Antes da Estante

Posted in Extra by Tomás Chiaverini on novembro 28, 2008

Alguns dias de descanso. Novidades a partir do próximo dia 15…

Anúncios

Posted in De segunda, Jornalismo by Tomás Chiaverini on novembro 24, 2008

Pensando na capa…

01e1

… e brincando no Photoshop

011

Foto de Murilo Ganesh

Tagged with: ,

Rave: um fenômeno, infinitas interpretações

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on novembro 20, 2008

Para quem tiver paciência para downloads, vale a pena assistir aos dois vídeos abaixo, pra ver como um mesmo fenômeno pode ser interpretado de formas radicalmente diversas.

No primeiro, temos uma entrevista com o veterano e arguto repórter Zuenir Ventura, no programa Jô Soares. Ele andou freqüentando raves para estabelecer uma comparação entre a juventude atual e a da sua geração, pelos idos da década de 1960/70. O resultado está no livro “1968 – o que fizemos de nós” (Planeta/2008).

Nos outros dois, temos uma reportagem sobre raves produzida e veiculada pelo Fantástico, que enfoca, com propriedade, o lado, digamos, menos divertido das festas.

Tagged with: , ,

Das críticas e outros demônios (continuação)

Posted in De segunda, Jornalismo by Tomás Chiaverini on novembro 17, 2008

boxe_caras Uma das dicas dos manuais para tornar-se escritor (eles existem!) é não deixar que outros leiam seu texto antes que esteja finalizado. Pois eu, como não acredito em manuais (exceto aqueles que ficam no porta-luvas do carro ou que ensinam a manusear o microondas) ignorei o conselho, como conta o post anterior.

E agora que as críticas vêm chegando, sou obrigado a, apenas por um momento, dar o braço a torcer e ver algo de sensato na manutenção do texto em segredo.

Primeiro há o fato de que as críticas negativas têm muito mais peso do que as positivas. Afinal, é muito mais fácil elogiar do que apontar defeitos. Para alguém olhar nos olhos de um escritor e dizer que seu trabalho não é bom, é preciso que o livro tenha realmente desagradado. Mas quando uma pessoa encontra o autor na rua e diz que o texto é bom, ela  pode muito bem estar apenas sendo simpática e educada.

Assim, é óbvio que as críticas negativas têm mais peso. Também é óbvio que elas machucam o orgulho do autor, abalam a auto-estima e às vezes chegam até a tirar o ânimo para continuar o trabalho. Este é o primeiro fator que, ao meu ver, justifica o segredo até a publicação.

Mas há outros. Um dos principais, acho eu, deve-se ao fato de que aqueles que criticam são, assim como aqueles que escrevem, seres humanos. E seres humanos são  incrivelmente diferentes entre si. Nas críticas de leitores diversos que recebi há momentos de completa contradição. A passagem do texto que um apontou como o auge do livro, foi apontada por outro como um ponto falho. E garanto que é difícil imaginar a confusão mental que esse choque de opiniões vem provocando na cabeça deste autor.

Mas, como disse lá em cima, concordo apenas por um momento com a manutenção texto em segredo. Creio que há um ponto do trabalho em que as críticas são, sim, necessárias, e que, com elas, a qualidade da obra será superior. Vários erros e pequenas contradições do texto foram pescados por meus estimados leitores críticos.

Quanto à confusão na cabeça do repórter, bem, ela faz parte de um processo tão longo como a elaboração de um livro. Ainda mais de um livro que usa elementos artísticos (portanto subjetivos), para falar sobre fatos reais (portanto imutáveis).

E quanto à auto-estima do pobre repórter, bom, ela tem que ser suficientemente sólida para resistir às pancadas. Tem que saber se esquivar daquelas que não são merecidas e receber as que são sem ir à lona.

Agradecimentos, portanto, a Adriana Yazbek, Arpad Spalding, Bruno Bartaquini, Dario Chiaverini e João Carlos Magalhães.

Das críticas e outros demônios

Posted in De Quinta, Jornalismo by Tomás Chiaverini on novembro 13, 2008

O texto está pronto. Há ainda um ou alguns capítulos sobre o Universo Paralello, que serão inseridos mais pra frente, já que o festival ocorre durante o reveillon. Essa última parte terá que ser composta meio como aqueles quadros dos pintores impressionistas, que colocavam o cavalete de frente pro mar e pintavam desesperadamente rápido um único e passageiro momento.

Verdade que há sempre um pouco de imediato no jornalismo: há urgência em tornar texto os pensamentos antes que eles sejam filtrados pela memória e se tornem por demais pessoais. Muito da apuração do nosso livro foi assim. Voltar de uma rave, acordar na segunda-feira, ainda com o relógio biológico meio abobado por conta da noite em claro, e despejar todo o fluxo de informações no HD do moribundo Mr. Black (meu laptop, de tão velho, ganhou direito a nome próprio).

Mas, apesar de ser composto dessa forma passional, o grosso do texto (no caso 174 páginas no formato A4, o que equivale a umas 200 e poucas no tamanho livro) vem sendo trabalhado por meses a fio.

As informações são apuradas e reapuradas, checadas e rechecadas. O texto é lido, relido, modificado, relido de novo, invertido, cortado, expandido e relido mais uma vez, infinitas vezes. Ele é tão relido, que chega quase a ser decorado, e há momentos em que acreditamos estar fazendo uma revisão, mas, na verdade, uma boa parte daquilo que estamos lendo é automaticamente preenchida pelo nosso cérebro.

