Antes da Estante

E segue o galope

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 30, 2009

Pois não é que que sobrevivemos, com poucos gaguejos, à entrevista concedida ao vivo para MTV nesta bucólica tarde de março? Se alguém perdeu, ou se todos perderam, não há motivo para desespero. Haverá uma reprise no próximo sábado, dia do lançamento, às 13h.

Pra quem quiser um contato mais próximo com este que vos tecla, na quarta-feira, às 16h, participarei de um bate-papo no Uol. Seria legal encontrar os eruditos leitores do Antes da Estante por lá.

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A fama vem a galope

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 26, 2009

Eis que a fama vem a galope. Sério. Vem mesmo. Quem não acredita pode conferir aqui. O livro caiu nos teclados dos blogueiros e dos sites especializados em música eletrônica. Vem causando polêmica em fóruns de discussão. Em muitos fóruns de discussão.

Hoje darei entrevista para a rádio Band News, segunda participo de um programa da MTV. Ao vivo (eu hein!). No começo desta semana, a primeira página do Uol estampou uma chamada para a entrevista que dei ao Rraurl. Em menos de 12 horas, o post teve mais de 7 mil acessos.

Eu, de minha parte, estou achando tudo muito bom, tudo ótimo e divertido. Mas bem estranho também. Muito estranho. Estranho porque o livro só saiu da gráfica hoje. Ninguém leu. Ninguém nem deu uma folheada. Nem uma leiturinha diagonal. Nada.

Tanta falação é apenas por conta do tema polêmico. Mas a verdade é que ninguém sabe o que vai encontrar nas 304 páginas do Festa Infinita.

E se for ruim? E se o livro for uma bomba? Hein, senhores blogueiros? E se o autor for disléxico? Que dirão vocês? Que dirão se encontrarem um compêndio antropológico repleto de gnósticos termos eruditos?

E vocês, caros ravers, que me atacam acusando-me de sensacionalista, reacionário e superficial? E se o livro for o material mais interessante sobre o assunto já escrito? E se acabar por tornar-se “o livro de cabeceira dos ravers”, como postou algum blogueiro?

E vocês, caros ravers que me defendem? E se o livro for um nojo de careta, apelativo e reduzir este movimento que vocês tanto amam a um boletim de ocorrência lavrado pelo DENARC? Como vocês se justificarão para seus pares?

Mas, enfim, não adianta pedir calma. Não adianta pedir que leiam antes. Este livro que um dia foi tão meu, só meu, que esteve encerrado dentro da minha cabeça, agora nasce para o mundo e já traz consigo um sem número de rótulos, opiniões e preconceitos; já gera amores e desamores.

Pois que seja. Que falem do recém-nascido! Mas depois me façam um favor. Invadam as livrarias e esvaziem as prateleiras que sustentam o Festa Infinita. E não parem por aí. Leiam. Leiam com atenção, sem pular páginas. Mergulhem no texto. Entendam, decodifiquem meus caracteres e depois voltem a falar. Elogiem, xinguem, amem ou odeiem tudo de novo. Mas dessa vez com conhecimento de causa.

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Mudando de Assunto (Ufa!)

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 23, 2009

Ontem fui assistir Gran Torino, o mais recente filme de Clinton Eastwood Júnior, e saí do cinema ainda mais fã do velho cowboy. Resumindo, a história é o seguinte: Clint é um veterano de guerra, viúvo recente, amargurado, que vive sendo corroído por algum crime de guerra cometido numa juventude distante.

Pra piorar a vida deste americano patriota, reacionário e racista, o bairro onde ele vive reflete o seu próprio estado de decadência e vem sendo invadido por orientais. Mas eis que do meio de todo o ódio racista do personagem principal – que rende alguns momentos de elegante comicidade – começa a surgir uma amizade com um de seus jovens vizinhos orientais.

Então aparecem os caras maus. O apadrinhado de Clint passa a ser pressionado a fazer parte de uma gangue de olhos puxados, que não se furta a apelar para a violência a fim de convencer o bom moço a abandonar o bom mocismo.

Então o velho Clint aparece em toda a sua forma, com um cigarro num canto da boca e uma 45 na mão. E, nossa, que figura mais catártica e arquetípica é ess velho justiceiro com voz de alcatrão e rugas de faroeste. Seja parado numa barbearia, seja esmurrando a cara de um marginal, Clint é a própria encarnação envelhecida do american way of life.

Por alguns longos instantes, a platéia se regozija em cenas catárticas onde o velho durão aplica o remédio da farmacologia Bush, espalhando truculência e sopapos para resolver os problemas, como fazia quando encarnava policiais justiceiros ou cowboys vingadores.

Mas a platéia que está lá não foi ver “Dirty Harry” ou “Por um Punhado de Dólares”. E o diretor/ator que está lá, também já não é mais aquele americano simplório e maniqueísta. É o cara que dirigiu “Um Mundo Perfeito”, “Bird” e “Sobre Meninos e Lobos”.

Então, quando aquela catarse começa a dar a sensação que algo está errado, que Clint esqueceu os matizes da alma humana para voltar ao estilo vingador, eis que tudo se inverte. A violência só gera mais violência, as conseqüências são de mundo real, não de Hollywood.

No final, temos o oposto do faroeste, temos a não violência como única saída viável. E temos um diretor que mostra toda a maturidade de um septuagenário e que, na minha modesta opinião, é um dos maiores em atividade.

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O release, senhores

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 19, 2009

Pra quem não sabe, release é um texto curto e objetivo, que tem a função de informar a imprensa sobre novas pautas e produtos. E há a mais diversa gama de releases entupindo as caixas de entrada dos repórteres em geral. Desde aqueles falando do novo filme até os que detalham o mais novo lançamento da indústria automotiva.

Há, inclusive releases que vêm envoltos em kits de imprensa sedutores e sofisticados, com amostras grátis, brinquedos, pôsters e etc.

São extremamente importantes para a divulgação do que quer que seja, não só porque constituem-se no ponto de partida para o trabalho dos repórteres, como porque  às vezes são publicados na íntegra, como se fossem uma matéria jornalística.

Abaixo, reproduzo o release de Festa Infinita, elaborado pela assessoria de imprensa da Ediouro, e que me parece bem bacana.

Tomás Chiaverini desvenda o universo raver

em Festa Infinita –  O entorpecente mundo das raves

Longas festas, em lugares afastados, com muita música eletrônica e drogas sintéticas. Para muitos, essa pode ser a definição das festas raves, tão comuns hoje em dia, mas o jornalista Tomás Chiaverini mostra que o universo raver vai muito além, em Festa Infinita – O entorpecente mundo das raves.

Enquanto acompanha a história de pessoas que frequentam as raves, Tomás mostra como são essas festas. O uso de ecstasy, LSD e outras drogas, o transe através da música, a filosofia P.L.U.R. (Peace, Love, Union, Respect ), nada escapa ao olhar atento desse jornalista.

DJ famosos, organizadores de festas, bomba trancers, neo-hippies, pessoas que se penduram por piercings, e também jovens comuns, que estudam ou trabalham a semana toda para passar o final de semana pulando ao som do psytrance, todos são personagens desta história onde as mais diversas tribos se reúnem com o mesmo objetivo: deixar-se hipnotizar pelo tummm, tumm, tumm que vem de gigantescas caixas de som.

Tomás Chiaverini nunca havia ido a uma festa dessas, mas para poder descrever com clareza o que acontece nesse ambiente barulhento e colorido ele não apenas fequentou raves, como viajou, passou mais de 30 horas dentro de um ônibus, com cerca de 40 ravers para ir ao festival Trancendence, acampou por 10 dias no Universo Paralello – um dos maiores festivais do país – e até mesmo experimentou um ecstasy para compreender o efeito da droga associado a música eletrônica, tão apreciado por inúmeros jovens.

Depois de cerca de 1 ano de muita pesquisa este livro-reportagem chega às livrarias repleto de informações e fotos que demonstram como a realidade dessas festas vai muito além do consumo de drogas descrito nas matérias de jornais.

Festa Infinita – O entorpecente mundo das raves possibilita ao leitor um mergulho nesse mundo onde a música alta e eletrônica hipnotiza, e a festa parece nunca acabar.

Tomás Chiaverini é jornalista e autor do livro Cama de cimento – uma reportagem sobre o povo das ruas (Ediouro, 2007), onde retrata o cotidiano dos sem-teto na cidade de São Paulo. Como repórter, trabalhou na Folha de S.Paulo e teve matérias publicadas em importantes revistas e sites. Durante todo o ano de 2008, manteve o blog “Antes da Estante”, em que foi possível acompanhar os bastidores da elaboração de Festa Infinita.

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Degustação

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 16, 2009

Enquanto o Festa Infinita não chega às prateleiras, ofereço mais um aperitivo do texto. O trecho abaixo foi extraído do capítulo “De orgias e motosserras”, que conta a história do Fuck For Forest, um grupo que usa o sexo para preservar a natureza, e que conversou comigo algumas vezes, durante o Universo Paralello.

Seis dias antes do início do festival, uma funcionária da produção se aproxima de uma mesa de madeira tosca, enterrada na areia e sombreada pelos coqueiros que se espalham pelo acampamento-base. Usando um inglês abrasileirado ela se dirige a duas meninas e um rapaz que conversavam amolecidos pelo onipresente sol da Bahia:

– O Swarup pediu para que vocês não andem mais pelados na praia, além do local da festa – exclama num tom calmo e gentil. Depois para, pensa um pouco escolhendo as palavras, e continua: – E quanto ao sexo… Bom, eu vou ter que pedir que vocês não façam em público, a não ser na área da performance.

O norueguês Tommy Hol Ellingsen, 31, a encara por algum tempo, como se não fosse capaz de compreender o que ela estava dizendo. Depois levanta o rosto, já esculpido numa expressão de espanto e indignação, e indaga, num inglês impecavelmente europeu.

– Mas como assim?

Tommy tem cabelos loiros compridos e uma barba que acaba numa xuca, presa por um elástico na frente do queixo. Veste uma saia comprida de algodão marrom, uma regata bege, e vários colares de conchas e sementes. Complementando o visual pouco comum, usa um cinto de couro que exibe a imagem de Jesus e Maria numa fivela prateada, uma tatuagem na mão com a fórmula 2+2=5, e, cereja do bolo, uma flauta doce de madeira cor-de-rosa, atravessada na cintura qual uma espada de pirata.

Ainda com aquele inglês um pouco capenga e com toda a calma que o calor nordestino impõe, a produtora continua a argumentar. Explica que, mesmo que não queiram, eles de certa forma representam o festival para a população local. Depois conta que há dois anos, os moradores da região foram reclamar com o prefeito por conta da multiplicação de peitinhos livres de sutiã pela praia de Pratigi. O prefeito, cumprindo seu dever político democraticamente aferido, levou as queixas aos organizadores da festa. A partir de então, esforços  têm sido reunidos a fim de diminuir a nudez na praia.

– Mas – exclama Tommy preservando aquela expressão de indignação – e na festa?

– Ah, lá vocês podem ficar nus sem problema nenhum. Mas o sexo vai ter que ser só no espaço para adultos, porque tem muitas crianças na festa, e os pais podem se incomodar.

Tommy pensa mais um pouco, por um instante parece até compreender a situação, mas logo volta a se indignar:

– Mas por que isso? A população local não gosta de ver gente pelada?

– Não é isso. É que as pessoas aqui são muito pobres – explica a moça. – Eles não têm nem o que comer, como é que vão entender… O amor?

(…)

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Festa Infinita cai na rede

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 12, 2009

Pois então, caros leitores, regozijo-me ao informá-los que o Festa Infinita não está mais restrito às páginas do Antes da Estante e que, como um benéfico vírus cultural, vai se espalhando pelos meandros do hipertexto.

Abaixo coloco os links que remetem a notícias ou fóruns de discussão sobre o livro. Também aproveito para criar uma nova página, onde acompanharemos a escalada rumo ao Olimpo da fama.

Site Mushrootz

Fórum no site Baladaplanet

Site Plurall

Comunidade no Orkut

PS: o livro, que ainda não saiu das rotativas, já está à venda em pelo menos duas livrarias: Cultura e Saraiva.


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Senhores, brindemos às orelhas

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 9, 2009

Orelha, como todos sabem, além de importante componente do sistema auditivo de mamíferos em geral, é aquela parte dobrável da capa dos livros, que também serve como marcador. Ali, geralmente há textos com resumos elogiosos e algumas informações sobre o autor.

A orelha serve, basicamente, para convencer você, leitor, a levar o livro da gôndola da livraria para sua casa. Ou para intelectuais de butique tecerem comentários pseudo-inteligentes sobre obras que não leram.

Abaixo, seguindo nas notícias em primeira mão, seguem os textos que estarão nas orelhas de Festa Infinita.

Em “Festa Infinita”, o leitor é convidado a um mergulho no barulhento, colorido e entorpecente mundo das raves. Logo no primeiro capítulo, uma narrativa dinâmica e precisa descreve uma festa do começo ao fim, com toda a intensidade da música, com a efervescência das drogas sintéticas, e com garotos que se penduram pela pele em bizarras e angustiantes performances masoquistas.

A partir daí, o autor cria um amplo panorama desse movimento contracultural, que só no Brasil atrai cerca de 500 mil jovens por mês, para alguma das 1.400 festas, promovidas anualmente em sítios, praias desertas e clareiras no meio do cerrado. Raves que chegam a atrair 30 mil pessoas em “modernos rituais de êxtase coletivo”.

Para dar vida a este mundo sensorial, o repórter entrevistou inúmeros DJs, produtores e aficionados, criando uma trama de perfis que, por meio de casos curiosos, divertidos e até dramáticos, ilustram a história das raves no Brasil. Usando técnicas de imersão próprias do jornalismo literário, o autor conviveu intensamente com os personagens retratados, acompanhou DJs em assustadoras viagens noturnas, e mergulhou em noites de música ininterrupta.

Num ônibus, junto a 40 ravers, empreendeu uma surreal viagem de mais de 30 horas até o interior de Goiás, e passou uma semana acampado num dos maiores festivais de música eletrônica do país. No fim do ano, viajou a uma praia deserta no sul da Bahia onde, por quase um mês, acompanhou a montagem do Universo Paralello – festa que atrai dez mil ravers para mais de uma semana de sol, drogas e dança. Finalmente, para viver e retratar esse universo da forma mais intensa e realista possível arriscou-se a experimentar na própria pele os efeitos do ecstasy somados à música eletrônica.

O resultado desse processo de imersão é um texto fluido e instigante, que mexe com os sentidos, que evidencia o hedonismo descompromissado de parte da juventude atual, e que documenta uma faceta da história contemporânea completamente desconhecida para a maior parte da população.

Tomás Chiaverini é jornalista, autor do livro “Cama de Cimento – Uma reportagem sobre o povo das ruas” (Ediouro/2007), onde retrata o cotidiano dos sem-teto na cidade de São Paulo. Como repórter trabalhou na Folha de S.Paulo e teve matérias publicadas em importantes revistas e sites nacionais. Durante todo o ano de 2008, manteve o blog “Antes da Estante”, em que foi possível acompanhar os bastidores da elaboração de “Festa Infinita”. Até iniciar a apuração deste livro, nunca havia passado perto de uma rave.

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Lançamento

Posted in Extra by Tomás Chiaverini on março 6, 2009

Está marcado, confirmado e aprovado. O lançamento será  dia 4 de abril, um sábado, por volta das 16h. O estabelecimento que terá o prazer de receber tão importante evento será a Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho, em São Paulo.

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Senhores, em primeira mão, a capa!

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on março 5, 2009

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Um livro para o mundo

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on março 2, 2009

Não é pequeno o prazer que um autor sente ao ler comentários elogiosos sobre seu texto, ainda mais quando eles foram escritos por alguém como Ricardo Kotscho. O fato de tais cumprimentos estarem num prefácio, ou seja, num espaço naturalmente dedicado a elogios, não torna menor este prazer.

Mas quando li pela primeira vez as três páginas do prefácio de “Festa Inifinia”, fui acometido por um outro sentimento. Algo parecido com o que deve sentir uma mãe de meia idade que, sentada na varanda da frente, fuma um cigarro enquanto seu filho recém-formado vai embora de casa.

Kotscho não me conhece, nunca foi a uma rave e não creio que seja admirador de psytrance. Quando leu o livro, portanto, o fez com um grande distanciamento. E, para minha surpresa, sua visão do meu trabalho, pelo menos em certos pontos explicitados no prefácio, são às vezes muito diversas da minha própria.

E, ainda que sem o gabarito de Kotscho ou a tarefa de escrever um prefácio,  quantos outros leitores não haverão de ter opiniões das mais variadas sobre aquilo que eu disse? Quantas interpretações possíveis pode haver nas 300 páginas que tomaram todo meu tempo por mais de um ano? Impossível prever.

Mas esse talvez seja um dos grandes encantos do jornalismo literário. Por buscar proximidade com a arte, é muito mais subjetivo, amplo e aberto do que qualquer reportagem de revista, jornal ou o que seja.

Ao autor, só resta observar da varanda, enquanto o livro se afasta, e torcer para que ele encontre seu espaço nas prateleiras do mundo.

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