Antes da Estante

Fim do diploma, ponto pro Supremo

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on junho 18, 2009

Não é mais necessário ter diploma de jornalismo para trabalhar na imprensa. Foi isso que o Supremo Tribunal Federal (a mais alta corte do país) determinou ontem, pondo fim a uma situação discretamente hipócrita.

Hipócrita porque qualquer um que já atuou nos grandes meios de comunicação sabe que a maioria dos veículos não dava lá muita bola pra exigência de diploma.

E com razão, porque as maiores qualidades de um jornalista ­– tais como amplo conhecimento geral, ética e capacidade de comunicação – não são aprendidas em sala de aula. Os cursos de jornalismo, via de regra, fazem um apanhando geral de matérias desconexas e jogam tudo isso sobre o aluno sem muito critério.

Na faculdade, vejam só, tive um semestre de uma matéria que se chamava “História Geral”. Quatro horas por semana durante quarto meses. E o ilustre docente, um jornalista, pretendia realmente que seus alunos aprendessem toda a história da humanidade nesse período.

Oras, se no exercício da profissão, surgisse a necessidade de aplicar conhecimentos de história, quem se sairia melhor? Um historiador que sabe escrever, ou um jornalista, que é infinitamente mais ignorante no assunto?

Há, sim, algumas técnicas de apuração e redação próprias do jornalismo que são relativamente esclarecidas nas universidades. Nada, contudo, que seis meses de estágio, ou um curso técnico não pudessem resolver com mais eficiência.

Além disso, essa história de exigir curso superior é extremamente conveniente para certas universidades de fundo de quintal que vendem diplomas a prestação. Tramitam, no Congresso Nacional, dezenas de projetos de lei para regulamentação profissional.

Nem todos propõem a exigência de curso universitário, mas todos tornam necessária alguma formação. Há, inclusive, casos bizarros, como os que propõem a regulamentação das ocupações de apicultores, capoeiristas, cabeleireiros, entre outros. Quem quiser saber mais pode acessar essa matéria (apenas assinantes) que escrevi para a Folha de S.Paulo há algum tempo.

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Uma resposta

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  1. adrio inveriach said, on junho 18, 2009 at 18:01

    Quando a ditadura militar estava sendo gradualmente substituida por essa nossa estranha democracia representativa, organizaram uma comissão de notáveis pra bolar uma nova constituição. (antes dos pianistas aceitos por Ulisses Guimarães)
    Ele estavam estudando ofim da regulamentação de todas as profissões. Parece que só ia sobrar medicina e engenharia, porque um aventureiro nessa área pode provocar sérios problemas.
    Realmente, com o fim das regulamentações, as faculdades realmente se tornariam centros de estudos muito mais sérios, e não vendedoras de diplomas.
    Infelizmente, com a ajuda dos pianistas, temos essa nossa também estranha e gigantesca constituição…


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