Antes da Estante

Mudando de Assunto (Ufa!)

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 23, 2009

Ontem fui assistir Gran Torino, o mais recente filme de Clinton Eastwood Júnior, e saí do cinema ainda mais fã do velho cowboy. Resumindo, a história é o seguinte: Clint é um veterano de guerra, viúvo recente, amargurado, que vive sendo corroído por algum crime de guerra cometido numa juventude distante.

Pra piorar a vida deste americano patriota, reacionário e racista, o bairro onde ele vive reflete o seu próprio estado de decadência e vem sendo invadido por orientais. Mas eis que do meio de todo o ódio racista do personagem principal – que rende alguns momentos de elegante comicidade – começa a surgir uma amizade com um de seus jovens vizinhos orientais.

Então aparecem os caras maus. O apadrinhado de Clint passa a ser pressionado a fazer parte de uma gangue de olhos puxados, que não se furta a apelar para a violência a fim de convencer o bom moço a abandonar o bom mocismo.

Então o velho Clint aparece em toda a sua forma, com um cigarro num canto da boca e uma 45 na mão. E, nossa, que figura mais catártica e arquetípica é ess velho justiceiro com voz de alcatrão e rugas de faroeste. Seja parado numa barbearia, seja esmurrando a cara de um marginal, Clint é a própria encarnação envelhecida do american way of life.

Por alguns longos instantes, a platéia se regozija em cenas catárticas onde o velho durão aplica o remédio da farmacologia Bush, espalhando truculência e sopapos para resolver os problemas, como fazia quando encarnava policiais justiceiros ou cowboys vingadores.

Mas a platéia que está lá não foi ver “Dirty Harry” ou “Por um Punhado de Dólares”. E o diretor/ator que está lá, também já não é mais aquele americano simplório e maniqueísta. É o cara que dirigiu “Um Mundo Perfeito”, “Bird” e “Sobre Meninos e Lobos”.

Então, quando aquela catarse começa a dar a sensação que algo está errado, que Clint esqueceu os matizes da alma humana para voltar ao estilo vingador, eis que tudo se inverte. A violência só gera mais violência, as conseqüências são de mundo real, não de Hollywood.

No final, temos o oposto do faroeste, temos a não violência como única saída viável. E temos um diretor que mostra toda a maturidade de um septuagenário e que, na minha modesta opinião, é um dos maiores em atividade.

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2 Respostas

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  1. Fernando said, on março 25, 2009 at 01:42

    Sensacional!!

    Você disse tudo.

    Sensacional!!

    O filme.

    Sarcástico. Engraçado. Sério. Cômico. Ironico.

    Para ver e rever e dar boas risadas.

    Recomendadíssimo!!

  2. Rafael Gonçalves said, on março 25, 2009 at 15:13

    Olá Tomás.
    Gostaria de entrevistá-lo sobre seu novo livro.
    Sou jornalista do http://www.guiadasemana.com.br, responsável pelo canal Shows e Noite.
    Entre em contato no email fornecido por mim para esse post!
    Obrigado!


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