Antes da Estante

Há vida neste blog!

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on julho 30, 2009

Aaaarrrrgggghhhhh, estamos de volta!

Peço desculpas pelo longo tempo que estive distante, mas às vezes, ao contrário do que a amplidão da blogosfera sugere, simplesmente não temos nada de interessante a dizer. Isto posto, direi algo que é, na verdade, bem pouco interessante.

Trata-se de um aviso, àqueles que pretendem possuir a relíquia que logo se tornará a primeira edição de “Cama de Cimento – uma reportagem sobre o povo das ruas”. Dos cerca de 3 mil exemplares impressos, restam pouco mais de trezentos, nos estoques da Ediouro.

Há um bom tanto ainda espalhado pelas livrarias do país, mas na maioria das prateleiras, a quixotesca brochura já se tornou artigo raro. Corram, pois. Mas não se atropelem, por favor.

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Mijem na sopa!

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on julho 2, 2009

O culto ao materialismo em nossa sociedade chegou a níveis tão altos que, vez ou outra, vemos surgir fatos aberrantes, coisas estranhas mesmo, coisas tão bizarras que não poderiam figurar nem mesmo em um filme de Fellini, ou em um livro de García Márquez. E nós olhamos essas aberrações do mundo contemporâneo, pensamos “nossa, que coisa”, e logo esquecemos, porque em pouco tempo virá outro aborto da natureza.

Mas vamos aos fatos.

Os restaurantes mais caros de São Paulo, onde uma refeição pode facilmente ultrapassar o valor do salário mínimo, se uniram, esta semana, para impedir que as gorjetas, os 10% de serviço, sejam destinados a seus garçons. Repito. Querem impedir que a gorjeta vá para seu destino natural, o bolso de quem realmente trabalha.

Pretendem contratar uma empresa de lobby, para tentar barrar o projeto de lei que obriga restaurantes a destinarem corretamente a taxa de serviço.

É isso mesmo. O engomado Fasano, com seus ternos sob medida, o moderninho e midiático Alex Atala, com suas tatuagens e piercings de mamilo, e o altivo Jun Sakamoto, com toda a sua filosofia oriental até a hora do almoço, estão preocupados porque ficarão podres de rico mais devagar.

O argumento, não só deles, mas de outros empresários endinharados, é o de sempre. Vai haver quebradeira no setor. Imagino. Imagino Alex Atala pobre. O que iria substituir sua cara sorridente na capa dos suplementos gastronômicos?

Mas, enfim, minha sugestão aos garçons: mijem na sopa, meus caros. Levantem o salmão e escarrem no sushi. Se o cliente reclamar, digam que o Vichyssoise leva uma gotinha de aceto balsâmico, que o nigiri é temperado com um tipo especial de raiz forte. Raríssima.

Ah, quantas variações podemos aventar… Cozinhem cuecas sujas no caldo de peixe. Batam o baby beef com o salto das botas. Lavem as endívias no vaso sanitário. Piquem fios de pentelho e misturem à canela do café expresso. Ejaculem no crème brûlée. E o petit gâteau?… bem, deixo à cargo de vossas imaginações. E dito isso, vou almoçar.

Você compraria o livro de um amigo?

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on junho 24, 2009

Vamos lá, caros leitores, respondam rápido: vocês comprariam e leriam o livro escrito por um amigo?

A resposta positiva parece ser a mais óbvia. Aposto que a maioria de vocês pensou nela como a primeira hipótese. Claro que comprariam! Mas, descontando os amigos realmente próximos, a realidade, meus caros, se mostra ligeiramente diversa. É comum haver certo receio em comprar e ler livros de conhecidos.

E antes que os amigos leitores se sintam mal, já me adianto. Isso não é uma crítica nem muito menos um lamento. Entendo completamente o receio, e a explicação para isso me parece simples.

Existem milhares de livros excelentes, já consagrados por crítica e público. Quem lê muito, em uma vida será incapaz de ler tudo de notoriamente relevante que o homem já produziu. Não há, portanto, tempo a ser desperdiçado.

Por outro lado, dentre todos os infindáveis títulos publicados constantemente, são raríssimos aqueles que tenham qualidade notável, que sejam realmente bons. A mediocridade impera também na literatura, não é segredo nenhum.

Então, como… errr… escritor, às vezes tento me colocar na posição de um amigo ou conhecido. Usando olhos alheios, me miro como errr…. escritor. Quais são as chances daquele cara que estudou comigo, que não tem lá muita pose de intelectual, e com quem eu tomo umas cervejas de vez em quando, ter escrito algo pelo que realmente valha a pena perder tempo? Estatisticamente, diria que são nulas.

Assim, deixo o conselho aos colegas de profissão. A hora de fisgar os amigos é no lançamento. Porque quem não comprar o livro naquele momento, dificilmente o fará em outra ocasião.

Fim do diploma, ponto pro Supremo

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on junho 18, 2009

Não é mais necessário ter diploma de jornalismo para trabalhar na imprensa. Foi isso que o Supremo Tribunal Federal (a mais alta corte do país) determinou ontem, pondo fim a uma situação discretamente hipócrita.

Hipócrita porque qualquer um que já atuou nos grandes meios de comunicação sabe que a maioria dos veículos não dava lá muita bola pra exigência de diploma.

E com razão, porque as maiores qualidades de um jornalista ­– tais como amplo conhecimento geral, ética e capacidade de comunicação – não são aprendidas em sala de aula. Os cursos de jornalismo, via de regra, fazem um apanhando geral de matérias desconexas e jogam tudo isso sobre o aluno sem muito critério.

Na faculdade, vejam só, tive um semestre de uma matéria que se chamava “História Geral”. Quatro horas por semana durante quarto meses. E o ilustre docente, um jornalista, pretendia realmente que seus alunos aprendessem toda a história da humanidade nesse período.

Oras, se no exercício da profissão, surgisse a necessidade de aplicar conhecimentos de história, quem se sairia melhor? Um historiador que sabe escrever, ou um jornalista, que é infinitamente mais ignorante no assunto?

Há, sim, algumas técnicas de apuração e redação próprias do jornalismo que são relativamente esclarecidas nas universidades. Nada, contudo, que seis meses de estágio, ou um curso técnico não pudessem resolver com mais eficiência.

Além disso, essa história de exigir curso superior é extremamente conveniente para certas universidades de fundo de quintal que vendem diplomas a prestação. Tramitam, no Congresso Nacional, dezenas de projetos de lei para regulamentação profissional.

Nem todos propõem a exigência de curso universitário, mas todos tornam necessária alguma formação. Há, inclusive, casos bizarros, como os que propõem a regulamentação das ocupações de apicultores, capoeiristas, cabeleireiros, entre outros. Quem quiser saber mais pode acessar essa matéria (apenas assinantes) que escrevi para a Folha de S.Paulo há algum tempo.

Boicote ao dia dos namorados

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on junho 11, 2009

Boicote o dia dos namorados. Não vá àquele restaurante caro e metido que te atenderá mal como em nenhum outro dia do ano. Não passe horas rodando pelo estacionamento do shopping procurando uma vaga pra se muvucar na fila do cinema, ou pra comprar um presentinho que ela(e) não vai amar de paixão, apesar de dizer o contrário. E não, pelo amor de Deus, não, não e não. Não pense em pegar a rodovia Raposo Tavares e, não. Não gosto nem de cogitar a hipótese, mas é assim. Todo o dia dos namorados ocorre o mesmo fenômeno absurdo. Mas não. Não faça parte disso. Não entre no seu carro e não pegue a rodovia Raposo Tavares para fazer fila, isso mesmo, é isso que acontece, fila na porta do motel. Por favor, não. Se quiser comemorar, se quiser ir jantar fora, ir ao motel, ótimo. Mas escolha um outro dia. E vá com toda a calma do mundo. Aposto que será melhor.

Enfim, essa é minha opinião. Mas se você achar que não pode mesmo deixar este dia passar em branco, tudo bem. Aproveite o desconto do Submarino e dê um livro Festa Infinita para ele, ou para ela. É unissex.

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A tenda do Kassab

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on junho 4, 2009

Do ponto de vista dos dirigentes municipais, a população de rua é uma tremenda sarna pra se coçar. Um problema dos mais irritantes porque aparece, salta aos olhos das classes média e alta, não está relegado às periferias. Quer coisa mais deprimente do que sair de uma butique na Oscar Freire e quase tropeçar num sujeito sujo, fedido, e esfarrapado que dorme na calçada?

Além de aparecer, contudo, o “problema” da população de rua irrita também pela impossibilidade de ser solucionado definitivamente. Não existe, que eu saiba, cidade no mundo que não tenha de conviver com “mendigos”. E não há um assistente social em sã consciência que afirme ter uma saída viável.

