Antes da Estante

Bate-e-volta na Áustria (parte 1)

Posted in Diários de Viagem by Tomás Chiaverini on julho 19, 2010

Veneza – Alugamos um carro. Pedimos o mais simples que tinha e levamos um Citroên C3 com ar, direção e computador de bordo. Ainda acho que não há forma tão divertida de viajar quanto de carro (de moto, talvez, mas creio que em pouco tempo eu acabaria me estropiando). São raros os meios de transporte que propiciam tanta liberdade e interação com o mundo.

Vamos ainda mais para o norte da Itália, até Cortina D’Ampezzo, uma cidadezinha conto-de-fadas com casas de telhado pontudo, cercada por montanhas de dolomita ­– formação rochosa com enormes escarpas cor de areia, que mudam a tonalidade ao longo do dia.

Caminhamos um pouco por trilhas no entorno da cidade, comemos uns sanduíches surrupiados mais cedo do café da manhã no hotel, e compramos cerejas e amoras numa venda onde tudo parece pedir uma dentada.

Depois voltamos para o carro e vou dirigindo meio sem rumo, por uma estradinha sinuosa que se espreme entre as montanhas, cantando aquela canção tradicional dos viajantes italianos: la donna è mobile, con vostro automòbile!

A temperatura vai caindo conforme a altitude aumenta, o que é extremamente agradável para nós, que passamos os últimos dias derretendo num calor de mais de 30º. No alto das montanhas, além do verde claro das copas dos pinheiros, é possível avistar manchas brancas de neves eternas. A estrada é tão bonita que continuamos em frente, meio sem rumo até que começamos a notar certas peculiaridades à nossa volta. A primeira delas: “Pizzaria Hans”. Depois, as placas de trânsito passam a apresentar-se em italiano e alemão.

Encafifado com a situação, paro no acostamento, diante de um lago de pacatas águas azuladas. Me aproximo de um senhor de idade que, vestindo um chapéu de feltro verte, recolhe seu equipamento de pescaria. Usando todos os meus recursos linguisticos (que, necessário deixar claro, não são tantos) pergunto que país é aquele afinal.

Ele parece um tanto surpreso com a pergunta, o que é bastante compreensível. Mas por fim, misturando italiano, alemão e inglês, me explica que estamos na parte sul da região conhecida como Tirol. Ainda na Itália, mas muito perto da fronteira com a Áustria. Mudo meu repertório lírico de la donna è mòbile para aquela velha canção tiroleza: tira o lei-í-ti, e vou adiante.

Antes de dar a partida novamente no nosso levemente afeminado C3 branco, nos entreolhamos os três com a mesma ideia em mente: vamos para a Áustria.

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2 Respostas

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  1. Priscilla Valentim said, on julho 19, 2010 at 13:17

    Putz, galerinha…q delicioso.. que espetáculo. Esse tipo de situação de desbravamento diário assim tão sem limites é uma das melhores coisas da existência aqui na nossa Terra Azul. Que Super q vcs estão tendo essa grande oportunidade !!! E essse velho mundo ai, não é fraco não, cada instante uma surpresa. Que Deus siga abençoando vocês.
    Tudo de bom !!! beijão Pri

  2. Tomás Chiaverini said, on julho 19, 2010 at 19:00

    Aguarde os próximos capítulos, Pri.


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