Antes da Estante

Ossos do ofício

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on setembro 8, 2008

Pouco depois das três e meia da madrugada deste domingo, encontrava-me a percorrer o quilômetro 165 da rodovia Anhanguera. Meu transporte era um táxi extremamente confortável, com direito a bancos de couro e filmes de DVD. Como companhia, além de seu Zé, divertido motorista que sabe tudo sobre a vida dos principais DJs brasileiros, estava Rica Amaral.

Já disse aqui no blog, mas não custa repetir, que Rica será um dos principais personagens do livro. Por isso, eu havia me metido naquela viagem insólita, rumo a uma fazenda de cana em Ribeirão Preto, onde ocorreria a última edição da rave Xxxperience. A idéia era observar o DJ em ação.

Havíamos saído de São Paulo por volta da uma e meia da manhã, Rica tocaria às cinco, e Ribeirão ficava a mais de 300 quilômetros de distância. Assim, não havia tempo a perder e seu Zé pilotava a uma velocidade média de 140 quilômetros por hora, alcançando picos de 160 com facilidade.

Naquela hora, contudo, estávamos mais devagar, a uns 120, porque observávamos um carro na nossa frente, que descrevia perigosos zigue-zagues na pista, como se o motorista estivesse bêbado ou cochilando ao volante. Eu viajava no banco dianteiro e Rica ia atrás, devorando um pacote de batatinhas.

Quando seu Zé diminuiu a velocidade, um pouco receoso de ultrapassar o outro veículo, Rica debruçou-se entre os dois bancos dianteiros, e por algum tempo ficamos a observar os movimentos do outro carro, torcendo para que ele não saísse da pista e se esborrachasse contra algum outro veículo.

A possibilidade era remota, porque a estrada estava muito vazia, havia duas pistas largas e lisas, separadas das outras duas que voltavam por um amplo canteiro gramado.

Nós continuávamos observando, seu Zé esperava a hora para ultrapassar, quando, subitamente, vimos uma luz estranha crescer diante de nós. O carro que ia em zigue-zague desviou para a pista da direita. Como que por instinto, sem saber do que se tratava a luz, seu Zé achou por bem fazer o mesmo. Diminuiu ainda mais a velocidade e encostou à direita, seguindo o motorista que parecia bêbado.

Foi o tempo exato para evitar o choque com um outro veículo que vinha em alta velocidade, na contra-mão. Ele passou por nós como um fantasma, sem dar sinais de luz alta, sem tocar a buzina, apenas seguindo adiante naquela velocidade vertiginosa, à espera do encontro com o inevitável.

E nós também seguimos adiante. Tudo aconteceu tão rápido que não houve tempo para sustos.

Duas horas depois, Rica Amaral tocava no palco da Xxxperience, tentando não se desconcentrar com uma garota que, debruçada nas grades de proteção diante do palco, gritava sem parar:

“Ricaaaaa, te amôÔÔÔÔ!”.

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4 Respostas

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  1. Danita said, on setembro 9, 2008 at 14:20

    caraca.

    aposto que era a Lygia! rsrs.

  2. […] foram colhidos no último dia 6, pouco depois de quase passarmos dessa para melhor, como contei aqui há algumas […]

  3. Aline said, on dezembro 16, 2008 at 20:13

    Nossa, que situação!!!

  4. […] do antes da estante devem lembrar-se que esta não foi a primeira vez que um veículo desgovernado atentou contra a apuração do livro. Coincidência? Sei não, hein… « […]


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