Há os albergues, que acolhem essas pessoas, mas que também estão longe de ser completamente eficientes. No caso de São Paulo, por dois motivos básicos. Primeiro, não há vagas suficientes. Segundo, há regras. E este último fator é válido para qualquer lugar do mundo.

Após um tempo vivendo nas calçadas, em total desapego, numa miséria que é a condição de maior liberdade possível, são poucos os seres humanos que voltarão a se submeter às regras sociais. E vale dizer que, em certos albergues, essas regras são militarmente rígidas. A opção pela liberdade, portanto, é o principal argumento daqueles que se recusam a ser abrigados.

Por isso, achei positiva a medida da prefeitura paulistana, que resolveu instalar uma tenda de 100 metros quadrados no Parque Dom Pedro II, no centro da cidade, local de maior concentração da população de rua. O espaço ficará aberto 24 horas por dia. Os desabrigados poderão dormir por ali, e, mais importante, entrar e sair à vontade. A tenda ferecerá banheiro e assistentes sociais que, eventualmente, poderão encaminhar interessados a albergues. Não haverá restrição ao fumo, à bebidas alcoólicas e à presença de animais.

A medida, que será implementada dentro de duas semanas, é polêmica. Já está sendo apontada por alguns como paliativa. É implementada por uma gestão que não tem as condutas mais humanitárias neste setor e que, inclusive, tem fechado albergues no centro da cidade. Mas, em dias de temperaturas tão baixas, não há como negar o principal: a tenda pode efetivamente salvar uma porção de vidas.

A miséria alheia

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on maio 21, 2009

Sou fã de José Padilha. Apesar das críticas de que Tropa de Elite é uma apologia à brutalidade policial achei um filme excelente, corajoso e necessário. Li o livro (“Elite da Tropa”) e achei o filme melhor, coisa rara.

Escrevo sobre Padilha, por conta de duas coincidências. A primeira vem do fato de que ele está produzindo um filme sobre raves. O título provisório é “Paraísos Artificiais”, e ainda não há previsão de lançamento. Ao contrário do que muita gente que conhece o trabalho do diretor supõe, o longa não será um documentário (como “Ônibus 174”), nem baseado em fatos reais (como “Tropa de Elite”). Será uma história ficcional, sobre jovens que se envolvem com drogas. As raves estarão no pano de fundo.

A equipe por trás das câmeras também será diferente da do “Tropa”. Marcos Prado, que fazia a produção, será o diretor, invertendo papéis com Padilha. Foi Marcos Prado, inclusive, que me contou tudo isso. Ao vivo e em cores, vejam só, na pista de dança do Universo Paralello.

De sunga e com um chapelão de palha, fotografava ravers para ajudar a compor seus personagens. Colhia imagens, enquanto eu colhia informações e sensações.

A segunda coincidência (por falta de termo melhor?) é uma sensação de comprometimento com os personagens retratados. No caso de José Padilha e Marcos Prado, esse laço forçado pela profissão ocorreu no último filme da dupla, “Garapa”. É um documentário sobre famílias miseráveis que, em pleno século 21, passam fome. Se alimentam de uma mistura de água morna e açúcar, a tal da “garapa”.

Numa reportagem publicada ontem pela Folha de S.Paulo, Padilha fala da terrível impossibilidade de ajudar aquelas pessoas durante as filmagens. A produção não podia distribuir comida, senão a situação se tornaria artificialmente diversa da realidade, não haveria filme. Depois, com o documentário pronto, Padilha e Marcos Prado passaram a ajudar. Enviam dinheiro para as famílias retratadas.

Senti algo parecido quando apurava o livro “Cama de Cimento”, sobre a população de rua de São Paulo. Um sentimento de cumplicidade com a sociedade que perpetua aquela miséria, mas mais do que isso. Uma impressão de que eu estava explorando aquela gente. Ouvindo suas histórias, roubava a última coisa que lhes pertencia.

No final, como quem leu o livro sabe, tentei ajudar algumas pessoas isoladamente. Não adiantou a boa vontade. Mas continuei a me sentir comprometido com o povo das ruas. E antes que o livro fosse publicado, talvez para me livrar do sentimento de culpa, me comprometi a doar metade dos meus direitos autorais.

Assim, 25% dos royalties do “Cama de Cimento” são destinados à Associação Rede Rua, e 25% à Revista Ocas.

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Avante!

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on maio 14, 2009

Pois então, caros leitores do Antes da Estante, o atormentado, suado e despudorado texto do post anterior tem grandes chances de ser o início de uma nova etapa. É isso. Enquanto o Festa Infinita se afasta para o mundo, ofereço-lhes, em primeira mão, os três parágrafos que deverão abrir meu primeiro livro de ficção.

