais de 30 horas dentro de um ônibus, com cerca de 40 ravers para ir ao festival Trancendence, acampou por 10 dias no Universo Paralello – um dos maiores festivais do país – e até mesmo experimentou um ecstasy para compreender o efeito da droga associado a música eletrônica, tão apreciado por inúmeros jovens.

Depois de cerca de 1 ano de muita pesquisa este livro-reportagem chega às livrarias repleto de informações e fotos que demonstram como a realidade dessas festas vai muito além do consumo de drogas descrito nas matérias de jornais.

Festa Infinita – O entorpecente mundo das raves possibilita ao leitor um mergulho nesse mundo onde a música alta e eletrônica hipnotiza, e a festa parece nunca acabar.

Tomás Chiaverini é jornalista e autor do livro Cama de cimento – uma reportagem sobre o povo das ruas (Ediouro, 2007), onde retrata o cotidiano dos sem-teto na cidade de São Paulo. Como repórter, trabalhou na Folha de S.Paulo e teve matérias publicadas em importantes revistas e sites. Durante todo o ano de 2008, manteve o blog “Antes da Estante”, em que foi possível acompanhar os bastidores da elaboração de Festa Infinita.

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Degustação

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 16, 2009

Enquanto o Festa Infinita não chega às prateleiras, ofereço mais um aperitivo do texto. O trecho abaixo foi extraído do capítulo “De orgias e motosserras”, que conta a história do Fuck For Forest, um grupo que usa o sexo para preservar a natureza, e que conversou comigo algumas vezes, durante o Universo Paralello.

Seis dias antes do início do festival, uma funcionária da produção se aproxima de uma mesa de madeira tosca, enterrada na areia e sombreada pelos coqueiros que se espalham pelo acampamento-base. Usando um inglês abrasileirado ela se dirige a duas meninas e um rapaz que conversavam amolecidos pelo onipresente sol da Bahia:

– O Swarup pediu para que vocês não andem mais pelados na praia, além do local da festa – exclama num tom calmo e gentil. Depois para, pensa um pouco escolhendo as palavras, e continua: – E quanto ao sexo… Bom, eu vou ter que pedir que vocês não façam em público, a não ser na área da performance.

O norueguês Tommy Hol Ellingsen, 31, a encara por algum tempo, como se não fosse capaz de compreender o que ela estava dizendo. Depois levanta o rosto, já esculpido numa expressão de espanto e indignação, e indaga, num inglês impecavelmente europeu.

– Mas como assim?

Tommy tem cabelos loiros compridos e uma barba que acaba numa xuca, presa por um elástico na frente do queixo. Veste uma saia comprida de algodão marrom, uma regata bege, e vários colares de conchas e sementes. Complementando o visual pouco comum, usa um cinto de couro que exibe a imagem de Jesus e Maria numa fivela prateada, uma tatuagem na mão com a fórmula 2+2=5, e, cereja do bolo, uma flauta doce de madeira cor-de-rosa, atravessada na cintura qual uma espada de pirata.

Ainda com aquele inglês um pouco capenga e com toda a calma que o calor nordestino impõe, a produtora continua a argumentar. Explica que, mesmo que não queiram, eles de certa forma representam o festival para a população local. Depois conta que há dois anos, os moradores da região foram reclamar com o prefeito por conta da multiplicação de peitinhos livres de sutiã pela praia de Pratigi. O prefeito, cumprindo seu dever político democraticamente aferido, levou as queixas aos organizadores da festa. A partir de então, esforços  têm sido reunidos a fim de diminuir a nudez na praia.

– Mas – exclama Tommy preservando aquela expressão de indignação – e na festa?

– Ah, lá vocês podem ficar nus sem problema nenhum. Mas o sexo vai ter que ser só no espaço para adultos, porque tem muitas crianças na festa, e os pais podem se incomodar.

Tommy pensa mais um pouco, por um instante parece até compreender a situação, mas logo volta a se indignar:

– Mas por que isso? A população local não gosta de ver gente pelada?

– Não é isso. É que as pessoas aqui são muito pobres – explica a moça. – Eles não têm nem o que comer, como é que vão entender… O amor?

