Antes da Estante

Narayhana, raves e rodeios

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on junho 8, 2009

Neste sábado atendi a uma estudante de jornalismo que, por conta do Festa Infinita, escolheu me entrevistar para um trabalho da faculdade. Aparentemente seguindo a escola dos bons repórteres, Narayhana, 19, fez questão de se encontrar comigo pessoalmente e se descambou de Itapevi para a Lapa. Ossos do ofício.

Eis que no final da entrevista a garota de nome complicado, uma raver convicta, me fez uma pergunta recorrente. “A imprensa não trata as raves de forma preconceituosa, tocando no assunto só quando algo errado acontece?”

Eu respondi o que sempre respondo. Que não. Que a imprensa vive de má notícia e ponto. É a vida. Não há perseguição às raves. Duvido que Folha, Estado, Veja ou Globo estejam, de alguma forma, interessadas em conter esse “movimento contracultural”.

Mas, por falar em má notícia, a pergunta de Narayhana, me fez lembrar de um assunto que eu queria ter comentado por aqui e acabei esquecendo. Algumas semanas atrás, um rodeio em Jaguariúna (interior de SP) causou comoção nacional depois que quatro pessoas morreram e dezenas ficaram feridas numa mega pancadaria.

E o que isso tem a ver com raves?

Tem a ver que Jaguariúna, cidadezinha orgulhosa de seus rodeios, é uma das poucas a proibirem terminantemente a realização de raves.

Dá o que pensar, não?

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5 Respostas

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  1. adrio inveriach said, on junho 8, 2009 at 20:18

    Vamos então admitir a hipótese que Deus nosso criador, cansado de nos ver fazer tanta coisa errada, resolve nos perdoar… tire todo o mal que entrou em nossas almas e voltamos todos ao paraíso, cheio de anjos e arcanjos onde só vão acontecer coisas boas.
    Segundo o jovem reporter a imprensa vai acabar…!!!! Será?
    Acho que não!

    No meu entender há um ciclo vicioso!!!

    Todos nós ficamos um tanto fascinados com a desgraça. Basta ver como é difícil a gente não olhar quando tem um acidente grave na estrada, um morto ou um ferido sendo socorrido. Parece que tem um ímã puxando nosso olhar. E a imprensa vai e coloca fotos catastróficas e sempre aparece um conjunto de repórteres e programas tipo Datena, Linha Direta e outros quetais.

    Afinal existem pessoas que só leem cadernos esportivos ou culturais, justamente porque não tem saco pra ver má notícia. Engraçado como essas pessoas são consideradas alienadas por alguns….

    A televisão é campeã em mostrar tragédias de tudo quanto e tipo além de desfilar uma sequência impressionante de gente se matando. E provavelmente é uma grande responsável pela onda de violência que nos assola, no mundo inteiro, numa catarse infernal.

    Talvez o mundo melhorasse se a imprena nos oferecesse notícias mais agradáveis e desse destaque para as coisas agradáveis da vida…

  2. Fernando said, on junho 8, 2009 at 20:28

    Minha opinião sobre a imprensa, lógico que não generalizando!
    Nunca generalizo e é sempre bom ressaltar!
    Mas então, a imprensa quer vender, quer ibope. Dane-se!!
    É capa de jornal feita com pitadas generosas de sensacionalismo. E televisão, nem se fala!!
    Em um canal aparecem dois robos apresentando o que seria o melhor Jornal Nacional. No outro é sensacionalismo na cara dura sobre um Brasil Urgente. Em outro, mesma coisa. A tarde…bom, a tarde é bom nem tocar no controle remoto.
    É triste sim, mas fazer o que. É isso qua satisfaz grande parte da população.

    E nunca que Jaguariuna vai proibir rodeios né?? Claro que não.
    Pq poribiu as raves?? Pq causa das drogas?? E no rodeio não tem drogas??
    Preconceito!!

    E continuo salientando qdo posso, que não é 100% dos ravers que usam drogas!!!

    Abraço!

  3. Tomás Chiaverini said, on junho 8, 2009 at 21:00

    Então, caro Ádrio, não estou defendendo o fato da imprensa viver de más notícias. Creio que há abusos e há casos em que noticiar o problema pode colaborar para melhorar a sociedade.
    De qualquer forma, o que disse é que é assim que funciona. A imprensa explora as más notícias. Mas não é uma perseguição às raves em particular.
    Ou, como diria Saramago: “Isto posto, posto está”.

  4. Gabriel Lucas said, on junho 9, 2009 at 11:34

    Tomás,

    Concordo que a Imprensa não promove uma cruzada de banimento das raves.

    Mas até pela falta de conhecimento do publico geral sobre as raves, é muito tentador para a Imprensa alimentar o imaginário de lugar misterioso onde só há drogas e drogados que existe na cabeça do cidadão comum.

    Mortes (e o consumo desordenado de drogas) são fatos tristes sejam em Raves, Pagodes ou Rodeios.

    Entretanto acredito que certos fatos tem suas dimensões amplificadas pela Imprensa por se tratarem de Raves.

    Um exemplo deve ser Jaguariúna, que de forma alguma deve cogitar proibir o seu rodei por causa do ocorrido, pelo contrário, provavelmente vão fazer de tudo para melhora-lo, afim de apagar lembrança da tragédia ocorrida.

  5. Marcelo José Martins said, on junho 10, 2009 at 11:41

    Vou lançar aqui uma pequena provocação, mas como estudante de jornalismo do que como freqüentador de raves que não sou, mas não tenho nada contra quem freqüente.

    Tudo bem, eu concordo contigo que os grandes jornais e revistas não conspirem em conjunto contra as raves, querendo destruir esse tipo de festa. Mas você não acha que a imprensa, ao não tentar mostrar o outro lado – e eu estou falando da imprensa tradicional, não do seu livro -, não acaba criando um estereótipo? A própria TV reforça isso. Aposto que qualque mãe, diante do pedido do seu filho para ir em uma rave, exclamaria:

    – Mas, menino, lá só tem maloqueiro distribuindo drogas… você não vê jornais, não?

    Essa mãe imaginária, provavelmente, nunca foi em uma rave, só conhecendo o estereótipo criado pela mídia… Mas ele é muito forte…


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