É um romance, já tem começo, meio e fim, e estende-se por pouco mais de 180 páginas. Escrevi o primeiro rascunho há cerca de quatro anos, e desde então venho trabalhando nele de forma intermitente.

Durante um ou dois meses, releio, reescrevo e lapido alguns trechos. Depois deixo descansando, para retomar o processo mais tarde. Esses períodos de trégua são importantes, pois permitem um maior distanciamento crítico do texto, e também dão tempo para que o autor amadureça, adquira novas referências na literatura e no mundo.

Agora, quando o burburinho entorno do Festa Infinita vai diminuindo, peguei novamente no texto que esteve parado por quase um ano. Tenho mudado muita coisa. E acho que estou saindo com a versão definitiva que, se tudo der certo, logo estará numa livraria perto de você.

Uma estranha moça chamada Miranda July

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on maio 7, 2009

Ah, as mulheres, suspirei eu ao terminar a última página de um fascinante livrinho chamado “É claro que você sabe do que estou falando”, escrito por Miranda July. Elas são tão poucas nesse mundo das letras, pensei comigo mesmo, mas quando se metem a escrever, nossa!, fazem a diferença.

Depois lembrei das últimas com as quais mantive certa intimidade (intimidade literária, deixemos claro). Clarice, evidentemente, Marguerite Duras, e até Charlotte Roche, aquela guria de gosto duvidoso, que escreveu o best-seller “Zonas Úmidas”. Com esta última, confesso que tive apenas um flerte rápido, num daqueles pufes da livraria Cultura do Conjunto Nacional.

São poucas mesmo, concluí. E voltei a pensar em Miranda, e no que realmente me fascinara no seus contos. Não consegui ir muito longe, porque, infelizmente, fui equipado apenas com um tosco, lógico e limitado cérebro masculino. Mas cheguei à vaga conclusão de que o fascínio vinha justamente desse olhar incrivelmente feminino. Um olhar tão feminino que chega a distorcer nosso embrutecido mundo masculino. E essa distorção vai criando uma aura de estranhamento que talvez seja a maior qualidade do livro.

Eu já havia tido contato com o trabalho da moça, no filme “Eu, você e todos nós”, escrito, dirigido e protagonizado por ela. O filme, estranhíssimo, também me fascinou na época, mas, enfim, é cinema, duas horas e pronto, vamos tomar um café, pensar em outra coisa.

Agora, reencontrar toda aquela estranheza durante alguns dias, é outra história. No fim, acabei pegando tanto gosto pela coisa, que corri até a prateleira da Dri e me muni de dois volumes de Lygia Fagundes Telles. Até agora estou satisfeito. Não é nada tão femininamente bizarro como Miranda, mas há algum estranhamento.

PS: a fim de não cobrir meus estimados leitores de tédio, me arriscarei a uma maior diversificação no assunto dos posts. Em breve é provável que tenhamos mais mudanças no Antes da Estante.

Festa Infinita na MTV

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on abril 30, 2009

Atendendo a pedidos, coloco abaixo o vídeo da entrevista sobre o Festa Infinita na MTV. O áudio está levemente prejudicado, a sincronia lembra o Fucker and Sucker, mas, no fim, o que importa é a comunicação. Ou não.

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Limbo

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on abril 9, 2009

Estamos no limbo, caros leitores. Pelos menos é assim que nos sentimos.

O livro está lançado, todo o mundo raver está comentando, o coquetel foi um sucesso e, como pude verificar ontem, exemplares encontram-se estrategicamente dispostos bem na entrada da livraria Cultura do Conjunto Nacional. (Ah que maravilha a visão do livro publicado, descansando ao lado do filho de alguém como Chico Buarque.)

Mas enfim, as coisas vão acontecendo lentamente. Sai uma notinha aqui, outra ali, uma entrevista na MTV (ótimo), e muitas matérias que apenas se repetem em dezenas de blogs (bom também).

Mas o que está realmente acontecendo? De verdade. As pessoas estão comprando? Estão lendo? Estão gostando? Falando para os amigos na mesa de bar? Vão colocar na lista de presentes para o próximo aniversariante?

Aaaaarrrrghhhhhh, não sei.

