Antes da Estante

O papel dos papéis

Posted in De Quinta, Jornalismo by Tomás Chiaverini on fevereiro 5, 2009

Finalização do Festa Infinita e andamos às voltas com imagens. Sim, o livro terá fotos. E coloridas, como não podia deixar de ser. Um caderno em papel  especial, com 16 páginas onde haverá, basicamente, dois tipos de foto. As primeiras são imagens de arquivo pessoal, que os personagens do livro juntaram ao longo dos anos.

As segundas, serão registros das mais diversas festas, feitos pelo fotógrafo e raver convicto, Murilo Ganesh.

Mas quando se fala em imagem – ah, a imagem, coisa mais valiosa! – a Ediouro  tem algumas restrições. Fotos onde se reconheça qualquer rosto, só são publicadas se o dono deste qualquer rosto assinar uma autorização.

Nos últimos dias, portanto, junto com Murilo, ando atrás de assinaturas. Ontem fiz uma visita a Dmitri (dono de todo um capítulo do Festa Infinita e conhecido dos freqüentadores do Antes da Estante) para que ele me autorizasse a usar as fotos que ele mesmo me emprestara para escanear.

No ano passado, durante a apuração do livro, encontrei Dmitri várias vezes. Fui à casa dele, gravei horas a fio de conversas abordando assuntos pessoais, íntimos até. Caí com ele na noite paulistana, conheci ex-namoradas e futuras namoradas(?), conheci até a mãe e os cachorros dele. Em nenhum momento Dmitri titubeou antes de abrir sua vida.

Mas ontem, quando saquei a alva folha A4 recheada de termos jurídicos, os cabelos da nuca do DJ semi-aposentado se arrepiaram. Ele leu, releu, olhou pra mim, leu novamente, depois lançou a pergunta:

–    Você não vai colocar nada que me prejudique no livro, não é?

­Eu, de minha parte, usando da mais imbecil honestidade, rebati com a seguinte resposta:

–    Espero que não.

– Espero que não!? – Dmitri exclamou com um misto de surpresa e indignação nos olhos.

Tentando concertar a frase abobalhada, me corrigi afirmando que não, não haverá nada que o prejudique no texto, e mais do que isso, que acredito que ele achará bacana o capítulo sobre sua vida. Tudo verdade, diga-se de passagem.

Ele pensou mais um  pouco, respirou fundo, e assinou com uma canetada rápida antes de me entregar o papel:

– Tá aí, vai – exclamou um pouco contrariado.

E antes que eu entrasse no carro para ir embora, ainda lançou um último aviso.

– Vê lá que eu te mato, hein – e sorriu pra tirar um pouco o peso da frase.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: