Antes da Estante

Vida saudável

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 27, 2009

Não fume e procure não respirar muito quando caminhar pelas calçadas paulistanas. Pratique ao menos trinta minutos de exercícios aeróbicos todos os dias. Prefira o ciclismo à corrida, a fim de evitar lesões de impacto nas articulações. Muito cuidado ao trafegar de bicicleta pelas ruas de São Paulo, onde atropelamentos e furtos são bastante comuns. Lembre-se de alongar todos os músculos antes e depois das atividades físicas. Não exagere no começo. Nem no final. Respire. Caminhe sempre com um calçado de solado adequado. Caminhe descalço. Faça um chek-up clínico antes de iniciar atividades físicas. Durma de sete a oito horas por noite.

Evite se automedicar. Tome vitaminas regularmente, assim como antioxidantes, estimulantes naturais, antiácidos, pílulas de colágeno, óleos essenciais e vermífugos. Respire, sempre respire.

Escove os dentes três vezes ao dia, após o uso do fio dental. Fita dental, melhor dizendo. Limpar a língua com um objeto projetado para a nobre função também é adequado. Visite o  dentista regularmente. Muito cuidado na higiene dos ouvidos. Cotonetes devem ser usados diariamente, mas não inseridos no duto auditivo. Lave o rosto duas vezes ao dia com um sabonete não-oleoso. Respire. Ao sair à rua, use um filtro solar dermatologicamente testado. Óculos escuros como proteção contra raios ultravioleta também são recomendados. A cada seis meses, visite um dermatologista para averiguar o surgimento de manchar anômalas na pele. Corte as unhas de forma reta, a fim de evitar encravamentos. Não tire as cutículas, apenas empurre.

Use sempre preservativos e tenha um único parceiro sexual. Converse sobre o sexo e procure a satisfação mútua. Respire. Higienize as partes íntimas antes e depois das relações.

Tenha uma alimentação balanceada. Coma uma porção de fibras, frutas e proteínas. Ameixas passas pela manhã, chá branco à tarde e castanhas do Pará após o jantar. Ingira quantidades moderadas de carne vermelha e laticínios. Não coma açúcar, sal em excesso ou pimenta do reino. Evite aditivos químicos, gorduras, frituras, embutidos, queijos amarelos e tudo o mais que lhe apetecer. Prefira alimentos integrais. Procure salivar antes das refeições. Mastigue quarenta vezes antes de engolir. Beba água. Ao menos quatro litros por dia, mas não de uma vez, o que pode ser perigosíssimo. Não beba álcool. Beba ao menos uma taça de vinho tinto antes do jantar. Não coma ovo em hipótese alguma, ou coma ao menos três vezes por semana. Evacue, diária e naturalmente, três porções com formato cilíndrico de dez centímetros de comprimento. Em hipótese alguma use papel higiênico. Visite um nutricionista regularmente.

Trabalhe pouco. Respire profunda e calmamente, com a ajuda dos músculos abdominais. Coluna ereta. Não se estresse. Não passe muito tempo sentado, em pé, deitado ou agachado. Não assista muita televisão, não escute música alta e não passe mais de trinta minutos seguidos diante do computador. Pisque, pisque, pisque. Não fale ao celular e mantenha distância das antenas de transmissão.

Leia. Faça cursos de outros idiomas. Medite, sorria e cultive pensamentos positivos. Viva a vida intensamente e seja feliz.

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Woodstock X Universo Paralello

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 20, 2009

Pois é, caro leitor hippie velho, lá se vão quarenta anos desde que, numa fazenda próxima a Nova Iorque, reuniu-se meio milhão dos mais malucos exemplares humanos. É isso, em agosto o lendário festival de Woodstock completou 40 anos.

E para comemorar, coloco abaixo um trecho do “Festa Infinita” que descreve o começo de um outro festival. Os tempos são outros, a música é outra, o público é outro, e a organização do evento nacional é infinitamente superior à do grande marco hippie. Mas não há como negar que há um bom tanto de Woostock no Universo Paralello.

No início da tarde do dia 29, a pista principal ainda está em silêncio, mas uma multidão já se acomoda por ali, sentada embaixo dos imensos triângulos de lycra colorida, esperando que o ritual de êxtase tenha início. Mas ao invés de emanarem das gigantescas pilhas de caixa de som, as primeiras pancadas são ouvidas à distância, e vêm se aproximando,  mas  num ritmo diferente, e então os que estão sentados têm de se levantar e abrir espaço para que o cortejo de estandartes e saias coloridas passe e se posicione no centro da pista.

Tocando tambores, pandeiros, apitos e chocalhos, o grupo pernambucano de maracatu se apresenta com repentes de boas vindas aos ravers. Todos dançam, cantam junto e tiram fotos. No céu azul, já livre de qualquer ameaça de chuva, um ultraleve colorido voa tranqüilo como se fizesse parte da apresentação. Cerca de 20 minutos depois, o grupo se despede, um deles toma o microfone e durante longos instantes faz propaganda de seu estado, e dos grupos de maracatu, até que, numa pausa mais longa, os técnicos de som cortam o seu microfone. Após alguns segundos de suspense silencioso, uma espécie de vendaval marítimo envolve aqueles milhares de pessoas, percorrendo as caixas sonoras de um lado para o outro, deixando a pista suspensa num crescendo de energia potencial, até que lá de trás vem surgindo o bumbo demarcado, que logo se propaga em irresistíveis ondas de choque e aquela euforia contida é liberada de uma vez, junto a gritos, assobios e à dança livre, frenética e incontrolável.

Ao redor, ao longo daquele quilômetro de coqueiral à beira-mar, a festa desabrocha em toda a sua magnitude. Os sanitários funcionam e o problema das fossas foi resolvido com pequenas bombas, que drenam constantemente a água da chuva, por baixo do plástico sobre o qual são depositados os dejetos. A maioria dos hippies já não está mais acampada no centro de Pratigi e, depois de conseguir ingressos a preços promocionais, expõe suas mercadorias em pontos diversos do festival. Além de posto-médico, salva-vidas, guarda-volumes, lan-house, cozinha comunitária, banheiros e duchas, há a praça de alimentação com 40 restaurantes, onde é possível comer faláfels, temakis ou um simples arroz com feijão e frango assado.

A rua de areia fofa que percorre a festa de ponta a ponta, transformou-se num movimentado bulevar em que se escuta conversas em inglês, japonês, hebraico, alemão, espanhol e outras infinitas e irreconhecíveis línguas. Milhares de almas que não param de se movimentar e de interagir em completa harmonia. São  pessoas estranhas, diferentes entre si, mas que respeitam as diferenças porque quase todos carregam mentes abertas, muitas vezes a golpes das mais potentes e diversas drogas conhecidas.

Por que ficção

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 18, 2009

São relativamente simples os fatores que me levaram a achar a história que tenho em mãos mais adequada a uma peça de ficção, a um romance, do que à não-ficção, a um livro-reportagem.

É uma questão de adequação da trama ao veículo, ao meio, e às suas idiossincrasias. Explico me arriscando a simplificar demais o assunto, mas vamos lá.

Um livro-reportagem deve ser, sobretudo, um documento histórico-social. Deve registrar algo de relevante que esteja acontecendo no nosso tempo. Em segundo plano, deve trazer personagens que sintam, que vivam dramas e que aproximem a narrativa ao leitor.

Muitas vezes, este segundo plano é posto de lado nos livros-reportagem. Mas, para mim, um texto deve ser atraente, fluido e envolvente, e as comédias e dramas humanos acrescentam prazer à leitura.

No romance, esses dois aspectos se invertem. O mais importante é a humanidade. Fatos e dados historicamente relevantes são desejáveis, mas devem ser postos no segundo plano. Devem ser apresentados apenas para contextualizar e evidenciar a vivência dos personagens.

Pois bem, o que tenho é uma história familiar sobre uma amizade que se desenrola durante a ditadura, uma narrativa cheia de drama e paixão. O período em que ela ocorre e os fatos que a perpassam foram mais do que explorados em livros-reportagem e históricos. O que nos interessa, portanto, é mergulhar na alma dos personagens.

E o instrumento adequado para isso é o romance.

Ou não?

Ou não…

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 17, 2009

A pesquisa avança, entrevistas se acumulam e o tema de nosso próximo projeto adquire contornos mais claros. A nuvem de possibilidades em que se constitui um novo assunto se adensa e se aproxima da realidade. Então, de repente, as certezas tornam-se dúvidas para, no entanto, logo dar lugar a outras certezas.

Tudo isso pra dizer o seguinte: mudamos de ideia, caros leitores.

É uma mudança simples, porém radical. No lugar de um livro-reportagem, teremos um romance histórico. No lugar da não-ficção teremos a ficção baseada em fatos reais. Assim, nos libertaremos das amarras da realidade. O porquê de tão brusca mudança, explicarei amanhã.

Primeiros passos

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 12, 2009

Como prometido no último post, coloco abaixo, a introdução do projeto do próximo livro-reportagem. A pesquisa já começou, algumas entrevistas também, mas, como fica claro pelas linhas abaixo, ainda estamos esculpindo em pedra bruta.

O ano é 1964. O Brasil tenta entender o significado do golpe que instaurou uma ditadura no país. Ainda sob a crença geral de que aquela seria uma situação passageira, militares iniciam mudanças que logo resultariam num governo tirânico, onde a tortura e o assassinato seriam práticas recorrentes.

Paralelamente, diversos setores da sociedade iniciam manobras de oposição e resistência. A política torna-se o centro das atenções. Para boa parte da juventude de então, não há como manter distância.

Nesse cenário político caótico e arriscado, dois amigos, criados em famílias intelectuais paulistanas, ingressam na Universidade de São Paulo, onde o clima é semelhante ao das ruas. Quando o assunto é política, não há meio termo. Professores e estudantes são perseguidos e coagidos por esboçar simpatia a teorias socialistas ou comunistas, enquanto outros são taxados de fascistas e reacionários por não aderirem a movimentos de esquerda.

Para os dois calouros, não há escapatória. Pelas famílias onde cresceram é dado que farão parte da oposição ao regime militar, e antes mesmo do golpe, ambos já se envolviam em manifestações, assembléias e passeatas ligadas a setores da esquerda. Com o endurecimento do sistema, contudo, a forma como cada um encara essa situação vai tornando-se diversa. A amizade entre os dois continua, mas enquanto um mergulha de cabeça em organizações de resistência envolvendo-se em atentados contra instituições militares, outro, apesar de ainda se engajar em atividades de oposição pacífica, recusa-se a pegar em armas.

Essa tentativa de preservar o vínculo de amizade separado do posicionamento ideológico, contudo, não se sustenta por muito tempo e ambos acabam se envolvendo e envolvendo as próprias famílias em um turbilhão de acontecimentos que, como tantas outras histórias dessa época, terminará de maneira trágica.

A descrição, que parece saída de um roteiro de ficção, é apenas um esboço da história vivida pelos estudantes André Gouveia, filho da escritora Tatiana Belinky, e Dario Chiaverini, filho do cardiologista Reinaldo Chiaverini e pai do autor.

André engajou-se ativamente na luta-armada através da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), participou do atentado frustrado ao quartel do II exército, em São Paulo, que causou a morte de um militar, fugiu para a Europa e acabou morto de forma misteriosa, na França. Dario nunca se envolveu diretamente na luta-armada, mas acabou involuntariamente ligado às ações de André. Sofreu consequências, foi preso (assim como seus pais) pelo DOI-CODI e ainda hoje não sabe até que ponto suas decisão de se manter afastado da resistência influenciou na morte precoce do colega.

Em homenagem ao amigo, Dario batizou seu primeiro filho com o nome de André.

Romance de não-ficção

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 11, 2009

Quando lançou “A Sangue Frio”, em 1966, seu afetado autor, Truman Capote, não se satisfez em enquadrá-lo no new-journalism – gênero recém criado pelos americanos, que estava na crista da onda na época (já falamos disso aqui).  Do alto de sua incomparável modéstia, ele dizia estar inaugurando um novo gênero literário: o “romance de não-ficção”.

Quando dizia isso, Capote se referia ao fato de que, para ele, o mais importante não eram os fatos em si. Afinal, o assassinato da família Holcomb, notícia que deu origem ao livro, não ocupou mais do que uma pequena nota nos jornais americanos.

O que interessava a Capote, ia além de detalhes, motivações e sentenças. O que lhe interessava era o material bruto para contar uma história de forma magistral, para investigar o drama da existência humana, para expor a mediocridade da vida dos americanos comuns.

Ao dar as costas ao jornalismo, Capote também se livrava, em parte, do compromisso com a veracidade dos fatos. Podia, por exemplo, gastar páginas e páginas descrevendo o que uma menina pensou e fez sozinha, trancada no quarto, nos instantes imediatamente anteriores à sua morte. Não havia como saber desses detalhes, mas Capote se permitiu imaginar e escrever sem grandes pudores.

Nada disso é muito novo, verdade. Essas denominações todas, romance de não-ficção, new journalism, jornalismo-literário e etc., têm  mais a ver com o bom e velho marketing do que com inovações legítimas. Praticamente tudo o que eles faziam já era feito antes sem tanto estardalhaço. Até por aqui, o brasileiríssimo João do Rio já fazia jornalismo literário desde o começo do século passado.

Mas escrevo tudo isso porque as definições criadas pelos americanos deixaram mais claros os contornos de toda essa confusão. E porque, depois de usar e abusar de técnicas lapidadas pelo new journalism (em Cama de Cimento e Festa Infinita), estou tendendo a guinar para o romance de não-ficção.

Não pretendo de forma alguma deixar de tentar retratar os fatos como eles realmente aconteceram. Mas é certo que, no novo projeto, dados, números e construções jornalísticas perderão espaço para o aprofundamento de questões humanas, para a reconstrução do clima de uma época, e para a lapidação do texto como se ele, por si só, fosse o objetivo de toda a apuração.

Amanhã, mais detalhes sobre o novo “romance de não-ficção”.

Mais cocô plastificado (desculpem)

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 9, 2009

Pois então, peço desculpas, mas volto ao assunto do cocô de cachorro plastificado. Juro que não é nenhuma obsessão, porém ontem estava assistindo a um episódio do genial Seinfeld, e deparei-me com o comediante fazendo as seguintes considerações sobre o assunto:

“No meu quarteirão muitas pessoas passeiam com seus cachorros, e eu sempre as vejo carregando aqueles saquinhos de cocô – o que, para mim, é a ocupação mais baixa da existência humana.

Se alienígenas observassem isso através de telescópios iriam pensar que os cachorros são os líderes.

Se você visse duas formas de vida, uma delas está fazendo cocô, a outra está carregando para ela, quem você acharia que está no comando?”

Jerry Seinfeld

Ainda sobre a lei anti-fumo

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 7, 2009

Ontem, em homenagem à nicotina, ao alcatrão e às mensagens subliminares no maço de Marlboro, acompanhado de meu grande amigo Arpad, passei algumas horas poluindo de baforadas tóxicas o ar da Vila Madalena.

Sim, pretendo voltar ao assunto da lei antifumo.

Antes, contudo, faz-se necessário falar um pouco de minha relação pessoal com esses deliciosos bastonetes cancerígenos. Desde o final da adolescência, fumo de maneira esparsa e controlada. Meu pai também é assim e creio ter puxado dele a imunidade ao vício. Posso ficar mais de mês sem fumar que não sentirei qualquer reação físico-psíquica. Em geral, fumo nos fins-de-semana e moderadamente. Durante a semana passo sem cigarros e sem vontade de fumar.

Justamente por manter essa postura “aprecie com moderação”, acho que me encontro em uma posição privilegiada para arriscar algumas considerações inúteis sobre a lei. Pois vamos a elas.

Sou a favor de certa restrição ao fumo. Sentar num restaurante e respirar fumaça de cigarro enquanto se come, é mais ou menos como ir a uma praia e ter de ouvir o som alto que algum infeliz ligou no porta-malas do carro. Em outras palavras: a sua liberdade deve ter, como limite, a liberdade do próximo.

Mas do jeito que foi feita, essa lei de nosso querido governador José Serra, parece obtusa, truculenta e irracional. Exemplo. Ontem após a meia-noite, estava meu caro amigo Arpad sentado numa mesa na calçada, tomando garoa sobre a futura calva, quando resolveu acender um cigarro. Imediatamente o garçom pediu que ele apagasse o cetro de satã.

Havia uma porta do bar que dava para a calçada, portanto era proibido fumar ali. Ou melhor, era proibido fumar ali sentado na cadeira do bar. Mas, uma vez que a rua é pública, em pé não havia problema. Então continuamos a conversa assim por um tempo: Arpad, com seus 192 centímetros, em pé, e eu sentado, até que cansamos da palhaçada e simplesmente ignoramos o garçom, que também nos ignorou. Transgredimos a lei, caro governador.

Ou seja, a nova legislação se pretende tão rígida que acaba forçando a transgressão.

Por que não liberar o fumo nas mesas na calçada de uma vez, ou ir além e permitir que estabelecimentos escolham se destinar a fumantes? Façam propaganda contra, caros governantes, demonizem os pobres fumantes, mas não sejam maniqueístas e totalitários. Quem não quer respirar fumaça, que vá a um bar livre de tabagismo. E os estabelecimentos podem até propagandear: “saboreie nossos pratos respirando o mais puro ar paulistano”.