E pior, vou ficar sem saber durante um bom tempo, porque os números de vendagem demoram a ser compilados. E pior que não posso pegar a mochila e subir alguma montanha para um retiro espiritual. A todo o tempo surgem nova oportunidades de entrevista e não posso me dar ao luxo de estar ausente. Então resta controlar a ansiedade e esperar.

Para nosso conforto, às vezes temos boas notícias, como a primeira resenha crítica do livro, feita por um insider do universo raver no blog Factóide.

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É neste sábado!

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on abril 2, 2009

Incrível, fantástico, estupendo. Ele ficou pronto.

Apesar de todas as improbabilidades, deu tudo certo, e um segundo livro chega às prateleiras. Assim, convido tanto os que participaram desta odisséia desde o começo quantos os que só pegaram o finalzinho, a brindar comigo no lançamento do livro “Festa Infinita”.

Vai ser neste sábado, dia 4, na Livraria da Vila que fica na Fradique Coutinho, 915. Estarei lá à partir das 16h.

Àqueles que ainda estão traumatizados por conta do dilúvio que acometeu nossa metrópole durante o lançamento do “Cama de Cimento”, folgo em dizer que, de acordo com os boletins meteorológicos disponíveis, a tarde de sábado promete ser bela e ensolarada (5% de chance de chuva).

Tenho de alertar, contudo, para os eventuais problemas de tráfego no local do evento, já que as estreitas ruas da Vila Madalena dificilmente comportarão a horda de automóveis que fluirá rumo à livraria.

Mas a CET já me encaminhou o plano de reestruturação do tráfego elaborado para o evento. Também conversei com a Força Nacional de Segurança, que afastou qualquer possibilidade de ameaça terrorista, mesmo com a presença de tantas lideranças internacionais.

Por fim, àqueles que pretendem chegar ao local de helicóptero, alerto que pode haver problemas. Caso Obama confirme a presença, é provável que o espaço aéreo sobre a livraria fique fechado na maior parte da tarde.

Não reclamem. Seria muito pior se Bento XVI não tivesse desistido na última hora, depois de conferir certas fotos picantes que ilustram o livro…

Mas, enfim, brincadeiras à parte, apareçam todos, que a tarde promete ser divertida e agradável.

Até lá, fiquem com um grande abraço!

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A fama vem a galope

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 26, 2009

Eis que a fama vem a galope. Sério. Vem mesmo. Quem não acredita pode conferir aqui. O livro caiu nos teclados dos blogueiros e dos sites especializados em música eletrônica. Vem causando polêmica em fóruns de discussão. Em muitos fóruns de discussão.

Hoje darei entrevista para a rádio Band News, segunda participo de um programa da MTV. Ao vivo (eu hein!). No começo desta semana, a primeira página do Uol estampou uma chamada para a entrevista que dei ao Rraurl. Em menos de 12 horas, o post teve mais de 7 mil acessos.

Eu, de minha parte, estou achando tudo muito bom, tudo ótimo e divertido. Mas bem estranho também. Muito estranho. Estranho porque o livro só saiu da gráfica hoje. Ninguém leu. Ninguém nem deu uma folheada. Nem uma leiturinha diagonal. Nada.

Tanta falação é apenas por conta do tema polêmico. Mas a verdade é que ninguém sabe o que vai encontrar nas 304 páginas do Festa Infinita.

E se for ruim? E se o livro for uma bomba? Hein, senhores blogueiros? E se o autor for disléxico? Que dirão vocês? Que dirão se encontrarem um compêndio antropológico repleto de gnósticos termos eruditos?

E vocês, caros ravers, que me atacam acusando-me de sensacionalista, reacionário e superficial? E se o livro for o material mais interessante sobre o assunto já escrito? E se acabar por tornar-se “o livro de cabeceira dos ravers”, como postou algum blogueiro?

E vocês, caros ravers que me defendem? E se o livro for um nojo de careta, apelativo e reduzir este movimento que vocês tanto amam a um boletim de ocorrência lavrado pelo DENARC? Como vocês se justificarão para seus pares?

Mas, enfim, não adianta pedir calma. Não adianta pedir que leiam antes. Este livro que um dia foi tão meu, só meu, que esteve encerrado dentro da minha cabeça, agora nasce para o mundo e já traz consigo um sem número de rótulos, opiniões e preconceitos; já gera amores e desamores.

Pois que seja. Que falem do recém-nascido! Mas depois me façam um favor. Invadam as livrarias e esvaziem as prateleiras que sustentam o Festa Infinita. E não parem por aí. Leiam. Leiam com atenção, sem pular páginas. Mergulhem no texto. Entendam, decodifiquem meus caracteres e depois voltem a falar. Elogiem, xinguem, amem ou odeiem tudo de novo. Mas dessa vez com conhecimento de causa.

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O release, senhores

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 19, 2009

Pra quem não sabe, release é um texto curto e objetivo, que tem a função de informar a imprensa sobre novas pautas e produtos. E há a mais diversa gama de releases entupindo as caixas de entrada dos repórteres em geral. Desde aqueles falando do novo filme até os que detalham o mais novo lançamento da indústria automotiva.

Há, inclusive releases que vêm envoltos em kits de imprensa sedutores e sofisticados, com amostras grátis, brinquedos, pôsters e etc.

São extremamente importantes para a divulgação do que quer que seja, não só porque constituem-se no ponto de partida para o trabalho dos repórteres, como porque  às vezes são publicados na íntegra, como se fossem uma matéria jornalística.

Abaixo, reproduzo o release de Festa Infinita, elaborado pela assessoria de imprensa da Ediouro, e que me parece bem bacana.

Tomás Chiaverini desvenda o universo raver

em Festa Infinita –  O entorpecente mundo das raves

Longas festas, em lugares afastados, com muita música eletrônica e drogas sintéticas. Para muitos, essa pode ser a definição das festas raves, tão comuns hoje em dia, mas o jornalista Tomás Chiaverini mostra que o universo raver vai muito além, em Festa Infinita – O entorpecente mundo das raves.

Enquanto acompanha a história de pessoas que frequentam as raves, Tomás mostra como são essas festas. O uso de ecstasy, LSD e outras drogas, o transe através da música, a filosofia P.L.U.R. (Peace, Love, Union, Respect ), nada escapa ao olhar atento desse jornalista.

DJ famosos, organizadores de festas, bomba trancers, neo-hippies, pessoas que se penduram por piercings, e também jovens comuns, que estudam ou trabalham a semana toda para passar o final de semana pulando ao som do psytrance, todos são personagens desta história onde as mais diversas tribos se reúnem com o mesmo objetivo: deixar-se hipnotizar pelo tummm, tumm, tumm que vem de gigantescas caixas de som.

Tomás Chiaverini nunca havia ido a uma festa dessas, mas para poder descrever com clareza o que acontece nesse ambiente barulhento e colorido ele não apenas fequentou raves, como viajou, passou mais de 30 horas dentro de um ônibus, com cerca de 40 ravers para ir ao festival Trancendence, acampou por 10 dias no Universo Paralello – um dos maiores festivais do país – e até mesmo experimentou um ecstasy para compreender o efeito da droga associado a música eletrônica, tão apreciado por inúmeros jovens.

Depois de cerca de 1 ano de muita pesquisa este livro-reportagem chega às livrarias repleto de informações e fotos que demonstram como a realidade dessas festas vai muito além do consumo de drogas descrito nas matérias de jornais.

Festa Infinita – O entorpecente mundo das raves possibilita ao leitor um mergulho nesse mundo onde a música alta e eletrônica hipnotiza, e a festa parece nunca acabar.

Tomás Chiaverini é jornalista e autor do livro Cama de cimento – uma reportagem sobre o povo das ruas (Ediouro, 2007), onde retrata o cotidiano dos sem-teto na cidade de São Paulo. Como repórter, trabalhou na Folha de S.Paulo e teve matérias publicadas em importantes revistas e sites. Durante todo o ano de 2008, manteve o blog “Antes da Estante”, em que foi possível acompanhar os bastidores da elaboração de Festa Infinita.

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Degustação

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 16, 2009

Enquanto o Festa Infinita não chega às prateleiras, ofereço mais um aperitivo do texto. O trecho abaixo foi extraído do capítulo “De orgias e motosserras”, que conta a história do Fuck For Forest, um grupo que usa o sexo para preservar a natureza, e que conversou comigo algumas vezes, durante o Universo Paralello.

Seis dias antes do início do festival, uma funcionária da produção se aproxima de uma mesa de madeira tosca, enterrada na areia e sombreada pelos coqueiros que se espalham pelo acampamento-base. Usando um inglês abrasileirado ela se dirige a duas meninas e um rapaz que conversavam amolecidos pelo onipresente sol da Bahia:

– O Swarup pediu para que vocês não andem mais pelados na praia, além do local da festa – exclama num tom calmo e gentil. Depois para, pensa um pouco escolhendo as palavras, e continua: – E quanto ao sexo… Bom, eu vou ter que pedir que vocês não façam em público, a não ser na área da performance.

O norueguês Tommy Hol Ellingsen, 31, a encara por algum tempo, como se não fosse capaz de compreender o que ela estava dizendo. Depois levanta o rosto, já esculpido numa expressão de espanto e indignação, e indaga, num inglês impecavelmente europeu.

– Mas como assim?

Tommy tem cabelos loiros compridos e uma barba que acaba numa xuca, presa por um elástico na frente do queixo. Veste uma saia comprida de algodão marrom, uma regata bege, e vários colares de conchas e sementes. Complementando o visual pouco comum, usa um cinto de couro que exibe a imagem de Jesus e Maria numa fivela prateada, uma tatuagem na mão com a fórmula 2+2=5, e, cereja do bolo, uma flauta doce de madeira cor-de-rosa, atravessada na cintura qual uma espada de pirata.

Ainda com aquele inglês um pouco capenga e com toda a calma que o calor nordestino impõe, a produtora continua a argumentar. Explica que, mesmo que não queiram, eles de certa forma representam o festival para a população local. Depois conta que há dois anos, os moradores da região foram reclamar com o prefeito por conta da multiplicação de peitinhos livres de sutiã pela praia de Pratigi. O prefeito, cumprindo seu dever político democraticamente aferido, levou as queixas aos organizadores da festa. A partir de então, esforços  têm sido reunidos a fim de diminuir a nudez na praia.

– Mas – exclama Tommy preservando aquela expressão de indignação – e na festa?

– Ah, lá vocês podem ficar nus sem problema nenhum. Mas o sexo vai ter que ser só no espaço para adultos, porque tem muitas crianças na festa, e os pais podem se incomodar.

Tommy pensa mais um pouco, por um instante parece até compreender a situação, mas logo volta a se indignar:

– Mas por que isso? A população local não gosta de ver gente pelada?

– Não é isso. É que as pessoas aqui são muito pobres – explica a moça. – Eles não têm nem o que comer, como é que vão entender… O amor?

(…)

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Festa Infinita cai na rede

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 12, 2009

Pois então, caros leitores, regozijo-me ao informá-los que o Festa Infinita não está mais restrito às páginas do Antes da Estante e que, como um benéfico vírus cultural, vai se espalhando pelos meandros do hipertexto.

Abaixo coloco os links que remetem a notícias ou fóruns de discussão sobre o livro. Também aproveito para criar uma nova página, onde acompanharemos a escalada rumo ao Olimpo da fama.

Site Mushrootz

Fórum no site Baladaplanet

Site Plurall

Comunidade no Orkut

PS: o livro, que ainda não saiu das rotativas, já está à venda em pelo menos duas livrarias: Cultura e Saraiva.


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Senhores, em primeira mão, a capa!

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 5, 2009

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Temos prefácio

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on fevereiro 26, 2009

Existem, creio eu, dois tipos básicos de prefácio. Um, geralmente está presente na obra de grandes autores consagrados, quase sempre mortos ou imortalizados. São textos escritos por especialistas que dissecam, explicam e contextualizam a obra que estão apresentando.

Evidente que no “Festa Inifinta”, cujo autor não é consagrado, imortalizado ou (eu hein) morto, teremos um prefácio do segundo tipo. Esses costumam ser escritos por autores reconhecidos que emprestam seu prestígio e o peso de seu nome a obras de escritores iniciantes.

No “Cama de Cimento”, meu primeiro livro, o prefácio foi escrito por Gilberto Dimenstein. Agora, novamente, tive a sorte de conseguir que um grande jornalista gastasse algum tempo lendo meus originais e escrevendo algumas linhas prefaciais. Na última sexta-feira, recebi um e-mail de meu editor, com três páginas de um elogioso texto escrito por ninguém menos do que Ricardo Kotscho.

Na ativa há mais de 40 anos, um tempo em que facilidades como celular e Internet não apareciam nem em filme de ficção científica, Kotscho passou pelas principais redações de São Paulo e ocupou cargos importantes no início do governo Lula. Suas aventuras jornalísticas estão divertidamente registradas no livro “Do Golpe ao Planalto” (Cia das Letras 2006), uma  espécie de autobiografia que recomendo para qualquer um que queira saber um pouco mais sobre este ofício ímpar que é a função de repórter.

O nobre colega também mantém o blog “Balaio do Kotscho”, que contém interessantes reflexões sobre as atualidades do Brasil e do mundo. Eu, de minha parte, deixo aqui registrados meus agradecimentos a Ricardo Kotscho. No próximo post, volto a falar sobre a experiência de ser prefaciado.

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Viu como se faz… – parte II

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on fevereiro 19, 2009

Paralelamente aos trabalhos voltados à forma do livro, há os que dão a última lapidada no conteúdo. Aí, novamente há duas etapas distintas: a preparação e a revisão.

A primeira, talvez seja a parte mais penosa do processo editorial. O preparador lê o texto com lupa, faz correções gramaticais e – aí temos a parte mais insuportável ­­- padroniza o texto.

No caso do Festa Infinita, por exemplo. A palavra “rave”, um termo estrangeiro, é usado milhares de vezes. Por isso, sabiamente, o preparador optou por não grafá-lo em itálico. Já o termo “ravers”, ganhou apenas o “s” itálico, ficou “ravers”. Como esses há inúmeros detalhes, como números (por extenso ou não), abreviações (quilômetro ou km), gírias (com aspas ou itálico), enfim, um trabalho meticuloso e enfadonho.

Além disso, os bons preparadores, também fazem o trabalho de checador. Ao lerem o texto, buscam identificar possíveis erros e contradições que tenham escapado ao autor.

Mas os preparadores podem se tornar pessoas muito perigosas, e às vezes, sem entender exatamente a construção escolhida pelo autor, simplesmente invertem sentenças, cortam palavras e enfiam desagradáveis vírgulas e travessões em qualquer canto. Para ler mais sobre o assunto, vale uma espiada neste texto do Rubem Alves, na Folha de S.Paulo.

De qualquer forma, ciente destes detalhes desde a publicação de “Cama de Cimento”, fiz questão de ler o texto logo após a preparação. Mais uma vez, reli o maledeto. Perdi a conta de quantas vezes já reli esse mesmo texto. A vantagem disso, é que já sei tudo praticamente de coração, e se tiver uma vírgula fora do lugar, percebo logo de cara.

Mas enfim, li, fiz minhas correções e enviei o texto novamente para a editora. Agora só falta a última etapa que é a revisão. Essa é mais simples: uma última leitura, empreendida por um profissional altamente competente, que busca e destrói os últimos erros gramaticais, ortográficos e de digitação.

Depois, ai, ai, o texto é novamente enviado para este pobre autor, que, mais uma vez relê o calhamaço, agora já com as mãos dolorosamente atadas, sem a possibilidade de fazer qualquer alteração significativa.

Assado em fogo brando

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on fevereiro 13, 2009

Bem amigos do Antes da Estante!

Com o texto finalizado e entregue, estamos às voltas com a etapa de confecção do livro. Um processo lento. Ainda mais lento para o autor que participa à distância. Desde que entreguei o texto final alguém da Ediouro provavelmente esteve trabalhando no livro de alguma forma. Para mim, entretanto, tudo parece parado.

Então, de repente, as coisas dão saltos e vão se tornando concretas. Ontem, por exemplo, tivemos uma reunião para definir, de uma vez por todas, as fotos e suas respectivas legendas. Além disso, umas dez propostas de capa me foram apresentadas.

E que estranho escolher uma capa, algo que não foi feito por você, que foi feito por um designer que, apesar de competente e bem intencionado, provavelmente não teve tempo para ler nem mesmo um capítulo do livro. E essa capa, no fim, irá constituir-se na identidade primeira do trabalho.

Mas enfim, sentamos, eu e mais umas quatro pessoas, discutimos, palpitamos, conversamos e não decidimos nada. Mais modelos serão criados pela pobre designer.

Mesmo sem capa, contudo, o salto para a materialização ocorrido ontem foi grande. O projeto gráfico do miolo (fonte, diagramação, paginação, etc) está pronto, bonito e moderno. E mais! Sobre minha escrivaninha, aqui do lado do Mr. Black, repousa um calhamaço de exatas 281 páginas, do Festa Infinita.

Nesta última cópia, além da diagramação, já temos o texto “preparado”, esperando apenas pela revisão final.

No próximo post, explico melhor no que consistem essas etapas.

Obs: Posto hoje, sexta-feira 13, 28 anos depois de meu nascimento, apenas porque ontem, dia normal de atualização, estava sem internet em casa. O sofrível Speed, da criminosa Telefônica, não chega à minha residência. E sou obrigado a contratar os serviços de uma empresa de internet por rádio que consegue ser ainda pior. “First Mile”: guardem este nome para nunca contratarem.

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