Antes da Estante

Vista do topo

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on junho 29, 2009

Eis que aconteceu!

Com apenas 28 anos, dois livros publicados, alcancei a hora de ser resenhado pelo supra-sumo da imprensa mundial, quiçá universal. Está certo que foi uma simples notinha. Algumas linhas apenas. Mas não há como negar a importância incomparável da publicação.

Sim, meus caros, fomos muito além de Folha, Estado, New York Times, The New Yorker, fomos muito além…

Não, nada se compara a isso. Nada se compara ao prazer de, após uma longa e estafante jornada, constatarmos que, finalmente, conquistamos um espaço nas célebres páginas da G Magazine!

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Cama de Cimento na Transamérica

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on junho 21, 2009

Pois então, caros leitores, o pessoal da Transamérica gostou do nosso papo sobre o Festa Infinita, que aconteceu há algumas semanas, e pediu que eu voltasse. É hoje (segunda-feira), ao vivo, das 13h às 14h. Dessa vez falarei sobretudo do “Cama de Cimento”. E pra completar a sessão nostalgia, coloco abaixo um trechinho do livro, que foi publicado, vejam só como o tempo passa, em setembro de 2007.

Para quem passa de carro e com pressa, Raimundo parece se vestir com alguns trapos encardidos, roupas velhas, doadas, como a maioria dos “mendigos” da cidade. Um olhar mais cuidadoso, contudo, revela que na verdade suas roupas não têm nada de comuns. São feitas por ele mesmo de sacos de estopa e parecem a reprodução reciclada de uma túnica ou outro tipo de veste cerimonial. Nas costas, ele usa um manto de retalhos de plástico preto costurados com barbante, como escamas, sobre um pedaço maior de lona. Os cabelos grisalhos e espetados são protegidos por um chapéu alto confeccionado a partir de sacos de lixo que um dia foram azuis.

Totalmente concentrado, sem prestar atenção aos automóveis, escrevendo sentado com as costas impecavelmente eretas, um palmo de barba branca roçando o peito, não resta dúvida de que Raimundo é um poeta incompreendido ou um soberano destronado.

A avenida Pedroso de Moraes raramente está congestionada e é bem capaz que muitos motoristas que passam em alta velocidade em suas bolhas de metal nem percebam a presença de Raimundo. À noite, o poeta se recolhe sob uma montanha de lonas pretas ou cor-de-laranja, e ninguém que não o conheça pode imaginar que no meio daquele embrulho tosco, que mais parece um amontoado de lixo, esteja dormindo um homem “condicionado”.

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O editor solta o verbo

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on junho 15, 2009

O editor A. P. Quartim de Moraes é um dos homens que fazem as coisas acontecer no mundo dos livros. Aparentemente sente-se à vontade ao dar murros em pontas de faca arriscando-se a publicar autores ilustremente desconhecidos, como este que vos escreve.

Quartim foi o único editor brasileiro a olhar com carinho os originais do “Cama de Cimento” e teve a manha de brigar pela publicação do livro de tema espinhoso. Depois, mostrando toda a juventude de seus 67 anos, defendeu e aprovou o projeto “Festa Infinita” diante do conselho editorial da Ediouro. Pra quem tiver curiosidade, parte dessa saga já foi contada aqui, aqui e aqui.

E as braçadas contra a corrente vão além de publicar títulos que não sejam best-sellers garantidos. Vez ou outra, o editor solta o verbo, como fez na revista Mundo Literário e, mais recentemente, no Estadão.

Nesse último artigo, publicado sábado passado, Quartim elabora uma teoria no mínimo interessante para ir contra a máxima de que o público brasileiro não se interessa por literatura nacional:

“(…) A experiência profissional me habituou a ouvir, de livreiros e até mesmo de editores, a explicação, bem simplesinha, de que o desempenho do mercado demonstra que o leitor de livros brasileiro não tem grande apreço por conteúdos ficcionais nacionais; não se interessa, enfim, por histórias brasileiras. E seria apenas por essa razão que, na comparação com a nacional, a ficção estrangeira predomina nas listas de livros mais vendidos e – causa ou efeito? – nos catálogos editoriais e nas livrarias.

Se a programação das emissoras de televisão brasileiras seguisse o mesmo “critério”, o chamado horário nobre estaria hoje tomado por séries do tipo Lost, 24 Hours, Sex and the City and so on. Não é o que ocorre. A teledramaturgia brasileira, fundada maciçamente em conteúdos brasileiros, é absolutamente hegemônica em audiência e conquistou um padrão de qualidade que se impôs no mercado internacional. É hoje talvez o maior produto de exportação brasileiro no campo da criação artística e cultural. O know-how por ela conquistado tem reflexos evidentes não só na criação de subprodutos de grande refinamento artístico – muitas das chamadas minisséries -, como até mesmo na recente produção cinematográfica nacional. Trata-se, é claro, de uma criação artística destinada ao consumo de massa, com tudo o que isso possa significar em termos de frustração da expectativa de maior sofisticação intelectual. Expectativa que, de resto, não chega a ser uma característica marcante do mercado livreiro. Mas o fato é que as novelas de televisão fazem sucesso em todos os estratos sociais. Até os leitores de bons livros as acompanham. Trata-se, inegavelmente, de um importante fenômeno cultural. E, claro, de um negócio extremamente lucrativo. (…)”

Narayhana, raves e rodeios

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on junho 8, 2009

Neste sábado atendi a uma estudante de jornalismo que, por conta do Festa Infinita, escolheu me entrevistar para um trabalho da faculdade. Aparentemente seguindo a escola dos bons repórteres, Narayhana, 19, fez questão de se encontrar comigo pessoalmente e se descambou de Itapevi para a Lapa. Ossos do ofício.

Eis que no final da entrevista a garota de nome complicado, uma raver convicta, me fez uma pergunta recorrente. “A imprensa não trata as raves de forma preconceituosa, tocando no assunto só quando algo errado acontece?”

Eu respondi o que sempre respondo. Que não. Que a imprensa vive de má notícia e ponto. É a vida. Não há perseguição às raves. Duvido que Folha, Estado, Veja ou Globo estejam, de alguma forma, interessadas em conter esse “movimento contracultural”.

Mas, por falar em má notícia, a pergunta de Narayhana, me fez lembrar de um assunto que eu queria ter comentado por aqui e acabei esquecendo. Algumas semanas atrás, um rodeio em Jaguariúna (interior de SP) causou comoção nacional depois que quatro pessoas morreram e dezenas ficaram feridas numa mega pancadaria.

E o que isso tem a ver com raves?

Tem a ver que Jaguariúna, cidadezinha orgulhosa de seus rodeios, é uma das poucas a proibirem terminantemente a realização de raves.

Dá o que pensar, não?

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Como os livros são vendidos?

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on junho 1, 2009

Essa é uma pergunta que me acompanha desde que lancei o Cama de Cimento, nos idos de 2007, época distante, em que eu seria incapaz de postar este texto num blog sem ajuda de um especialista.

Esmiuçando a pergunta: o que faz com que alguém entre numa livraria e resolva comprar o livro de um autor completamente desconhecido?

E antes que você debande achando que esta é mais uma daquelas listas de perguntas não respondidas, já me adianto e digo que se acalme, caro leitor, pois, sim, eu tenho uma resposta. Uma resposta parcial. Meia resposta, talvez.

O tempo urge, o mundo roda, Lugo copula e Kim Jong-il ameaça pôr um fim em tudo isso. Mas, novamente, peço calma. Aceitando a hipótese de que você, leitor, seja parte da população economicamente ativa, ouso dizer que alguns instantes a mais, gastos neste texto cheio de malabarismos de baixa qualidade literária, não trarão grandes prejuízos para o PIB deste nosso impávido colosso.

Pois bem, um passo atrás para tentar responder a pergunta. Ou a metade da pergunta. Três quartos, diria eu. E apesar de minha matemática falha, proponho uma divisão. Não da pergunta ainda, mas dos livros.  Livros de ficção pra um lado e livros de não-ficção para o outro. Todos acompanhando? Não? Pois bem. Vamos à não-ficção.

Esses, num primeiro momento, são mais fáceis de se vender. Pelo simples motivo de que, geralmente, há uma parcela da população que tem  interesse específico pelo assunto retratado. Tomemos o exemplo deste que vos escreve.

No caso do meu primeiro livro, Cama de Cimento, calculo que haja algo como 13,7 sociólogos que se interessem pelo tema retratado, a população de rua (que a maioria dos mortais quer mais é esquecer). No caso do segundo, Festa Infinita, há centenas de milhares de ravers que podem ser vistos como potenciais interessados.

Aí temos, portanto, metade da pergunta respondida. Os interessados entram na livraria, se deparam com seu assunto predileto e se arriscam a comprar.

Agora vamos ao outro um quarto. Que não é um quarto de verdade, porque agora podemos juntar tudo novamente. Ficção e não-ficção. A coisa está ficando um pouco confusa, mas não importa. A essas alturas acho que não há mais ninguém me acompanhando. Textos para a internet têm de ser curtos e objetivos, não longos e confusos como este.

Mas, agora não há remédio. Vamos até o final. Juntamos tudo. Porque, por mais ravers que haja no Brasil, acho pouco provável que eles compareçam em massa às livrarias e façam o livro se tornar um sucesso de vendas. Para isso, é necessário que o livro rompa a barreira de seu circulo de aficionados. É preciso que atraia leitores que se interessem apenas pela leitura, como no caso dos livros de ficção. É isso. É preciso atrair pessoas que gostem de ler. Ponto. Aí voltamos ao um quarto da pergunta, ou da resposta, mas que, na verdade, não é um quarto, porque juntamos tudo. Santos contorcionismos mentais, Batman!

Mas, enfim, há alguns seres estranhos que realmente entram na livraria e compram um livro de um autor desconhecido. Seja ele de ficção ou de não-ficção. Essa é a parte que vai ficar sem resposta.

A outra forma de se vender livros é através daquilo que os marqueteiros chamam de mídia espontânea. Matérias sobre o livro. Exemplo disso é o estrondoso sucesso de Chico Buarque no mundo das letras. Não que ele não o mereça, nem tenha talento para isso. Mas, num primeiro momento, seus livros vendem porque ele é o Chico. E o simples fato do Chico lançar um livro é notícia.

Nós, que não somos o Chico, vamos nos espalhando em notas, entrevistas e resenhas. Nada de capa da Ilustrada, mas muitos textos bacanas. Desde o lançamento, toda semana sai alguma novidade sobre o livro. Algumas, bem bestas. Outras pra encher a gente de orgulho, como esta, escrita por Luiz Felipe Carneiro, jornalista carioca especializado em música.

Ufa, esse foi difícil! Alguém teve a manha de chegar ao final junto comigo?

Das coisas que o homem busca

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on maio 25, 2009

O WordPress, provedor que mantém este blog no ar, tem uma divertida ferramenta, que está presente na maioria dos softwares semelhantes. O administrador do site, no caso eu, tem o poder de saber várias coisas sobre as pessoas que chegam a este espaço virtual.

Não conheço nunca a identidade dos internautas, mas sei até o numero de IP (espécie de RG dos computadores) das pessoas que postam comentário. Mas não é preciso postar para me oferecer informações saborosas.

Sei, por exemplo, se as pessoas chegaram no Antes da Estante clicando num link, postado em outra página da web. Também sei em que páginas, artigos ou links do meu blog as pessoas clicaram. Mas o mais divertido, caros internautas, é que tenho acesso às frases ou palavras que as pessoas digitaram nos programas de busca antes de chegar aqui.

As palavras campeãs, são as mais óbvias: “rave” (com 708 buscas), “antes da estante” (423), “tomás chiaverini” nas suas mais diversas grafias (aproximadamente 200) e assim por diante.

Mas no meio dessa imensa lista, há algumas frases e palavras que chamam atenção pelo inusitado. “Banha de peixe elétrico”, devido a uma menção no primeiro capítulo do “Cama de Cimento” é um dos hits do site. Difícil passar um mês que alguém não chegue por aqui buscando o bálsamo milagroso (agora, certamente o número vai aumentar.

Mas a campeã do non-sense, que não faço ideia de como nem por que veio parar aqui foi: “coceira – pintas pretas no clitóris”. Uma pérola internética, não?

Festa Infinita na Transamérica

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on maio 18, 2009

Hoje à tarde a compentente assessoria de imprensa da Ediouro me ligou devido a um convite da rádio Transamérica, para que eu participasse do programa Transalouca. Não lembrei de cara do programa, mas, evidentemente, confirmei minha presença.

Depois fui lembrar de um tempo remoto, quando eu fazia faculdade, o rádio do meu carro ainda funcionava e eu costumava ouvir esse programa de vez em quando. Uma mistura de jornalismo com piadas malucas e toda aquela algazarra barulhenta da Transamérica.

Tudo isso pra dizer que, quem quiser se divertir às custas deste relativamente tímido repórter, num programa que certamente não recompensa timidez, que ajuste o dial no 100,1 (para São Paulo). O programa, ao vivo, será amanhã, das 13h às 14h.

Pelo menos é rádio e ninguém vai ver o suor porejando na minha testa. Ficarão apenas com as gaguejadas.

Desejem-me sorte.

O que o livro “Festa Infinita – o entorpecente mundo das raves” não é?

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on maio 4, 2009

Semana passada, recebi uma proposta um tanto inusitada do site Factóide. Pediram que eu fizesse uma pergunta para que eu mesmo respondesse. Achei bem bacana a idéia, e depois de fundir a cuca pra descolar algo que, assim como a proposta, fugisse da normalidade, me sai com esse texto que reproduzo abaixo.

Eu perguntei: o que o livro “Festa Infinita – o entorpecente mundo das raves” não é?

E eu respondi: “Festa Infninta” não é um livro moralista, não é um livro de denúncia, não se enquadra no jornalismo policial, não é sensacionalista, apesar de ser um tanto sensorial. Não é jornalismo marrom, e sim multicolorido. Não é antiético, apesar de olhar pelas fechaduras alheias. Não é uma obra que faça juízos de valor, que espalhe preconceitos ou que exponha personalidades ao ridículo. Não é um livro sobre drogas, apesar de se aprofundar no assunto. Apesar de se aprofundar até um pouco demais, na opinião de alguns.

“Festa Infinita” não  é um relato apaixonado, apesar de ter um bocado de paixão na escrita. Não é parcial, apesar de se desapegar à imparcialidade. Não é a bíblia do mundo trace. Não é o livro de cabeceira dos ravers. Não é um manual para ravers iniciantes, nem um alerta para pais preocupados. Não é apologético nem reacionário. Não é careta. Não é simples nem simplista. Não é voltado para um público alvo específico.

“Festa Infinita não é quadrado, nem retangular, nem plano. Elíptico talvez. Não é uma tentativa de ganhar dinheiro a qualquer custo. Não é uma jogada de marketing. Não é chato. Não é mal escrito. Não elabora teorias e cita pouquíssimas delas. Não é tacanho, obtuso, estreito ou careta. Não é o prefácio. Não é a orelha ou a quarta capa. Não é uma campanha publicitária, nem uma resenha de livraria. “Festa Infinita” não é ficção, apesar de ser literatura. Não é o que quem não leu anda falando.

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Festa Infinita: para o alto e além

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on abril 27, 2009

Um dos grandes desafios do “Festa Infinita”, na minha opinião, é conseguir ir além do mundo da música eletrônica. É ser valorizado como um livro que seja interessante e válido para os mais diversos públicos. Meu sonho, na verdade, é que ele seja lido por pessoas que nunca se interessaram por raves, mas que ouçam falar do livro e resolvam lê-lo apenas por conter boas histórias sobre o mundo real contemporâneo.

Por isso, fiquei triplamente feliz quando, na semana passada, encontrei esta resenha do livro no blog do Mauro Ferreira. O primeiro motivo da felicidade é que Mauro está além do mundo da música eletrônica. O segundo é que ele é um jornalista experiente e conceituado, já trabalhou em importantes jornais cariocas e seu blog é uma referência no mundo da música. E terceiro, mas de forma alguma menos importante, é que a resenha é extremamente elogiosa.

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Por que a verdade incomoda?

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on abril 13, 2009

Na última sexta-feira, em pleno feriado de Páscoa, com o porta-malas do meu moribundo Corsinha recheado de exemplares do “Festa Infinita”, me aventurei por estradinhas sinuosas, me perdi um bocado, mas finalmente cheguei ao local onde estava começando mais uma edição da rave Respect. Perto de Suzano, no interior de São Paulo.

Eu havia sido gentilmente convidado pelos organizadores da festa (que também tem ajudado muito na divulgação do livro) para fazer uma espécie de noite de autógrafos. Fiquei por lá até uma 5h30 da manhã. Foi a primeira vez que pisei numa rave após a publicação do livro e, tenho de admitir, não foi das experiências mais agradáveis.

A parte de conversar sobre o livro com desconhecidos até que foi divertida. Vendi uma meia dúzia de exemplares, fiz propaganda, dedicatórias, etc. Mas o que me incomodou foi ser olhado por certos personagens como se eu os houvesse traído ou coisa assim.

E aqui, não custa esclarecer. O “Festa Infinita” não é um livro de denúncia. Não pretende julgar ninguém, condenar ninguém, reforçar estereótipos ou perpetuar preconceitos. Pretende apenas retratar, a partir de ângulos diversos, esse grande universo em que se desenrolam as raves.

Dito isso, voltemos aos narizes torcidos. Pessoas que antes me saudavam efusivamente perguntando do livro, nessa noite fingiram não me conhecer. E outras, com quem eu vinha até criando relações de amizade, me cumprimentaram friamente.

E o motivo, meus caros leitores, é “a verdade”. Incrível, mas as pessoas realmente se surpreenderam porque escrevi “a verdade”. E me disseram isso com todas as letras: “pôxa, mas você abriu demais a vida das pessoas”, ou: “podia ter dado uma aliviada pra gente”, ou ainda: “cara, você falou que fulano de tal fuma maconha”.

Vejam, caros leitores, na apuração deste livro eu nunca me disfarcei para obter informações. Pelo contrário, sempre me apresentei como jornalista, disse que estava escrevendo um livro, informei o nome da editora e gravei as entrevistas sempre com consentimento do entrevistado. Agora, todos se surpreendem quando topam com a verdade.

Pessoas que me fizeram longos discursos em prol da liberdade, que me convidaram a partilhar baseados e insistiram veementemente diante das recusas, que condenaram a hipocrisia da sociedade e a manutenção da ilegalidade (que sustenta corruptos e criminosos) agora ficam assustadas quando trato o tema de forma franca e aberta.

Se as cinzas de Timothy Leary não houvessem sido lançadas no espaço, ele certamente estaria rolando no túmulo diante de incongruências como esta.

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E segue o galope

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 30, 2009

Pois não é que que sobrevivemos, com poucos gaguejos, à entrevista concedida ao vivo para MTV nesta bucólica tarde de março? Se alguém perdeu, ou se todos perderam, não há motivo para desespero. Haverá uma reprise no próximo sábado, dia do lançamento, às 13h.

Pra quem quiser um contato mais próximo com este que vos tecla, na quarta-feira, às 16h, participarei de um bate-papo no Uol. Seria legal encontrar os eruditos leitores do Antes da Estante por lá.

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Mudando de Assunto (Ufa!)

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 23, 2009

Ontem fui assistir Gran Torino, o mais recente filme de Clinton Eastwood Júnior, e saí do cinema ainda mais fã do velho cowboy. Resumindo, a história é o seguinte: Clint é um veterano de guerra, viúvo recente, amargurado, que vive sendo corroído por algum crime de guerra cometido numa juventude distante.

