Antes da Estante

Por que ficção

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 18, 2009

São relativamente simples os fatores que me levaram a achar a história que tenho em mãos mais adequada a uma peça de ficção, a um romance, do que à não-ficção, a um livro-reportagem.

É uma questão de adequação da trama ao veículo, ao meio, e às suas idiossincrasias. Explico me arriscando a simplificar demais o assunto, mas vamos lá.

Um livro-reportagem deve ser, sobretudo, um documento histórico-social. Deve registrar algo de relevante que esteja acontecendo no nosso tempo. Em segundo plano, deve trazer personagens que sintam, que vivam dramas e que aproximem a narrativa ao leitor.

Muitas vezes, este segundo plano é posto de lado nos livros-reportagem. Mas, para mim, um texto deve ser atraente, fluido e envolvente, e as comédias e dramas humanos acrescentam prazer à leitura.

No romance, esses dois aspectos se invertem. O mais importante é a humanidade. Fatos e dados historicamente relevantes são desejáveis, mas devem ser postos no segundo plano. Devem ser apresentados apenas para contextualizar e evidenciar a vivência dos personagens.

Pois bem, o que tenho é uma história familiar sobre uma amizade que se desenrola durante a ditadura, uma narrativa cheia de drama e paixão. O período em que ela ocorre e os fatos que a perpassam foram mais do que explorados em livros-reportagem e históricos. O que nos interessa, portanto, é mergulhar na alma dos personagens.

E o instrumento adequado para isso é o romance.

Ou não?

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2 Respostas

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  1. adrio inveriach said, on agosto 18, 2009 at 18:32

    No estadão de domingo saiu um artigo de um cara chamado Luiz Zanin Oricchio..

    Ele começa assim:

    Um bom romance histórico dá forma dramática a fatos efetivamente ocorridos. Trabalha, também, com senso arqueológico, reconstruindo o que não pode ser comprovado mas é tido como provável. Apóia-se em documentos e em outros livros. Completa o material, imaginando diálogos ou pensamentos dos personagens, mesmo que estes não tenham sido registrados em provas documentais. É uma arte do provávelquando bem sucedida, pode desvelar um acontecimento ou um personagem de forma tão completa quanto possível. Pode ser um complemento aos livros de história, ou às biografias.

  2. Juliane Oliveira said, on junho 25, 2010 at 15:46

    Tomás

    Estou escrevendo um projeto de livro reportagem e isso aqui vai ser muito util “Um livro-reportagem deve ser, sobretudo, um documento histórico-social. Deve registrar algo de relevante que esteja acontecendo no nosso tempo. Em segundo plano, deve trazer personagens que sintam, que vivam dramas e que aproximem a narrativa ao leitor”. Vou citar seu trabalho lá.

    Se quiser saber do projeto e dá um apoio, ideias, conselhos ou só acompanhar as minhas asneiras jornalisticas e palhaçadas, é só acessar meu blog. =)

    Parabens… minha tarde foi aqui na frente do computador conhecendo teu trabalho.

    Ju


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