Antes da Estante

Das críticas e outros demônios

Posted in De Quinta, Jornalismo by Tomás Chiaverini on novembro 13, 2008

O texto está pronto. Há ainda um ou alguns capítulos sobre o Universo Paralello, que serão inseridos mais pra frente, já que o festival ocorre durante o reveillon. Essa última parte terá que ser composta meio como aqueles quadros dos pintores impressionistas, que colocavam o cavalete de frente pro mar e pintavam desesperadamente rápido um único e passageiro momento.

Verdade que há sempre um pouco de imediato no jornalismo: há urgência em tornar texto os pensamentos antes que eles sejam filtrados pela memória e se tornem por demais pessoais. Muito da apuração do nosso livro foi assim. Voltar de uma rave, acordar na segunda-feira, ainda com o relógio biológico meio abobado por conta da noite em claro, e despejar todo o fluxo de informações no HD do moribundo Mr. Black (meu laptop, de tão velho, ganhou direito a nome próprio).

Mas, apesar de ser composto dessa forma passional, o grosso do texto (no caso 174 páginas no formato A4, o que equivale a umas 200 e poucas no tamanho livro) vem sendo trabalhado por meses a fio.

As informações são apuradas e reapuradas, checadas e rechecadas. O texto é lido, relido, modificado, relido de novo, invertido, cortado, expandido e relido mais uma vez, infinitas vezes. Ele é tão relido, que chega quase a ser decorado, e há momentos em que acreditamos estar fazendo uma revisão, mas, na verdade, uma boa parte daquilo que estamos lendo é automaticamente preenchida pelo nosso cérebro.

Essa proximidade simbiôntica com o texto torna imperceptíveis não apenas os detalhes gramaticais, de forma, coesão e etc, como também a própria qualidade da obra no geral. Chega uma hora que já não é possível afirmar se aquilo é bom, ruim ou apenas medíocre. O “que merda” e o “do caralho” viram irmãos, e passeiam pelos nossos neurônios ao sabor de fatores externos como humor, cansaço, ou unha encravada.

Nessas horas, há duas coisas a fazer. Colocar o texto pra descansar, e distribuir para amigos que tenham bom senso e sejam capazes de elaborar críticas construtivas.

Foi o que eu fiz. Há mais de 15 dias tenho me controlado pra não olhar para o texto, como um viciado que mantém distância das agulhas. E começo a receber as dolorosas críticas construtivas.

Continua na segunda…

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Uma resposta

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  1. adrio inveriach said, on novembro 14, 2008 at 11:00

    Ihhh! Acho que vc arrumou um problema!!!

    Muito cuidado com as críticas…
    Mesmo que venham de pessoas bem intencionadas elas podem te atrapalhar em vez de ajudar.
    Saõ pessoas que não vivenciaram (detesto essa palavra) o problema. Tem outra visão, ou não tem visão nenhuma, às vezes vão insistir demais em algo que vc não concorda, com argumentos eficazes e de repente te fazem mudar uma idéia que vc já tinha como consolidada.
    E se, como vc disse, distribuiu o texto para vários amigos, a coisa vai complicar mais ainda. Vc vai ter opinões contraditórias vinda de pessoas que vc preza e respeita, mas que podem causar muita confusão.

    Talvez seja bom vc ler as críticas, colocá-las no liquidificador misturá-las e ver o que sobra. Espere o suco assentar no fundo de teus miolos durante essa quarentena.

    Aproveite as informações técnicas, as correções de alguns erros gramaticais e de digitação e evite qualquer sugestão que não seja completamente unânime entre todos esses leitores preview.


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