Antes da Estante

Degustação: Rica Amaral toca na rave Xxxperience

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on setembro 18, 2008

Foram horas e mais horas de conversa, leituras e mais leituras de tudo o que já foi publicado sobre o DJ,  noites e mais noites apenas circulando por seu restaurante (o Chácara Santa Cecília), e uma viagem a Ribeirão Preto.

Mas, por fim, creio que temos um perfil caprichado do DJ Rica Amaral, que se espalhará por três capítulos do livro, amarrando e sendo amarrado pela história das raves no Brasil.

Abaixo, coloco três parágrafos que estarão na porção final do perfil, uma espécie de clímax da história de Rica. Os fatos narrados abaixo foram colhidos na madrugada do último dia 7, pouco depois de quase passarmos dessa para melhor, como contei aqui há duas semanas.

Depois de cruzar a aquela multidão sendo agarrado, apalpado e cumprimentado, Rica Amaral sobe pela lateral do palco e pontualmente às cinco horas da manhã, dez minutos depois de ter acordado no banco de trás do taxi de seu Zé, ele está pronto, e pergunta para uma moça da produção se já é hora de começar o set. Mas o line-up atrasou um pouco, e Rica ainda espera uns trinta minutos antes de entrar no palco, diante de um telão de uns quatro metros de altura.

Antes de assumir a CDJ, ele pede que a produção apague as luzes voltadas para a mesa de equipamentos. Explica que o DJ não pode ser um pop-star, que ele não está ali protagonizando um show de rock e que seu objetivo é fazer as pessoas dançaram, transcenderem pela música. Para isso, quanto menos aparecer, melhor.

Às cinco e trinta e três da manhã, vestindo uma jaqueta camuflada fechada até o pescoço, Rica coloca o fone de ouvido, insere um CD, ajusta alguns botões, e marca o ritmo das pancadas suaves que se iniciam, pac, pac, pac, como se seu dedo indicador fosse a baqueta do baterista virtual, pac, pac, pac e outras batidas descompassadas vão aparecendo e o pac, pac, pac continua, e a pista parece suspensa apenas esperando pelo que virá, e então, como se aplicasse um golpe de karatê, com a outra mão, o DJ anuncia a entrada do bumbo e tum, tum, tum, pronto, já era, todos estão pulando, gritando e assobiando como se fizessem parte daquela máquina musical comandada por Rica.

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