(…)

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Festa Infinita cai na rede

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 12, 2009

Pois então, caros leitores, regozijo-me ao informá-los que o Festa Infinita não está mais restrito às páginas do Antes da Estante e que, como um benéfico vírus cultural, vai se espalhando pelos meandros do hipertexto.

Abaixo coloco os links que remetem a notícias ou fóruns de discussão sobre o livro. Também aproveito para criar uma nova página, onde acompanharemos a escalada rumo ao Olimpo da fama.

Site Mushrootz

Fórum no site Baladaplanet

Site Plurall

Comunidade no Orkut

PS: o livro, que ainda não saiu das rotativas, já está à venda em pelo menos duas livrarias: Cultura e Saraiva.


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Senhores, brindemos às orelhas

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 9, 2009

Orelha, como todos sabem, além de importante componente do sistema auditivo de mamíferos em geral, é aquela parte dobrável da capa dos livros, que também serve como marcador. Ali, geralmente há textos com resumos elogiosos e algumas informações sobre o autor.

A orelha serve, basicamente, para convencer você, leitor, a levar o livro da gôndola da livraria para sua casa. Ou para intelectuais de butique tecerem comentários pseudo-inteligentes sobre obras que não leram.

Abaixo, seguindo nas notícias em primeira mão, seguem os textos que estarão nas orelhas de Festa Infinita.

Em “Festa Infinita”, o leitor é convidado a um mergulho no barulhento, colorido e entorpecente mundo das raves. Logo no primeiro capítulo, uma narrativa dinâmica e precisa descreve uma festa do começo ao fim, com toda a intensidade da música, com a efervescência das drogas sintéticas, e com garotos que se penduram pela pele em bizarras e angustiantes performances masoquistas.

A partir daí, o autor cria um amplo panorama desse movimento contracultural, que só no Brasil atrai cerca de 500 mil jovens por mês, para alguma das 1.400 festas, promovidas anualmente em sítios, praias desertas e clareiras no meio do cerrado. Raves que chegam a atrair 30 mil pessoas em “modernos rituais de êxtase coletivo”.

Para dar vida a este mundo sensorial, o repórter entrevistou inúmeros DJs, produtores e aficionados, criando uma trama de perfis que, por meio de casos curiosos, divertidos e até dramáticos, ilustram a história das raves no Brasil. Usando técnicas de imersão próprias do jornalismo literário, o autor conviveu intensamente com os personagens retratados, acompanhou DJs em assustadoras viagens noturnas, e mergulhou em noites de música ininterrupta.

Num ônibus, junto a 40 ravers, empreendeu uma surreal viagem de mais de 30 horas até o interior de Goiás, e passou uma semana acampado num dos maiores festivais de música eletrônica do país. No fim do ano, viajou a uma praia deserta no sul da Bahia onde, por quase um mês, acompanhou a montagem do Universo Paralello – festa que atrai dez mil ravers para mais de uma semana de sol, drogas e dança. Finalmente, para viver e retratar esse universo da forma mais intensa e realista possível arriscou-se a experimentar na própria pele os efeitos do ecstasy somados à música eletrônica.

O resultado desse processo de imersão é um texto fluido e instigante, que mexe com os sentidos, que evidencia o hedonismo descompromissado de parte da juventude atual, e que documenta uma faceta da história contemporânea completamente desconhecida para a maior parte da população.

Tomás Chiaverini é jornalista, autor do livro “Cama de Cimento – Uma reportagem sobre o povo das ruas” (Ediouro/2007), onde retrata o cotidiano dos sem-teto na cidade de São Paulo. Como repórter trabalhou na Folha de S.Paulo e teve matérias publicadas em importantes revistas e sites nacionais. Durante todo o ano de 2008, manteve o blog “Antes da Estante”, em que foi possível acompanhar os bastidores da elaboração de “Festa Infinita”. Até iniciar a apuração deste livro, nunca havia passado perto de uma rave.

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Lançamento

Posted in Extra by Tomás Chiaverini on março 6, 2009

Está marcado, confirmado e aprovado. O lançamento será  dia 4 de abril, um sábado, por volta das 16h. O estabelecimento que terá o prazer de receber tão importante evento será a Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho, em São Paulo.

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Senhores, em primeira mão, a capa!

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 5, 2009

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Um livro para o mundo

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 2, 2009

Não é pequeno o prazer que um autor sente ao ler comentários elogiosos sobre seu texto, ainda mais quando eles foram escritos por alguém como Ricardo Kotscho. O fato de tais cumprimentos estarem num prefácio, ou seja, num espaço naturalmente dedicado a elogios, não torna menor este prazer.

Mas quando li pela primeira vez as três páginas do prefácio de “Festa Inifinia”, fui acometido por um outro sentimento. Algo parecido com o que deve sentir uma mãe de meia idade que, sentada na varanda da frente, fuma um cigarro enquanto seu filho recém-formado vai embora de casa.

Kotscho não me conhece, nunca foi a uma rave e não creio que seja admirador de psytrance. Quando leu o livro, portanto, o fez com um grande distanciamento. E, para minha surpresa, sua visão do meu trabalho, pelo menos em certos pontos explicitados no prefácio, são às vezes muito diversas da minha própria.

E, ainda que sem o gabarito de Kotscho ou a tarefa de escrever um prefácio,  quantos outros leitores não haverão de ter opiniões das mais variadas sobre aquilo que eu disse? Quantas interpretações possíveis pode haver nas 300 páginas que tomaram todo meu tempo por mais de um ano? Impossível prever.

Mas esse talvez seja um dos grandes encantos do jornalismo literário. Por buscar proximidade com a arte, é muito mais subjetivo, amplo e aberto do que qualquer reportagem de revista, jornal ou o que seja.

Ao autor, só resta observar da varanda, enquanto o livro se afasta, e torcer para que ele encontre seu espaço nas prateleiras do mundo.

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Temos prefácio

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on fevereiro 26, 2009

Existem, creio eu, dois tipos básicos de prefácio. Um, geralmente está presente na obra de grandes autores consagrados, quase sempre mortos ou imortalizados. São textos escritos por especialistas que dissecam, explicam e contextualizam a obra que estão apresentando.

Evidente que no “Festa Inifinta”, cujo autor não é consagrado, imortalizado ou (eu hein) morto, teremos um prefácio do segundo tipo. Esses costumam ser escritos por autores reconhecidos que emprestam seu prestígio e o peso de seu nome a obras de escritores iniciantes.

No “Cama de Cimento”, meu primeiro livro, o prefácio foi escrito por Gilberto Dimenstein. Agora, novamente, tive a sorte de conseguir que um grande jornalista gastasse algum tempo lendo meus originais e escrevendo algumas linhas prefaciais. Na última sexta-feira, recebi um e-mail de meu editor, com três páginas de um elogioso texto escrito por ninguém menos do que Ricardo Kotscho.

Na ativa há mais de 40 anos, um tempo em que facilidades como celular e Internet não apareciam nem em filme de ficção científica, Kotscho passou pelas principais redações de São Paulo e ocupou cargos importantes no início do governo Lula. Suas aventuras jornalísticas estão divertidamente registradas no livro “Do Golpe ao Planalto” (Cia das Letras 2006), uma  espécie de autobiografia que recomendo para qualquer um que queira saber um pouco mais sobre este ofício ímpar que é a função de repórter.

O nobre colega também mantém o blog “Balaio do Kotscho”, que contém interessantes reflexões sobre as atualidades do Brasil e do mundo. Eu, de minha parte, deixo aqui registrados meus agradecimentos a Ricardo Kotscho. No próximo post, volto a falar sobre a experiência de ser prefaciado.

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Viu como se faz…

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on fevereiro 16, 2009

Depois que o texto original é entregue à editora, existem basicamente quatro etapas que devem ser realizadas antes que mais um livro fique pronto. Aqui, evidentemente, vou me ater aos mecanismos de produção da Ediouro, com os quais tenho contato.

Primeiro temos a questão da forma, que se divide basicamente em dois processos.

Antes de tudo, há a diagramação do miolo, ou seja, a determinação da fonte, do corpo, do espaço entrelinhas, do formato da página, da mancha do texto, do posicionamento dos títulos e etc. Esse processo, geralmente é feito por um designer gráfico e pode ser simples (há inclusive modelos prontos de projeto gráfico) ou complexos e sofisticados (vejamos catálogo da Cosac Naify).