Essa proximidade simbiôntica com o texto torna imperceptíveis não apenas os detalhes gramaticais, de forma, coesão e etc, como também a própria qualidade da obra no geral. Chega uma hora que já não é possível afirmar se aquilo é bom, ruim ou apenas medíocre. O “que merda” e o “do caralho” viram irmãos, e passeiam pelos nossos neurônios ao sabor de fatores externos como humor, cansaço, ou unha encravada.

Nessas horas, há duas coisas a fazer. Colocar o texto pra descansar, e distribuir para amigos que tenham bom senso e sejam capazes de elaborar críticas construtivas.

Foi o que eu fiz. Há mais de 15 dias tenho me controlado pra não olhar para o texto, como um viciado que mantém distância das agulhas. E começo a receber as dolorosas críticas construtivas.

Continua na segunda…

Igreja do trance divino?!

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on novembro 10, 2008

Cada uma que essa raça humana inventa…

Ossos do ofício

Posted in De Quinta, Jornalismo by Tomás Chiaverini on novembro 6, 2008

Nessa fase final da apuração, ando concentrado em checar as informações do texto. A conduta é vital para o jornalismo sério, e há diversos meios de comunicação que mantém profissionais cuja única e exclusiva função é conferir os dados apurados pelo repórter.

Aliás, a Piauí deste mês publicou o perfil de Adam Sun, um desses checadores, colaborador da revista, falecido recentemente. Quem tiver curiosidade sobre o ofício pode acessar a matéria por aqui.

No caso de um livro-reportagem, geralmente essa checagem também é feita, mas o foco está mais nas questões gramaticais do que nas informações propriamente ditas. E quando as informações tornam-se por demais especializadas, fica ainda mais complicado comprovar sua acurácia (que linda palavra esta, me senti o próprio Mino Carta!).

Assim, procuro eu mesmo conferir ao máximo os dados do texto, de preferência confrontando fontes diversas. Erros sempre passam, mas nosso objetivo é torná-los raros ao extremo.

Nesse processo, o que vem me dando mais trabalho é a história da música eletrônica, seus gêneros, subgêneros e nomenclaturas. Há muita gente apaixonada pelo assunto, e “nativos” desse universo costumam fornecer informações de acordo com suas preferências musicais, o que acaba por embananar de vez a mente deste pobre repórter.

Pois na tentativa de dirimir as dúvidas remanescentes, marquei uma entrevista com o editor da revista DJ Mag, especializada em música eletrônica.

Piti Vieira me recebeu ontem, de bom grado, mas pareceu um pouco encafifado quando tirei meu bloquinho e comecei a desfiar uma série de cabulosas e cabeludas perguntas. Ele respondeu algumas, foi prestativo, consultou arquivos em seu laptop, e me indicou outros especialistas. Mas aquele estranhamento inicial continuou até o término da entrevista.

Só quando estava indo embora, Piti esclareceu a situação. Ele achava que eu tinha ido até ele para dar uma entrevista sobre o livro, não para entrevistá-lo. Essa nunca tinha me acontecido antes.

A boa notícia é que, além de me ajudar com algumas dúvidas, Piti deixou a porta aberta para uma possível matéria, por ocasião do lançamento.

Publique seu livro agora. Pergunte-me como. (Última Parte)

Posted in De segunda, Jornalismo by Tomás Chiaverini on novembro 3, 2008

Depois de muita insistência e de uma vasta coleção de respostas padrão negativas, finalmente uma editora havia se interessando em publicar Cama de Cimento (ver posts anteriores). Mas então, quando já era possível pensar em detalhes como capa e estratégias de venda, Quartim, o dono da editora Conex, me deu a perturbadora notícia de que a sociedade com o grupo Nobel estava sendo desfeita.

Ele mesmo não sabia fazer prognósticos precisos sobre seu futuro como editor. Todos os projetos iniciados estavam em suspenso até segunda ordem, Cama de Cimento incluso. Mais uma vez, não havia nada que apontasse para a possibilidade de publicação, a não ser o otimismo de Quartim, que, durante os meses em que fiquei a importuná-lo, não cansava de repetir.

– Calma rapaz…. As coisas acabam se ajeitando.

E, apesar da minha falta de calma, após uns quatro ou cinco meses de agonia, as coisas realmente começaram a se ajeitar. Quartim abandonou a marca Conex com o grupo Nobel e, depois de um longo período de incerteza, tornou-se um editor associado da Ediouro, um mega-grupo, dono de selos diversos (Nova Fronteira, Agir, Prestígio, etc.) e que disputa a liderança do mercado editorial brasileiro com o grupo Record.

A notícia era excelente. A simples possibilidade de ter o primeiro livro publicado por uma das maiores editoras do país, tirou o sono deste repórter por noites a fio. Mas ainda não era certeza. Para ser publicado pela Ediouro, qualquer livro tem de ser aprovado por um exigente conselho editorial, que, via de regra, rejeita a maior parte dos títulos.

Então, em uma tarde qualquer do mês de abril de 2007, atendi o meu ramal provisório na redação da Folha de S.Paulo, e do outro lado da linha ouvi a voz sempre calma e otimista de Mr. Q.

– Pode soltar os rojões, rapaz. Seu livro acaba de ser aprovado pelo conselho editorial.

Alguns meses mais tarde, lá estava eu, na refinada Livraria da Vila da alameda Lorena, autografando livros que eu mesmo havia escrito, e ainda sem acreditar em toda a montanha russa que havia me levado até lá.

%d blogueiros gostam disto: