Antes da Estante

Viu como se faz… – parte II

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on fevereiro 19, 2009

Paralelamente aos trabalhos voltados à forma do livro, há os que dão a última lapidada no conteúdo. Aí, novamente há duas etapas distintas: a preparação e a revisão.

A primeira, talvez seja a parte mais penosa do processo editorial. O preparador lê o texto com lupa, faz correções gramaticais e – aí temos a parte mais insuportável ­­- padroniza o texto.

No caso do Festa Infinita, por exemplo. A palavra “rave”, um termo estrangeiro, é usado milhares de vezes. Por isso, sabiamente, o preparador optou por não grafá-lo em itálico. Já o termo “ravers”, ganhou apenas o “s” itálico, ficou “ravers”. Como esses há inúmeros detalhes, como números (por extenso ou não), abreviações (quilômetro ou km), gírias (com aspas ou itálico), enfim, um trabalho meticuloso e enfadonho.

Além disso, os bons preparadores, também fazem o trabalho de checador. Ao lerem o texto, buscam identificar possíveis erros e contradições que tenham escapado ao autor.

Mas os preparadores podem se tornar pessoas muito perigosas, e às vezes, sem entender exatamente a construção escolhida pelo autor, simplesmente invertem sentenças, cortam palavras e enfiam desagradáveis vírgulas e travessões em qualquer canto. Para ler mais sobre o assunto, vale uma espiada neste texto do Rubem Alves, na Folha de S.Paulo.

De qualquer forma, ciente destes detalhes desde a publicação de “Cama de Cimento”, fiz questão de ler o texto logo após a preparação. Mais uma vez, reli o maledeto. Perdi a conta de quantas vezes já reli esse mesmo texto. A vantagem disso, é que já sei tudo praticamente de coração, e se tiver uma vírgula fora do lugar, percebo logo de cara.

Mas enfim, li, fiz minhas correções e enviei o texto novamente para a editora. Agora só falta a última etapa que é a revisão. Essa é mais simples: uma última leitura, empreendida por um profissional altamente competente, que busca e destrói os últimos erros gramaticais, ortográficos e de digitação.

Depois, ai, ai, o texto é novamente enviado para este pobre autor, que, mais uma vez relê o calhamaço, agora já com as mãos dolorosamente atadas, sem a possibilidade de fazer qualquer alteração significativa.

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