No caso do Festa Infinita, o formato do miolo é bastante arrojado e diferente, com a macha do texto bem estreita dando elegância às páginas. Não há elementos gráficos dispensáveis (como título da obra e nome do autor em todas as páginas) o que torna o visual limpo e moderno.

Depois, também a cargo dos designers gráficos, temos a elaboração da capa. Essa é uma das tarefas mais desafiadores e ingratas, na minha opinião. A capa tem que, simultaneamente, resumir o tema do livro, ser bonita e atrair atenção nos pontos de venda. Esse último aspecto, entretanto, é o que mais pesa na decisão final, que não é tomada apenas pelo autor.

Eu posso dar palpites e escolho as versões que mais me agradam. Mas a palavra final sobre essas versões, é dada por um conselho, que reúne executivos da editora, livreiros, vendedores e poderosos enviados do departamento de marketing.

Como contei no post anterior, algumas versões de capa ainda estão no forno.

Quinta-feira, à lá professor Pasquale, falamos de preparação e revisão.

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Assado em fogo brando

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on fevereiro 13, 2009

Bem amigos do Antes da Estante!

Com o texto finalizado e entregue, estamos às voltas com a etapa de confecção do livro. Um processo lento. Ainda mais lento para o autor que participa à distância. Desde que entreguei o texto final alguém da Ediouro provavelmente esteve trabalhando no livro de alguma forma. Para mim, entretanto, tudo parece parado.

Então, de repente, as coisas dão saltos e vão se tornando concretas. Ontem, por exemplo, tivemos uma reunião para definir, de uma vez por todas, as fotos e suas respectivas legendas. Além disso, umas dez propostas de capa me foram apresentadas.

E que estranho escolher uma capa, algo que não foi feito por você, que foi feito por um designer que, apesar de competente e bem intencionado, provavelmente não teve tempo para ler nem mesmo um capítulo do livro. E essa capa, no fim, irá constituir-se na identidade primeira do trabalho.

Mas enfim, sentamos, eu e mais umas quatro pessoas, discutimos, palpitamos, conversamos e não decidimos nada. Mais modelos serão criados pela pobre designer.

Mesmo sem capa, contudo, o salto para a materialização ocorrido ontem foi grande. O projeto gráfico do miolo (fonte, diagramação, paginação, etc) está pronto, bonito e moderno. E mais! Sobre minha escrivaninha, aqui do lado do Mr. Black, repousa um calhamaço de exatas 281 páginas, do Festa Infinita.

Nesta última cópia, além da diagramação, já temos o texto “preparado”, esperando apenas pela revisão final.

No próximo post, explico melhor no que consistem essas etapas.

Obs: Posto hoje, sexta-feira 13, 28 anos depois de meu nascimento, apenas porque ontem, dia normal de atualização, estava sem internet em casa. O sofrível Speed, da criminosa Telefônica, não chega à minha residência. E sou obrigado a contratar os serviços de uma empresa de internet por rádio que consegue ser ainda pior. “First Mile”: guardem este nome para nunca contratarem.

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Degustação: vista de Ituberá

Posted in De Quinta, Jornalismo by Tomás Chiaverini on janeiro 8, 2009

Em meio a toda essa confusão de ciclistas, pedintes e carros estacionados de qualquer maneira atrapalhando o tráfego há uma construção do tamanho de um campo de futebol, com teto de zinco, que abriga o mercado municipal, onde é possível encontrar, expostos em bancas de madeira apodrecida, artigos como peixe e carne seca, miúdos de boi, temperos, legumes, roupas e frutas nativas.

Num dos extremos do mercado, atrás de um balcão de azulejos brancos, o açougueiro careca e barrigudo, vestindo uma camiseta branca respingada de sangue, faz o troco de um cliente para logo depois, com os mesmos dedos cobertos de sebo, voltar a desbastar nacos de gordura. Atrás dele, um homem de bermudas e regata, usando um boné preto e com um cigarro meio-apagado embaixo do bigode, se vale de uma faca curta e afiada para destrinchar todo um quarto de boi, que descansa com as costelas à mostra, pendurado num gancho de metal. Com precisão cirúrgica ele passa a faca por regiões precisas, onde as fibras esbranquiçadas que separam os músculos abrem espaço ao simples toque da lâmina, formando grandes peças de músculo e gordura. Ele vai jogando os toletes avermelhados sobre o balcão, e o outro, usando uma faca um pouco maior, continua a aparar porções de uma gordura amarela, que vão sendo lançadas no canto do balcão, formando um grande pudim abjeto. Em pouco mais de cinco minutos, todo aquele quarto de boi encontra-se separado em peças, e só o que restou foi o osso esbranquinçado da perna que, pendurado no gancho de metal, ainda arrisca um último coice involuntário.

Ao longo do dia, principalmente aos sábados, a operação se repete em vários outros boxes azulejados e o cheiro enjoativo de sangue toma conta do mercado. Cabeças degoladas de boi são descarnadas no chão, sobre pedaços de papelão empapados de sangue. Depois, quando tudo o que restou foi o esqueleto sorridente do bicho, elas são expostas no contra-piso de cimento, para alegria e deleite das moscas.

Ossos do ofício (?!)

Posted in De segunda, Jornalismo by Tomás Chiaverini on janeiro 5, 2009

Eis que se encerra a última etapa da apuração, junto com o Universo Paralello, o maior festival de cultura trance do país. A decisão de me hospedar numa pousada ao invés de ficar acampado em meio a dez mil ravers, permitiu que eu escrevesse bastante durante a festa, e o texto está relativamente avançado, já com 30 páginas no formato A4.

Mas antes de entrar nesses pormenores, não posso deixar de dividir com os leitores do Antes da Estante a história daquilo de mais estranho que já fiz na vida. E provavelmente que farei até morrer.

Fui o tradutor de um show de sexo explícito ambiental.

Depois de passar todo o festival fazendo propaganda de seu projeto, o pessoal do “Fuck for Forest” (que já foi apresentado aqui) finalmente estava pronto para sua performance ao vivo, na madrugada do dia 3.

Mas, como muita gente não fala inglês, eles resolveram arrumar alguém que traduzisse o texto de abertura, em que um dos integrantes apresenta o projeto e pede colaborações. Como eu havia entrevistado o grupo diversas vezes, sobrou para mim a bizarra tarefa.

À uma da manhã, o local demarcado para a performance abrigava uma verdadeira multidão ensandecida, curiosa e excitada. Num pequeno palco iluminado com luzes vermelhas, as meninas do grupo tiraram a roupa e a multidão veio abaixo, numa energia raivosa de gritos e assobios.

Vestindo uma camisola de voal preto com estampas floridas, o líder do grupo despejou pepinos, cenouras e bananas no palco, depois se apoderou de um microfone, e se abaixou atrás do palco. Tomando cuidado para não trombar com nenhuma intimidade alheia, me abaixei ao seu lado e, com outro microfone, fui traduzindo o manifesto pela liberação da sexualidade e pela proteção do ambiente.

Para minha sorte, ninguém estava muito interessado em palavras, e o texto foi bastante breve. Depois Tommy se enroscou em meio a três garotas estrangeiras, e dois rapazes brasileiros, agregados ao projeto.

A partir daí, graças a Dionísio, a tradução não se fez mais necessária.

O resto do show, caros leitores, poderá ser conferido no livro, que sai em pouco mais de dois meses. Mas só para mostrar como sou caridoso, prometo colocar, na quinta-feira, uma degustação do texto que vai tomando vida.

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Gastando a sola das havaianas

Posted in De segunda, Jornalismo by Tomás Chiaverini on dezembro 22, 2008

Escrevo este post direto da lan house Giga-net, no coração barulhento e abafado da cidade de Ituberá. E, como havia previsto no post anterior, a apuração não está saindo exatamente como o esperado.

A cidade de Ituberá encontra-se a 26 quilômetros da vila de Pratigi (onde estou hospedado), que está a cerca de três quilômetros do local onde a equipe de produção do Universo Paralello está acampada que, por sua vez, está a cerca de um quilômetro do local onde ocorrerá a festa.

Os meios de transportes são irregulares a ponto de o motorista do ônibus não saber informar os horários do dia seguinte. O jeito tem sido resolver com caronas e gastando a sola das sandálias havaianas.

E os contratempos vão além das dificuldades de transporte. Os organizadores do Universo Paralello, que haviam se mostrado extremamente abertos e dispostos a participar do projeto alguns meses atrás, encontram-se agora à beira de um ataque de nervos. Nesse ambiente tenso de produção, desnecessário dizer que a presença de um repórter se torna no mínimo indesejada.

Pra completar, vejam só, o paraíso baiano de sol e coqueiros amanheceu embaixo de chuva. E pelo jeito dessa garoa fina, parece que o clima vai continuar nojento por alguns dias.

Mas nem tudo são espinhos. Já colhi algumas histórias e cenas interessantes e, inclusive, tenho algumas páginas rascunhadas sobre três ativistas gringos do projeto Fuck for Forest, algo como Foder para a Floresta, num português claro.

O cerne do projeto é, basicamente, um site de pornografia com conteúdo pago e com recursos destinados à preservação da natureza. O divertido é que as fotos são deles mesmos (duas garotas e um rapaz), e de outras pessoas ao redor do mundo, que mandam suas performances sexuais em fotos e vídeos, como forma de contribuir com o projeto.

Além de manter o site, o trabalho dos três fundadores é, basicamente, recrutar pessoas que achem interessantes e que estejam dispostas a transar com eles, ser fotografados e ter as fotos expostas na internet.

Quem tiver curiosidade ou quiser participar, pode conferir aqui o site deles.

Adri, não se preocupe que eu, evidentemente, declinei do convite.

AAAaaarrrrrrrggg!

Posted in Jornalismo by Tomás Chiaverini on dezembro 16, 2008

Pois bem, eruditos leitores do Antes da Estante, podem espantar o cinza de suas vidas pois estamos de volta. Esses poucos dias em que seguimos afastados, certamente devem ter figurado como toda uma era geológica para os senhores. E digo que, para este que vos escreve, o tempo também tem custado a passar.

Primeiro porque, evidentemente, esse tempo afastado não foi algo assim como férias, visto que é comprovadamente impossível manter uma distância mental mínima desta obra em andamento. Segundo, porque essa impossibilidade de distanciamento vem trazendo um desagradável sentimento de saturação.

Não posso mais olhar para o texto que meus olhos se reviram para acabar se juntando, emburrados, num ponto indefinido entre meu nariz e a cansada tela de meu notebook, o já famoso Mr. Black.

Depois, porque não aguento mais me deparar com dreadlocks, psytrances, ecstasys, DJs, marombados dançando na lama, destinos paradisíacos, e garotas de saias indianas fazendo malabares ao nascer do sol.

Não quero mais saber, não quero mais ouvir histórias, não quero entrevistar mais ninguém, nem quero encontrar com aquele amigo que não vejo há alguns meses e ter de responder à encantadora pergunta: “e o livro, sai quando?”.

Cansei do mesmo assunto, cansei e quero esquecer a palavra “rave” para todo o sempre.

Ufa!

Desabafo desabafado e informo aos estimados leitores que na próxima sexta, dia 19, deixo São Paulo rumo a uma paradisíaca praia ao sul da Bahia, onde passarei 20 dias cobrindo o Universo Paralello, desde a montagem até o apagar das luzes. Vinte dias de dreadlocks, psytrances, ecstasys, DJs e etc.

Humpf!

Rave: um fenômeno, infinitas interpretações

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on novembro 20, 2008

Para quem tiver paciência para downloads, vale a pena assistir aos dois vídeos abaixo, pra ver como um mesmo fenômeno pode ser interpretado de formas radicalmente diversas.

No primeiro, temos uma entrevista com o veterano e arguto repórter Zuenir Ventura, no programa Jô Soares. Ele andou freqüentando raves para estabelecer uma comparação entre a juventude atual e a da sua geração, pelos idos da década de 1960/70. O resultado está no livro “1968 – o que fizemos de nós” (Planeta/2008).

Nos outros dois, temos uma reportagem sobre raves produzida e veiculada pelo Fantástico, que enfoca, com propriedade, o lado, digamos, menos divertido das festas.

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Ossos do ofício

Posted in De Quinta, Jornalismo by Tomás Chiaverini on novembro 6, 2008

Nessa fase final da apuração, ando concentrado em checar as informações do texto. A conduta é vital para o jornalismo sério, e há diversos meios de comunicação que mantém profissionais cuja única e exclusiva função é conferir os dados apurados pelo repórter.

Aliás, a Piauí deste mês publicou o perfil de Adam Sun, um desses checadores, colaborador da revista, falecido recentemente. Quem tiver curiosidade sobre o ofício pode acessar a matéria por aqui.

No caso de um livro-reportagem, geralmente essa checagem também é feita, mas o foco está mais nas questões gramaticais do que nas informações propriamente ditas. E quando as informações tornam-se por demais especializadas, fica ainda mais complicado comprovar sua acurácia (que linda palavra esta, me senti o próprio Mino Carta!).

Assim, procuro eu mesmo conferir ao máximo os dados do texto, de preferência confrontando fontes diversas. Erros sempre passam, mas nosso objetivo é torná-los raros ao extremo.

Nesse processo, o que vem me dando mais trabalho é a história da música eletrônica, seus gêneros, subgêneros e nomenclaturas. Há muita gente apaixonada pelo assunto, e “nativos” desse universo costumam fornecer informações de acordo com suas preferências musicais, o que acaba por embananar de vez a mente deste pobre repórter.

Pois na tentativa de dirimir as dúvidas remanescentes, marquei uma entrevista com o editor da revista DJ Mag, especializada em música eletrônica.

Piti Vieira me recebeu ontem, de bom grado, mas pareceu um pouco encafifado quando tirei meu bloquinho e comecei a desfiar uma série de cabulosas e cabeludas perguntas. Ele respondeu algumas, foi prestativo, consultou arquivos em seu laptop, e me indicou outros especialistas. Mas aquele estranhamento inicial continuou até o término da entrevista.

Só quando estava indo embora, Piti esclareceu a situação. Ele achava que eu tinha ido até ele para dar uma entrevista sobre o livro, não para entrevistá-lo. Essa nunca tinha me acontecido antes.

A boa notícia é que, além de me ajudar com algumas dúvidas, Piti deixou a porta aberta para uma possível matéria, por ocasião do lançamento.

Publique seu livro agora. Pergunte-me como. (Última Parte)

Posted in De segunda, Jornalismo by Tomás Chiaverini on novembro 3, 2008

Depois de muita insistência e de uma vasta coleção de respostas padrão negativas, finalmente uma editora havia se interessando em publicar Cama de Cimento (ver posts anteriores). Mas então, quando já era possível pensar em detalhes como capa e estratégias de venda, Quartim, o dono da editora Conex, me deu a perturbadora notícia de que a sociedade com o grupo Nobel estava sendo desfeita.

Ele mesmo não sabia fazer prognósticos precisos sobre seu futuro como editor. Todos os projetos iniciados estavam em suspenso até segunda ordem, Cama de Cimento incluso. Mais uma vez, não havia nada que apontasse para a possibilidade de publicação, a não ser o otimismo de Quartim, que, durante os meses em que fiquei a importuná-lo, não cansava de repetir.

– Calma rapaz…. As coisas acabam se ajeitando.

E, apesar da minha falta de calma, após uns quatro ou cinco meses de agonia, as coisas realmente começaram a se ajeitar. Quartim abandonou a marca Conex com o grupo Nobel e, depois de um longo período de incerteza, tornou-se um editor associado da Ediouro, um mega-grupo, dono de selos diversos (Nova Fronteira, Agir, Prestígio, etc.) e que disputa a liderança do mercado editorial brasileiro com o grupo Record.

A notícia era excelente. A simples possibilidade de ter o primeiro livro publicado por uma das maiores editoras do país, tirou o sono deste repórter por noites a fio. Mas ainda não era certeza. Para ser publicado pela Ediouro, qualquer livro tem de ser aprovado por um exigente conselho editorial, que, via de regra, rejeita a maior parte dos títulos.

Então, em uma tarde qualquer do mês de abril de 2007, atendi o meu ramal provisório na redação da Folha de S.Paulo, e do outro lado da linha ouvi a voz sempre calma e otimista de Mr. Q.

– Pode soltar os rojões, rapaz. Seu livro acaba de ser aprovado pelo conselho editorial.

Alguns meses mais tarde, lá estava eu, na refinada Livraria da Vila da alameda Lorena, autografando livros que eu mesmo havia escrito, e ainda sem acreditar em toda a montanha russa que havia me levado até lá.

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