Antes da Estante

O repórter e o raver

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on setembro 15, 2008

Uns sete ou oito meses atrás, sentado numa daquelas mesinhas de mármore do bar do Genésio, eu conversava com meu amigo JC sobre uma idéia que começava a tomar forma na minha cabeça, uma idéia maluca e despropositada, de escrever um livro-reportagem sobre raves.

Engessado pelo esquemão quadrado da grande imprensa, onde ainda hoje está atuando, meu estimado colega se empolgou de cara e, antes mesmo que eu fosse capaz de pronunciar a palavra psytrance, pegou no meu braço, se inclinou para frente e abriu um sorriso levemente assustador:

– Cara, se torne um raver – exclamou articulando bem as palavras. – Mergulhe de cabeça nesse mundo que vai ser um livro docaralho!

Desde então, venho tentando seguir os sábios conselhos de JC. Fui a um punhado de festas e até me descambei para o interior de Goiás num ônibus fretado, em companhia de 40 malucos, para participar dos cinco dias de música ininterrupta do festival Trancendence.

Mas acho que foi só neste último fim-de-semana, mais precisamente no sábado, dia 13, que, ao menos por algumas horas, realmente me tornei um raver. Pela primeira vez fui a uma festa sem o intuito de atuar como repórter.

Até levei minha bolsa, com bloco de anotações, caneta e gravador (vai saber), mas não usei nada disso. A fim de me ajudar a manter distância segura da reportagem, consegui arrastar minha namorada e um amigo – ambos virgens no mundo das raves -, para debaixo das tendas flúor da Earth Dance. Ainda encontrei outro colega da época da faculdade por lá, este um raver ocasional.

Assim, como simples amigos num sábado à noite, participamos do ritual de abertura que aconteceu ao mesmo tempo em 300 cidades de 80 países ao redor do mundo, dançamos por umas boas horas ao som do psytrance, comemos hambúrguer de soja, fizemos compra na lojinha de roupas raver, tomamos chuva e quase atolamos o carro na volta pra casa (com o doloroso prejuízo de uma lanterna traseira, esmigalhada contra o tronco duma árvore).

Já durante o percurso de volta, contudo, o repórter voltou a dominar a situação. E enquanto tentava enxergar a estrada debaixo de uma chuva grossa que não dava trégua, tratei de cobrir meus dois acompanhantes com uma avalanche de perguntas sobre suas primeiras impressões a respeito daquele barulhento fenômeno dançante.

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2 Respostas

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  1. adrio inveriach said, on setembro 16, 2008 at 00:53

    Pois é… me contaram que quando ele era peq

  2. adrio inveriach said, on setembro 16, 2008 at 00:57

    A mensagem foi enviada antes de terminar….

    Como eu ia dizendo… me contaram que quando ele era pequeninho adorava ouvir Haendel junto com o pai dele!

    Sic transit gloria mundi!!!


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