Antes da Estante

Ossos do ofício: roubado duas vezes num puteiro do centrão

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on setembro 22, 2008

Pois então, sexta passada, lá estava eu em um puteiro do centro da cidade, na companhia de Dmitri Rugiero, fundador do núcleo de festas Mega-Avonts e importante personagem do nosso livro.

Já vou avisando, para os leitores mais conservadores do Antes da Estante, que a referida casa de tolerância, encontrava-se desativada para sediar uma espécie de rave indoor.

Ainda havia luzes de neon roxo e palcos com aqueles postes prateados, onde uma ou outra garota de biquíni se exibiu durante algum tempo, mas, para fins libidinosos tradicionais, o estabelecimento estava mesmo desativado.

Mas, enfim, vamos ao primeiro roubo: paguei 5 reais por uma lata de Skol quase na temperatura ambiente. Aliás, paguei 5 reais por várias latas de Skol quase na temperatura ambiente, porque cheguei ao local por volta das onze da noite de sexta, hora em que Dmitri abriu a pista, e não saí antes das cinco da manhã. O primeiro roubo, portanto, repetiu-se algumas vezes.

O segundo roubo aconteceu quando a madrugada já ia mais do que alta. Novamente paguei os cinco reais por uma cerveja, apoiei a lata no balcão do bar enquanto guardava a carteira no bolso e quando virei para apanhar novamente a cerveja, ela havia evaporado. Não apenas a cerveja, mas a lata também.

Olhei em volta em busca do precioso líquido dourado e, bem ao meu lado, havia um rapaz magro, baixo, usando uma camisa ridiculamente florida e com a expressão do rosto posta numa inacreditável cara de paisagem. E na sua mão, evidentemente, havia uma lata de cerveja que não estava lá antes, e que se parecia incrivelmente com aquela que eu havia acabado de comprar.

Eu me aproximei do sujeito, e com a boca quase colada na sua orelha repulsiva, perguntei polidamente:

– Você roubou minha cerveja?

Ele deu de ombros e continuou com aquela cara abobada de paisagem. Eu me aproximei mais, até quase sentir o cheiro de desodorante barato, e perguntei de novo, agora já quase afirmando:

– Você roubou minha cerveja?!

Ele então se virou com uma careta retorcida, balançou um pouco de bêbado, e esticou a lata em minha direção, simplesmente devolvendo o produto do roubo. Eu, da minha parte, lembrei dos conselhos que minha mãe sempre me dá quando freqüento puteiros: “Vê lá onde põe a boca, meu filho”.

Então simplesmente fiz um gesto de desprezo e me virei para o outro lado, apenas para topar com uma amiga do sujeito que, vendo que eu conversava com ele, achou-se no direito de também conversar comigo:

­- Você é amigo do fulaninho? – (desculpem esqueci o nome da figura)

– Não, ele só acabou de roubar minha cerveja.

– Ai, putz – exclamou a menina meio sem jeito – Ai, dá um desconto pra ele, porque, ai putz, ele é supermeuamigo, mas é que as drogas tipo comeram o cérebro dele.

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2 Respostas

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  1. Tomás Chiaverini said, on setembro 23, 2008 at 14:11

    Ok, o WordPress mudou o design da página sem avisar ninguém. Ficou mais feio e confuso, mas a qualidade do conteúdo deve permanecer a mesma.

  2. […] atrás de assinaturas. Ontem fiz uma visita a Dmitri (dono de todo um capítulo do Festa Infinita e conhecido dos freqüentadores do Antes da Estante) para que ele me autorizasse a usar as fotos que ele mesmo […]


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