Antes da Estante

Errar é jornalístico

Posted in De Quinta, Jornalismo by Tomás Chiaverini on janeiro 29, 2009

Errar. Talvez este seja o verbo mais temido pelos jornalistas. Mas não há com escapar.  O erro é inerente à profissão. Tanto que as publicações jornalísticas mais sérias mantém seções destinadas apenas à correção de deslizes.

Errar num livro, contudo, é certamente mais grave do que errar num jornal diário, num blog, ou mesmo numa transmissão de telejornal. Um livro, por mais obscuro que seja, tem incrível longevidade. Daqui a décadas alguém pode desencavar um volume num sebo qualquer e o erro estará lá, perpetuado quase eternamente.

Além disso, os livros geralmente possuem autoridade maior do que qualquer jornal. São frequentemente considerados fontes mais confiáveis, onde a informação foi checada e rechecada antes de ser finalmente impressa.

Tenho horror a erros. Sou realmente assombrado por eles. E não falo de erros de português, de vírgula ou de grafia, estes são banais e não assustam muito, apenas dão um calor na face quando apontados por um leitor amigo. O que realmente assusta são os erros de apuração. A possibilidade de publicar algo inverídico sobre a vida de alguém, algo que chegue a prejudicar uma pessoa injustamente. Disso eu tenho horror.

E quando digo que tenho horror, não estou exagerando.

Agora que o texto está pronto, às vezes eu acordo no meio da noite, lembro de uma determinada passagem, e sinto uma espécie de frio no estômago quando alguma dúvida paira sobre a precisão ou a veracidade de determinada informação.

Então passo longos minutos lembrando de onde veio aquele dado, com ele foi conferido e, caso a possibilidade de estar errado se mostre provável, penso também nas consequências do deslize.

O pior é que sei que haverá pencas de erros, imprecisões e aproximações no “Festa Infinita”. Não há livro que não os contenha. Muitos deles passarão despercebidos para a maior parte dos leitores, alguns não serão sequer identificados. E espero que nenhum seja realmente sério.

Tendo essa consciência, como leitor-jornalista costumo perdoar erros alheios. Mas não posso negar que, em alguns casos, eles podem demolir a credibilidade de um autor. No próximo post, apontarei um erro bem caprichado, que quase fez com que eu lançasse o best-seller mundial “Gomorra”, pela janela.

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Uma resposta

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  1. JC said, on fevereiro 8, 2009 at 18:11

    Sentimento conhecido, esse.


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