Pra piorar a vida deste americano patriota, reacionário e racista, o bairro onde ele vive reflete o seu próprio estado de decadência e vem sendo invadido por orientais. Mas eis que do meio de todo o ódio racista do personagem principal – que rende alguns momentos de elegante comicidade – começa a surgir uma amizade com um de seus jovens vizinhos orientais.

Então aparecem os caras maus. O apadrinhado de Clint passa a ser pressionado a fazer parte de uma gangue de olhos puxados, que não se furta a apelar para a violência a fim de convencer o bom moço a abandonar o bom mocismo.

Então o velho Clint aparece em toda a sua forma, com um cigarro num canto da boca e uma 45 na mão. E, nossa, que figura mais catártica e arquetípica é ess velho justiceiro com voz de alcatrão e rugas de faroeste. Seja parado numa barbearia, seja esmurrando a cara de um marginal, Clint é a própria encarnação envelhecida do american way of life.

Por alguns longos instantes, a platéia se regozija em cenas catárticas onde o velho durão aplica o remédio da farmacologia Bush, espalhando truculência e sopapos para resolver os problemas, como fazia quando encarnava policiais justiceiros ou cowboys vingadores.

Mas a platéia que está lá não foi ver “Dirty Harry” ou “Por um Punhado de Dólares”. E o diretor/ator que está lá, também já não é mais aquele americano simplório e maniqueísta. É o cara que dirigiu “Um Mundo Perfeito”, “Bird” e “Sobre Meninos e Lobos”.

Então, quando aquela catarse começa a dar a sensação que algo está errado, que Clint esqueceu os matizes da alma humana para voltar ao estilo vingador, eis que tudo se inverte. A violência só gera mais violência, as conseqüências são de mundo real, não de Hollywood.

No final, temos o oposto do faroeste, temos a não violência como única saída viável. E temos um diretor que mostra toda a maturidade de um septuagenário e que, na minha modesta opinião, é um dos maiores em atividade.

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Senhores, brindemos às orelhas

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 9, 2009

Orelha, como todos sabem, além de importante componente do sistema auditivo de mamíferos em geral, é aquela parte dobrável da capa dos livros, que também serve como marcador. Ali, geralmente há textos com resumos elogiosos e algumas informações sobre o autor.

A orelha serve, basicamente, para convencer você, leitor, a levar o livro da gôndola da livraria para sua casa. Ou para intelectuais de butique tecerem comentários pseudo-inteligentes sobre obras que não leram.

Abaixo, seguindo nas notícias em primeira mão, seguem os textos que estarão nas orelhas de Festa Infinita.

Em “Festa Infinita”, o leitor é convidado a um mergulho no barulhento, colorido e entorpecente mundo das raves. Logo no primeiro capítulo, uma narrativa dinâmica e precisa descreve uma festa do começo ao fim, com toda a intensidade da música, com a efervescência das drogas sintéticas, e com garotos que se penduram pela pele em bizarras e angustiantes performances masoquistas.

A partir daí, o autor cria um amplo panorama desse movimento contracultural, que só no Brasil atrai cerca de 500 mil jovens por mês, para alguma das 1.400 festas, promovidas anualmente em sítios, praias desertas e clareiras no meio do cerrado. Raves que chegam a atrair 30 mil pessoas em “modernos rituais de êxtase coletivo”.

Para dar vida a este mundo sensorial, o repórter entrevistou inúmeros DJs, produtores e aficionados, criando uma trama de perfis que, por meio de casos curiosos, divertidos e até dramáticos, ilustram a história das raves no Brasil. Usando técnicas de imersão próprias do jornalismo literário, o autor conviveu intensamente com os personagens retratados, acompanhou DJs em assustadoras viagens noturnas, e mergulhou em noites de música ininterrupta.

Num ônibus, junto a 40 ravers, empreendeu uma surreal viagem de mais de 30 horas até o interior de Goiás, e passou uma semana acampado num dos maiores festivais de música eletrônica do país. No fim do ano, viajou a uma praia deserta no sul da Bahia onde, por quase um mês, acompanhou a montagem do Universo Paralello – festa que atrai dez mil ravers para mais de uma semana de sol, drogas e dança. Finalmente, para viver e retratar esse universo da forma mais intensa e realista possível arriscou-se a experimentar na própria pele os efeitos do ecstasy somados à música eletrônica.

O resultado desse processo de imersão é um texto fluido e instigante, que mexe com os sentidos, que evidencia o hedonismo descompromissado de parte da juventude atual, e que documenta uma faceta da história contemporânea completamente desconhecida para a maior parte da população.

Tomás Chiaverini é jornalista, autor do livro “Cama de Cimento – Uma reportagem sobre o povo das ruas” (Ediouro/2007), onde retrata o cotidiano dos sem-teto na cidade de São Paulo. Como repórter trabalhou na Folha de S.Paulo e teve matérias publicadas em importantes revistas e sites nacionais. Durante todo o ano de 2008, manteve o blog “Antes da Estante”, em que foi possível acompanhar os bastidores da elaboração de “Festa Infinita”. Até iniciar a apuração deste livro, nunca havia passado perto de uma rave.

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Um livro para o mundo

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 2, 2009

Não é pequeno o prazer que um autor sente ao ler comentários elogiosos sobre seu texto, ainda mais quando eles foram escritos por alguém como Ricardo Kotscho. O fato de tais cumprimentos estarem num prefácio, ou seja, num espaço naturalmente dedicado a elogios, não torna menor este prazer.

Mas quando li pela primeira vez as três páginas do prefácio de “Festa Inifinia”, fui acometido por um outro sentimento. Algo parecido com o que deve sentir uma mãe de meia idade que, sentada na varanda da frente, fuma um cigarro enquanto seu filho recém-formado vai embora de casa.

Kotscho não me conhece, nunca foi a uma rave e não creio que seja admirador de psytrance. Quando leu o livro, portanto, o fez com um grande distanciamento. E, para minha surpresa, sua visão do meu trabalho, pelo menos em certos pontos explicitados no prefácio, são às vezes muito diversas da minha própria.

E, ainda que sem o gabarito de Kotscho ou a tarefa de escrever um prefácio,  quantos outros leitores não haverão de ter opiniões das mais variadas sobre aquilo que eu disse? Quantas interpretações possíveis pode haver nas 300 páginas que tomaram todo meu tempo por mais de um ano? Impossível prever.

Mas esse talvez seja um dos grandes encantos do jornalismo literário. Por buscar proximidade com a arte, é muito mais subjetivo, amplo e aberto do que qualquer reportagem de revista, jornal ou o que seja.

Ao autor, só resta observar da varanda, enquanto o livro se afasta, e torcer para que ele encontre seu espaço nas prateleiras do mundo.

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Viu como se faz…

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on fevereiro 16, 2009

Depois que o texto original é entregue à editora, existem basicamente quatro etapas que devem ser realizadas antes que mais um livro fique pronto. Aqui, evidentemente, vou me ater aos mecanismos de produção da Ediouro, com os quais tenho contato.

Primeiro temos a questão da forma, que se divide basicamente em dois processos.

Antes de tudo, há a diagramação do miolo, ou seja, a determinação da fonte, do corpo, do espaço entrelinhas, do formato da página, da mancha do texto, do posicionamento dos títulos e etc. Esse processo, geralmente é feito por um designer gráfico e pode ser simples (há inclusive modelos prontos de projeto gráfico) ou complexos e sofisticados (vejamos catálogo da Cosac Naify).

No caso do Festa Infinita, o formato do miolo é bastante arrojado e diferente, com a macha do texto bem estreita dando elegância às páginas. Não há elementos gráficos dispensáveis (como título da obra e nome do autor em todas as páginas) o que torna o visual limpo e moderno.

Depois, também a cargo dos designers gráficos, temos a elaboração da capa. Essa é uma das tarefas mais desafiadores e ingratas, na minha opinião. A capa tem que, simultaneamente, resumir o tema do livro, ser bonita e atrair atenção nos pontos de venda. Esse último aspecto, entretanto, é o que mais pesa na decisão final, que não é tomada apenas pelo autor.

Eu posso dar palpites e escolho as versões que mais me agradam. Mas a palavra final sobre essas versões, é dada por um conselho, que reúne executivos da editora, livreiros, vendedores e poderosos enviados do departamento de marketing.

Como contei no post anterior, algumas versões de capa ainda estão no forno.

Quinta-feira, à lá professor Pasquale, falamos de preparação e revisão.

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Universo Paralello

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on fevereiro 9, 2009

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A pista principal, em foto de Murilo Ganesh, que estará  no livro Festa Infinita

A camorra e o marketing editorial

Posted in De segunda, Jornalismo by Tomás Chiaverini on fevereiro 2, 2009

gomorra1Acabei agora a pouco de ler o livro Gomorra, do jornalista Roberto Saviano. E antes mesmo de terminar as últimas linhas já comecei a me sentir ligeiramente tapeado. Caí numa armadilha mercadológica.

Para quem não sabe, o livro é uma reportagem investigativa sobre a máfia napolitana, tornou-se um fenômeno de vendas na Itália, depois best-seller mundial. O fato de ter sido adaptado para o cinema num filme homônimo, provavelmente ajudou a superar a marca de 2 milhões de livros vendidos ao redor do planeta.

Porém, o que mais me atraiu na obra, exposta com destaque em tudo que é livraria, foi a chamada de capa: “A história real de um jornalista infiltrado na violenta máfia napolitana”. Isso não deveria ser parâmetro, eu sei, mas não pude resistir.

Já li histórias do alemão Günter Wallraff, que se disfarçou de turco e trabalhou como um imigrante, para escrever o livro “Cabeça de Turco”; acompanhei o consagrado Gay Talese em suas aventuras por casas de suingue e massagens eróticas, na elaboração de “A mulher do próximo”; e devorei os relatos de George Orwell vivendo como mendigo em “Na pior em Paris e em Londres”.

Como leitor, sempre achei fascinante repórteres que têm a disposição de realmente mergulhar no objeto de estudo. E como jornalista, cheguei a utilizar a técnica na apuração do “Cama de Cimento”: entre outros desatinos, me disfarcei de desabrigado e fui recolhido a um albergue municipal.

Assim, quando comprei Gomorra, achei que o autor tinha realmente se infiltrado na máfia, arrumado algum trabalho que lhe permitisse contar detalhes saborosos a partir de uma perspectiva privilegiada. Convenhamos, as palavras “infiltrar” e “máfia” juntas, parecem prometer algo explosivo.

Para minha surpresa, contudo, a narrativa não deixa claro como, quando ou onde o jornalista se infiltrou, sendo que nos livros que utilizam a técnica, essa costuma ser a parte mais instigante.

Pelo que entendi, Saviano trabalhou numa indústria têxtil que se constituía num braço da máfia. Ou seja, é como se eu passasse algum tempo trabalhando numa escola de samba carioca suspeita de receber dinheiro de drogas, e dissesse que me infiltrei no tráfico.

Além disso, o autor de “Gomorra”, que foi ameaçado de morte e está sob proteção do governo italiano, nasceu numa das cidades sedes da organização criminosa em questão, a camorra.

A maior parte das informações que ele trás foram colhidas no curso de uma vida, e também em incursões jornalísticas tradicionais (acompanhar investigações policiais, por exemplo). Voltando à comparação anterior: ter nascido no morro do Vidigal, não é a mesma coisa do que se infiltrar nas organizações criminosas que atuam por ali.

Portanto, achei um tremendo exagero vender o livro como o trabalho de um jornalista infiltrado. Vale dizer que essa chamada certamente não foi uma opção do repórter, portanto volto minha decepção literária à editora, que adotou essa postura marqueteira e oportunista.

Mas meu descontentamento com o livro foi além, e chegou ao cerne da obra, ao conteúdo do texto. Há, sim, algumas informações extremamente interessantes, como a simbiose entre a máfia e as marcas de roupa mais elegantes do planeta. Mas para ter acesso a essas histórias, somos obrigados a encarar um emaranhado de nomes, dados, e números que, para quem vive essa guerra civil no dia-a-dia deve ser relativamente interessante, mas para nós, brasileiros, não têm lá muita relevância.

Pra completar, identifiquei um erro feio, uma escorregadela brava, que provavelmente não será notada por muitos outros leitores. Eu só percebi o problema porque, na apuração do “Festa Infinita” pesquisei muito o assunto do deslize: ecstasy.

Na página 130 da segunda edição nacional o autor faz a seguinte afirmação: “Cabe comentar que a MDMA, a anfetamina, foi patenteada pelo laboratório alemão Merck para ser administrada a soldados entrincheirados na Primeira Guerra.” Mais pra frente ele continua: “Depois foi usada também pelos americanos em operações de espionagem.”

O único fato correto em tudo isso, é que a MDMA, princípio ativo do ecstasy, foi elaborada pela Merck. O resto não passa de boataria. A anfetamina foi criada em 1912, antes do início da guerra, e patenteada em 1914, ano em que o conflito começou. A droga era um resíduo que sobrava na produção de um hemostático, medicamento para estancar hemorragias, e seus efeitos só foram descobertos muito mais tarde, na década de 1960.

Ou seja, o erro é feio, mesmo porque há diversos estudos científicos sérios que detalham a história da MDMA. E quando encontramos uma informação dessas, um boato transformado em verdade, todo o resto do texto perde um bom tanto de credibilidade.

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Reta final

Posted in De segunda, Jornalismo by Tomás Chiaverini on janeiro 12, 2009

Pois então, cá estamos nós, de volta à calorenta, fedorenta, modorrenta e amada cidade de São Paulo, depois de um longo e psicodélico mergulho no Universo Paralello. O texto está todo escrito, totalizando um orgulhoso calhamaço de 212 páginas A4, o equivalente a pouco mais de 300 páginas no formato de livro.

Agora os prazos urgem e começa a correria para conseguir publicar ainda no mês de março. Estou fazendo uma última leitura para as correções finais, e pretendo entregar a cópia definitiva entre o fim desta semana e o início da próxima.

As alterações são apenas detalhes: uma virgulhinha aqui, outra ali, mesmo porque, depois de tanto ler e reler, é impossível ter algum discernimento que permita efetuar grandes mudanças no texto. Numa leitura, determinada passagem pode parecer maravilhosa, e logo depois, figurar como a maior bosta já diagramada em Times New Roman.

De qualquer forma, quando passar às mãos da Ediouro, o texto ainda será submetido a uma revisão e será devolvido para mim, para que eu aprove ou rejeite as correções. Após este último OK, ainda é preciso encaixar tudo num projeto gráfico bacaninha, diagramar as fotos, escolher a melhor capa e só então, ufa!, encaminhar o livro para a gráfica.

Aí começa a outra etapa, de lançamentos, releases, entrevistas e o escambau.

Por enquanto, ainda estou quebrando a cabeça para escolher, vejam só, o título de nossa querida narrativa. Mais detalhes no post de quinta.

Ossos do ofício (?!)

Posted in De segunda, Jornalismo by Tomás Chiaverini on janeiro 5, 2009

Eis que se encerra a última etapa da apuração, junto com o Universo Paralello, o maior festival de cultura trance do país. A decisão de me hospedar numa pousada ao invés de ficar acampado em meio a dez mil ravers, permitiu que eu escrevesse bastante durante a festa, e o texto está relativamente avançado, já com 30 páginas no formato A4.

Mas antes de entrar nesses pormenores, não posso deixar de dividir com os leitores do Antes da Estante a história daquilo de mais estranho que já fiz na vida. E provavelmente que farei até morrer.

Fui o tradutor de um show de sexo explícito ambiental.

Depois de passar todo o festival fazendo propaganda de seu projeto, o pessoal do “Fuck for Forest” (que já foi apresentado aqui) finalmente estava pronto para sua performance ao vivo, na madrugada do dia 3.

Mas, como muita gente não fala inglês, eles resolveram arrumar alguém que traduzisse o texto de abertura, em que um dos integrantes apresenta o projeto e pede colaborações. Como eu havia entrevistado o grupo diversas vezes, sobrou para mim a bizarra tarefa.

À uma da manhã, o local demarcado para a performance abrigava uma verdadeira multidão ensandecida, curiosa e excitada. Num pequeno palco iluminado com luzes vermelhas, as meninas do grupo tiraram a roupa e a multidão veio abaixo, numa energia raivosa de gritos e assobios.

Vestindo uma camisola de voal preto com estampas floridas, o líder do grupo despejou pepinos, cenouras e bananas no palco, depois se apoderou de um microfone, e se abaixou atrás do palco. Tomando cuidado para não trombar com nenhuma intimidade alheia, me abaixei ao seu lado e, com outro microfone, fui traduzindo o manifesto pela liberação da sexualidade e pela proteção do ambiente.

Para minha sorte, ninguém estava muito interessado em palavras, e o texto foi bastante breve. Depois Tommy se enroscou em meio a três garotas estrangeiras, e dois rapazes brasileiros, agregados ao projeto.

A partir daí, graças a Dionísio, a tradução não se fez mais necessária.

O resto do show, caros leitores, poderá ser conferido no livro, que sai em pouco mais de dois meses. Mas só para mostrar como sou caridoso, prometo colocar, na quinta-feira, uma degustação do texto que vai tomando vida.

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Gastando a sola das havaianas

Posted in De segunda, Jornalismo by Tomás Chiaverini on dezembro 22, 2008

Escrevo este post direto da lan house Giga-net, no coração barulhento e abafado da cidade de Ituberá. E, como havia previsto no post anterior, a apuração não está saindo exatamente como o esperado.

A cidade de Ituberá encontra-se a 26 quilômetros da vila de Pratigi (onde estou hospedado), que está a cerca de três quilômetros do local onde a equipe de produção do Universo Paralello está acampada que, por sua vez, está a cerca de um quilômetro do local onde ocorrerá a festa.

Os meios de transportes são irregulares a ponto de o motorista do ônibus não saber informar os horários do dia seguinte. O jeito tem sido resolver com caronas e gastando a sola das sandálias havaianas.

E os contratempos vão além das dificuldades de transporte. Os organizadores do Universo Paralello, que haviam se mostrado extremamente abertos e dispostos a participar do projeto alguns meses atrás, encontram-se agora à beira de um ataque de nervos. Nesse ambiente tenso de produção, desnecessário dizer que a presença de um repórter se torna no mínimo indesejada.

Pra completar, vejam só, o paraíso baiano de sol e coqueiros amanheceu embaixo de chuva. E pelo jeito dessa garoa fina, parece que o clima vai continuar nojento por alguns dias.

Mas nem tudo são espinhos. Já colhi algumas histórias e cenas interessantes e, inclusive, tenho algumas páginas rascunhadas sobre três ativistas gringos do projeto Fuck for Forest, algo como Foder para a Floresta, num português claro.

O cerne do projeto é, basicamente, um site de pornografia com conteúdo pago e com recursos destinados à preservação da natureza. O divertido é que as fotos são deles mesmos (duas garotas e um rapaz), e de outras pessoas ao redor do mundo, que mandam suas performances sexuais em fotos e vídeos, como forma de contribuir com o projeto.

Além de manter o site, o trabalho dos três fundadores é, basicamente, recrutar pessoas que achem interessantes e que estejam dispostas a transar com eles, ser fotografados e ter as fotos expostas na internet.

Quem tiver curiosidade ou quiser participar, pode conferir aqui o site deles.

Adri, não se preocupe que eu, evidentemente, declinei do convite.

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