Antes da Estante

Ainda sobre a lei anti-fumo

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 7, 2009

Ontem, em homenagem à nicotina, ao alcatrão e às mensagens subliminares no maço de Marlboro, acompanhado de meu grande amigo Arpad, passei algumas horas poluindo de baforadas tóxicas o ar da Vila Madalena.

Sim, pretendo voltar ao assunto da lei antifumo.

Antes, contudo, faz-se necessário falar um pouco de minha relação pessoal com esses deliciosos bastonetes cancerígenos. Desde o final da adolescência, fumo de maneira esparsa e controlada. Meu pai também é assim e creio ter puxado dele a imunidade ao vício. Posso ficar mais de mês sem fumar que não sentirei qualquer reação físico-psíquica. Em geral, fumo nos fins-de-semana e moderadamente. Durante a semana passo sem cigarros e sem vontade de fumar.

Justamente por manter essa postura “aprecie com moderação”, acho que me encontro em uma posição privilegiada para arriscar algumas considerações inúteis sobre a lei. Pois vamos a elas.

Sou a favor de certa restrição ao fumo. Sentar num restaurante e respirar fumaça de cigarro enquanto se come, é mais ou menos como ir a uma praia e ter de ouvir o som alto que algum infeliz ligou no porta-malas do carro. Em outras palavras: a sua liberdade deve ter, como limite, a liberdade do próximo.

Mas do jeito que foi feita, essa lei de nosso querido governador José Serra, parece obtusa, truculenta e irracional. Exemplo. Ontem após a meia-noite, estava meu caro amigo Arpad sentado numa mesa na calçada, tomando garoa sobre a futura calva, quando resolveu acender um cigarro. Imediatamente o garçom pediu que ele apagasse o cetro de satã.

Havia uma porta do bar que dava para a calçada, portanto era proibido fumar ali. Ou melhor, era proibido fumar ali sentado na cadeira do bar. Mas, uma vez que a rua é pública, em pé não havia problema. Então continuamos a conversa assim por um tempo: Arpad, com seus 192 centímetros, em pé, e eu sentado, até que cansamos da palhaçada e simplesmente ignoramos o garçom, que também nos ignorou. Transgredimos a lei, caro governador.

Ou seja, a nova legislação se pretende tão rígida que acaba forçando a transgressão.

Por que não liberar o fumo nas mesas na calçada de uma vez, ou ir além e permitir que estabelecimentos escolham se destinar a fumantes? Façam propaganda contra, caros governantes, demonizem os pobres fumantes, mas não sejam maniqueístas e totalitários. Quem não quer respirar fumaça, que vá a um bar livre de tabagismo. E os estabelecimentos podem até propagandear: “saboreie nossos pratos respirando o mais puro ar paulistano”.

Essa é minha opinião. Queimem depois de ler, que eu vou fumar um cigarro. Sem filtro!

PS: Fora Sarney e Collor!

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Uma resposta

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  1. Ju said, on agosto 13, 2009 at 16:41

    No sábado deixei um bar que eu precisaria andar toda a vida pra fumar pra ir parar em um que eu poderia ficar em pé na calçada, mas próxima à mesa.
    Me senti um pouco marginal.
    Acho que vou começar a fumar crack. Os crackeiros tem seu lugar garantido nas ruas, sem serem incomodados.


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