Antes da Estante

Como os livros são vendidos?

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on junho 1, 2009

Essa é uma pergunta que me acompanha desde que lancei o Cama de Cimento, nos idos de 2007, época distante, em que eu seria incapaz de postar este texto num blog sem ajuda de um especialista.

Esmiuçando a pergunta: o que faz com que alguém entre numa livraria e resolva comprar o livro de um autor completamente desconhecido?

E antes que você debande achando que esta é mais uma daquelas listas de perguntas não respondidas, já me adianto e digo que se acalme, caro leitor, pois, sim, eu tenho uma resposta. Uma resposta parcial. Meia resposta, talvez.

O tempo urge, o mundo roda, Lugo copula e Kim Jong-il ameaça pôr um fim em tudo isso. Mas, novamente, peço calma. Aceitando a hipótese de que você, leitor, seja parte da população economicamente ativa, ouso dizer que alguns instantes a mais, gastos neste texto cheio de malabarismos de baixa qualidade literária, não trarão grandes prejuízos para o PIB deste nosso impávido colosso.

Pois bem, um passo atrás para tentar responder a pergunta. Ou a metade da pergunta. Três quartos, diria eu. E apesar de minha matemática falha, proponho uma divisão. Não da pergunta ainda, mas dos livros.  Livros de ficção pra um lado e livros de não-ficção para o outro. Todos acompanhando? Não? Pois bem. Vamos à não-ficção.

Esses, num primeiro momento, são mais fáceis de se vender. Pelo simples motivo de que, geralmente, há uma parcela da população que tem  interesse específico pelo assunto retratado. Tomemos o exemplo deste que vos escreve.

No caso do meu primeiro livro, Cama de Cimento, calculo que haja algo como 13,7 sociólogos que se interessem pelo tema retratado, a população de rua (que a maioria dos mortais quer mais é esquecer). No caso do segundo, Festa Infinita, há centenas de milhares de ravers que podem ser vistos como potenciais interessados.

Aí temos, portanto, metade da pergunta respondida. Os interessados entram na livraria, se deparam com seu assunto predileto e se arriscam a comprar.

Agora vamos ao outro um quarto. Que não é um quarto de verdade, porque agora podemos juntar tudo novamente. Ficção e não-ficção. A coisa está ficando um pouco confusa, mas não importa. A essas alturas acho que não há mais ninguém me acompanhando. Textos para a internet têm de ser curtos e objetivos, não longos e confusos como este.

Mas, agora não há remédio. Vamos até o final. Juntamos tudo. Porque, por mais ravers que haja no Brasil, acho pouco provável que eles compareçam em massa às livrarias e façam o livro se tornar um sucesso de vendas. Para isso, é necessário que o livro rompa a barreira de seu circulo de aficionados. É preciso que atraia leitores que se interessem apenas pela leitura, como no caso dos livros de ficção. É isso. É preciso atrair pessoas que gostem de ler. Ponto. Aí voltamos ao um quarto da pergunta, ou da resposta, mas que, na verdade, não é um quarto, porque juntamos tudo. Santos contorcionismos mentais, Batman!

Mas, enfim, há alguns seres estranhos que realmente entram na livraria e compram um livro de um autor desconhecido. Seja ele de ficção ou de não-ficção. Essa é a parte que vai ficar sem resposta.

A outra forma de se vender livros é através daquilo que os marqueteiros chamam de mídia espontânea. Matérias sobre o livro. Exemplo disso é o estrondoso sucesso de Chico Buarque no mundo das letras. Não que ele não o mereça, nem tenha talento para isso. Mas, num primeiro momento, seus livros vendem porque ele é o Chico. E o simples fato do Chico lançar um livro é notícia.

Nós, que não somos o Chico, vamos nos espalhando em notas, entrevistas e resenhas. Nada de capa da Ilustrada, mas muitos textos bacanas. Desde o lançamento, toda semana sai alguma novidade sobre o livro. Algumas, bem bestas. Outras pra encher a gente de orgulho, como esta, escrita por Luiz Felipe Carneiro, jornalista carioca especializado em música.

Ufa, esse foi difícil! Alguém teve a manha de chegar ao final junto comigo?

Anúncios

4 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Gabriel Lucas said, on junho 2, 2009 at 13:49

    Eu sou um desses ets que entram em livrarias e comprar livros sem conhecer o autor.

    Mais de uma vez tive a impressão (romantica) de que o livro me escolheu e não o contrário. Também tenho livrarias “da sorte” onde sempre parece que encontro coisa boa. E também surtos de passar em livraria com curto periodo de tempo e escolher livros quase aleatoriamente (geralmente livrarias de aeroporto).

  2. Tomás Chiaverini said, on junho 3, 2009 at 16:20

    É, Gabriel, você, decididamente não é das pessoas mais normais do mundo. Entra numa livraria e compra livros de autores desconhecidos e ainda tem paciência de chegar ao final de um texto como este…

  3. Marcelo José Martins said, on junho 4, 2009 at 02:26

    Eu devo ser do mesmo planeta do Gabriel. Mas eu me permito uma complementação em sua teoria, tão, digamos, sinuosa, Tomás. Acho que pode ser uma série de fatores. Eu compro livros de autores que não conheço, se o tema me interessa e, principalmente, se o preço estiver justo. Sou especialisra em aproveitar a sessão de livros promocionais de alguns supermercados. Já achei coisas absolutamente geniais, por preços módicos. Inclusive o seu primeiro livro. Mas isso vale apenas para 50% dos tipos de livros, mas especificamente os de não ficção. Curiosamente, isso não se aplica, no meu caso, aos livros de ficção, que acabo comprando muito pouco e, na maioria absoluta das vezes, de autores que eu conheço muito bem. Raramente me aventuro com autores desconhecidos, ao não ser se alguém me indique, mas aí o escriba em questão deixa de ser desconhecido, logo… Tá acompanhando?
    Acho que outro fator que funciona na venda de livros é a impulsão. O sujeito folheia o livro, fica fascinado pelo assunto, ou pela escrita do autor, e então decide levar pra casa. Algo meio intuitivo. Isso acontece muito comigo. E, se por acaso eu não gosto do livro, simplesmente vendo-o no sebo mais próximo. Aliás, faço muito isso. Eu já compro algumas obras pensando em vendê-las depois de lidas.
    Isso é muito comum no meu planeta.

  4. Fernando said, on junho 8, 2009 at 20:33

    Entro no mesmo grupo!
    Não me importa autor!!
    As vezes me indicam um livro. As vezes leio sobre o livro e me interesso. As vezes só pelo nome. As vezes só pela capa. (Festa Infinita é um que compraria só pela capa. Rs.)

    Livro que estou lendo (comprem, leiam): “A Menina Que Brincava Com Fogo” – Stieg Larsson.

    É o segundo da trilogia Millenium. O primeiro se chama “Os Homens que não Amavam as Mulheres”

    Muito bom!

    Pronto, é assim, também, que livros são vendidos. RS.

    Abraço!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: