Antes da Estante

Ossos do ofício: isto é USP

Posted in De segunda, Jornalismo by Tomás Chiaverini on outubro 6, 2008

As paredes descascadas, as lages com infiltração e as divisórias improvisadas dos prédios, moldados numa retrógrada arquitetura moderna, já sugerem haver algo emperrado nas engrenagens da maior universidade do país.

E quem já freqüentou aquelas salas moribundas sabe que, além do descaso evidente para com as edificações há uma série de outros: para com as lousas arranhadas, as carteiras manquitolas e os professores desiludidos, transformados em gravadores empoeirados tocando fitas de rolo mofadas.

Mas nada disso se compara à quantidade de ferrugem que  se acumula nos mecanismos da assessoria de imprensa. O órgão, que deveria ser responsável, ente outras coisas, por lançar toda a pesquisa de ponta que é feita na USP (e há muita pesquisa de qualidade) para as manchetes nacionais, é uma espécie de polvo sem cabeça.

Repórteres que ligam para certas unidades em busca, por exemplo, de indicação de especialistas para comentar algum assunto específico, são atendidos, vejam só, pela secretária do diretor, que, com aquele mau-humor típico de funcionário público, olha para uma lista de ramais pregada sobre sua mesa e indica um nome de forma aleatória.

Portanto, assim como a maioria dos meus colegas, sempre que preciso falar com alguém da USP, tento contornar a assessoria de imprensa de qualquer forma.

Foi o que fiz semana passada. Depois de ler a excelente tese de doutorado da antropóloga Rita Amaral, fucei por algum tempo na internet e encontrei um contato de e-mail da pesquisadora. Escrevi me apresentando, apresentando meu trabalho e pedindo que ela dispusesse algo como uma hora de seu tempo para me conceder uma entrevista.

A resposta:

“Caro Tomás,
Tudo que tenho a dizer sobre festas está na tese. Não tenho nada de muito novo pra dizer e como meu tempo é curto, não dá para aprofundar , ainda menos pessoalmente, questões com todos que me pedem isso. Por isso coloquei a tese na Internet.
Boa sorte com seu livro.
Abraço
Rita”

E o mais incrível, caros leitores do Antes da Estante, é que todo esse eficiente e azeitado organismo é financiado com o seu, com o meu, com o nosso rico dinheirinho!

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3 Respostas

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  1. adrio inveriach said, on outubro 6, 2008 at 22:55

    Bem você deve contratar uma missa pra agradecer que a pedestálica ilustríssima altíssima meretissima nobilissima escreveu cinco linhas pra vc.
    Sabe lá o que é isso?
    Imagine quantos segundos do precioso tempo a doutíssima perdeu com um rélis mortal…

    Mas… a respeito da CUASO (!)

    Não concordo com “retrógrada arquitetura moderna”

    Realmente… os prédios estão mal conservados e tiveram seu espaços detonados por divisórias improvisadas… provisórias permantentes.
    Na CUASO da Usp tem prédios sensacionais, como o da História ( aquelas rampas formavam um espaço deliciosíssimo), o da FAU (do Artigas), e o cirquinho da Poli…

    Nada de retrógados…

    Eram lugares muito agradáveis… a turma ficava lá, papeando, passeando e curtindo justamente a beleza do concreto…. as formas livres.. As colunas da Fau são verdadeiras esculturas! Pena que a usp está nesse abandono… é o retrato da educação brasileira!!

  2. Tomás Chiaverini said, on outubro 7, 2008 at 14:01

    Pois então, caro Ádrio,
    Talvez você esteja certo novamente. Acho que o correto seria “obsoleta arquitetura moderna”. Obsoleta no sentido funcional, não estético.
    Ou não.

  3. Bruno said, on outubro 7, 2008 at 21:44

    Putz….


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