Antes da Estante

Senhores, brindemos às orelhas

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 9, 2009

Orelha, como todos sabem, além de importante componente do sistema auditivo de mamíferos em geral, é aquela parte dobrável da capa dos livros, que também serve como marcador. Ali, geralmente há textos com resumos elogiosos e algumas informações sobre o autor.

A orelha serve, basicamente, para convencer você, leitor, a levar o livro da gôndola da livraria para sua casa. Ou para intelectuais de butique tecerem comentários pseudo-inteligentes sobre obras que não leram.

Abaixo, seguindo nas notícias em primeira mão, seguem os textos que estarão nas orelhas de Festa Infinita.

Em “Festa Infinita”, o leitor é convidado a um mergulho no barulhento, colorido e entorpecente mundo das raves. Logo no primeiro capítulo, uma narrativa dinâmica e precisa descreve uma festa do começo ao fim, com toda a intensidade da música, com a efervescência das drogas sintéticas, e com garotos que se penduram pela pele em bizarras e angustiantes performances masoquistas.

A partir daí, o autor cria um amplo panorama desse movimento contracultural, que só no Brasil atrai cerca de 500 mil jovens por mês, para alguma das 1.400 festas, promovidas anualmente em sítios, praias desertas e clareiras no meio do cerrado. Raves que chegam a atrair 30 mil pessoas em “modernos rituais de êxtase coletivo”.

Para dar vida a este mundo sensorial, o repórter entrevistou inúmeros DJs, produtores e aficionados, criando uma trama de perfis que, por meio de casos curiosos, divertidos e até dramáticos, ilustram a história das raves no Brasil. Usando técnicas de imersão próprias do jornalismo literário, o autor conviveu intensamente com os personagens retratados, acompanhou DJs em assustadoras viagens noturnas, e mergulhou em noites de música ininterrupta.

Num ônibus, junto a 40 ravers, empreendeu uma surreal viagem de mais de 30 horas até o interior de Goiás, e passou uma semana acampado num dos maiores festivais de música eletrônica do país. No fim do ano, viajou a uma praia deserta no sul da Bahia onde, por quase um mês, acompanhou a montagem do Universo Paralello – festa que atrai dez mil ravers para mais de uma semana de sol, drogas e dança. Finalmente, para viver e retratar esse universo da forma mais intensa e realista possível arriscou-se a experimentar na própria pele os efeitos do ecstasy somados à música eletrônica.

O resultado desse processo de imersão é um texto fluido e instigante, que mexe com os sentidos, que evidencia o hedonismo descompromissado de parte da juventude atual, e que documenta uma faceta da história contemporânea completamente desconhecida para a maior parte da população.

Tomás Chiaverini é jornalista, autor do livro “Cama de Cimento – Uma reportagem sobre o povo das ruas” (Ediouro/2007), onde retrata o cotidiano dos sem-teto na cidade de São Paulo. Como repórter trabalhou na Folha de S.Paulo e teve matérias publicadas em importantes revistas e sites nacionais. Durante todo o ano de 2008, manteve o blog “Antes da Estante”, em que foi possível acompanhar os bastidores da elaboração de “Festa Infinita”. Até iniciar a apuração deste livro, nunca havia passado perto de uma rave.

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5 Respostas

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  1. Adrio Inveriach said, on março 9, 2009 at 22:11

    O texto está bom…

    Pena que faltou uma referência ao “não envolvimento participativo”!

  2. Tomás Chiaverini said, on março 9, 2009 at 22:14

    Pois é, o não-envolvimento participativo ficou de fora.
    Mas pode deixar que quando o New York Times me entrevistar eu tocarei no assunto.

  3. ANtonio said, on março 18, 2009 at 15:52

    Ei Tómas… gostaria de saber uma outra coisa sobre o seu livro…

    Ainda n tive oportunidade de ler e provavelmente ira demorar um pouco.
    Mas gostaria de saber sobre uma coisa…

    Voce como pesquisador experiente, no caso por vc ter experimentado o mundo das raves, gostaria de saber se voce abordou no livro os 2 lados da moeda.

    Tanto o negativo, pq nao podemos negar q existe sim, como o positivo.

    POis como vc mesmo viu o universo paralello se trata de um portal de cultura diferente e ate mesmo muito rico, uma nova ordem ou nova comunidade proposta por ideias agregadas e articuladas com a ajuda do Swarup e a organização toda.

    So queria saber se voce foi um pesquisador neutro referentre a essa questao, se voce gostou de participar das rave…

    Pq ja li sobre um filme q esta pra sair que pretende mostrar so o lado das drogas no ambiente.

    teria como vc me esclarecer isso?

    Abração e em breve estarei adiquirindo seu livro.
    Sucesso!

  4. Tomás Chiaverini said, on março 18, 2009 at 16:32

    Então, Antonio, o objetivo do livro é criar um amplo panorama desse universo, é fazer quem nunca foi numa rave saber do que se trata esse mundo, e fazer os aficionados por raves, descorbirem coisas novas sobre as festas.
    Para isso, tento mostrar os inúmeros “lados da moeda”. Afinal temos a cara, a coroa, mas também temos o lado de fora, o lado de dentro, a borda, e nessa borda temos as ranhuras que também têm lados e…, enfim, acho que deu pra sacar.

  5. ANtonio said, on março 19, 2009 at 01:03

    hum saquei… sua resposta foi muito boa.
    chego ate abrir minha cabeça mais…

    mas eh isso ai.

    beleza entom. um abraço.


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