Essa é minha opinião. Queimem depois de ler, que eu vou fumar um cigarro. Sem filtro!

PS: Fora Sarney e Collor!

Malandragem

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 6, 2009

Malandragem

PS: Fora Sarney!

Sobre o poder da grande imprensa

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 5, 2009

É impressionante, coisa de louco mesmo, o poder de penetração que as grandes corporações jornalísticas possuem nessa nossa enorme republiqueta de bananas. Desde que foi lançado, no início de abril, o Festa Infinita se espalhou feito fogo morro acima por sites e blogues.

Foi muita coisa mesmo. Quem quiser conferir pode clicar nesta página, onde agrupei a maioria dos links. A vida, entretanto, continuou seu rumo normal. Houve, é verdade, uma ou duas pessoas que me disseram ter ouvido sobre o livro no rádio, ou lido em algum lugar, mas pouca gente.

Eis que no domingo passado, a Revista da Folha faz uma matéria sobre os malucões do Fuck For Forest e, gentilmente, cita meu livro como uma das fontes (aqui para assinantes).

Não era uma matéria específica sobre o livro, meu nome foi até grafado errado, com o requintado toque britânico de um “h”. Mesmo assim, a quantidade de gente que veio comentar comigo foi maior do que nos três meses anteriores. Fico imaginando a beleza que não deve ser sair na capa da Ilustrada…

Certezas bizarras

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 4, 2009

“Se o Lula ganhar, vou ter que dividir meu quarto com um monte de gente pobre”.

Assim, do nada, essa frase espocou hoje na minha cabeça. Por conta de meu próximo projeto (do qual os senhores logo terão mais notícias) ando lendo muito sobre o período da ditadura, uma época em que o fanatismo político fazia as pessoas terem certezas bizarras.

A frase acima, claro, não diz respeito aos anos de ignorância militar. Também não foi proferida por nenhum político ou jornalista. Referia-se à disputa eleitoral entre Lula e Collor, ocorrida há quase duas décadas, e foi dita por minha prima, então com seus dez aninhos.

Criada por pais de direita, ela tinha nessas palavras o principal argumento para torcer por Collor e vencer a discussão que teve comigo, seu primo criado à esquerda do berço.

Hoje, vendo a promiscuidade de Lula com sujeitos como Collor, Renan Calheiros e, claro, o imperador Sarney, percebo que, se há uma certeza na política nacional, é a própria bizarrice.

PS: Agora, clicando no campo “comentários”, os senhores leitores poderão mostrar seu contentamento com os posts por meio de estrelas. Pra que serve isso? Pra nada, oras.

Ar puro e cocô plastificado

Posted in Uncategorized by Tomás Chiaverini on agosto 3, 2009

Ah, que beleza será o ar de São Paulo agora que a corja homicida de fumantes não mais o empestará com suas baforadas mortalmente cancerígenas. Ônibus desregulados, SUVs e a crescente frota de automóveis continuarão, é verdade, causando ligeira piora na pureza atmosférica, mas o importante é que medidas estão sendo tomadas.

O mundo, caros leitores, está ficando mais limpo. E os cidadãos desta metrópole, que é a Big Apple da América Latina, o umbigo emergente do mundo em desenvolvimento, estão se tornando cada vez mais politicamente corretos.

Para comprovar tal cosmopolitismo paulistano basta tomarmos como exemplo os cachorrinhos endinheirados que passeiam pelas calçadas do bairro de Higienópolis (nome que vem ao encontro do tema). Hoje, depois de uma ampla campanha de conscientização, basta que seus intestinos caninos ponham pra fora algumas porçõezinhas de excremento, para que a massa fétida seja rapidamente recolhida em herméticas sacolinhas plásticas.

Daí, ainda morno, o tóxico pacote é dispensado em alguma das várias lixeiras que se espalham por aquelas aprazíveis calçadas. Dela será provavelmente encaminhado a um lixão onde perdurará ad eternum.

A prática, temos de admitir, deve ter criado uma nova característica de lixo, algo que a natureza talvez não aceite de bom grado. Fezes que seriam rapidamente transformadas e biodegradadas tornam-se em algo de potencial poluidor semelhante ao conteúdo dos tonéis radioativos descartados por usinas nucleares.

Mas não sejamos ecochatos. Afinal, se queremos um mundo realmente limpinho e higiênico, temos que arcar com as conseqüências, não é mesmo?

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