Antes da Estante

De volta às origens

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on setembro 1, 2008

Boa parte dos cabelos vem emaranhada em tufos dreadlocks. As cores preferidas para saias rodadas, calças folgadas, batas e ponchos são aquelas de tonalidades naturais, do marrom ao verde musgo. Há rostos pintados com traços de tinta vermelha, e há aquela música, aquele ensurdecedor e repetitivo tambor eletrônico.

É impossível, portanto, olhar para uma pista de dança de uma rave ou festival sem traçar um paralelo imediato com alguma arquetípica festa tribal. E essa semelhança, às vezes, surpreende até os mais envolvidos com o fenômeno raver.

Há quase dois meses, na pista de dança do Trancendece, Alok, o organizador do Universo Paralello, olhou em volta, depois se virou para mim empolgado e sentenciou:

“Isso é uma incrível experiência antropológica pós-moderna.”

E eu fiquei pensando nisso.

E fiquei olhando a pista, aquele monte de gente pulando num Kuarup eletrônico, cuja fonte de energia estava no som repetitivo e hipnótico do psytrance… Então comecei a pensar na história da música eletrônica.

O psytrance evoluiu do house e do techo. O house e o techno vieram da disco-music, que veio do rock. O rock veio do blues. O blues evoluiu a partir das work-songs, músicas cantadas pelos escravos americanos, que certamente se inspiravam nos sons da África tribal, que devia ter muito em comum com o psytrance.

Dá o que pensar não?

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9 Respostas

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  1. JC said, on setembro 2, 2008 at 20:47

    Sei lá, mano. Nunca estive numa festa tribal. Talvez eles TENTEM se aproximar a uma IDÉIA pré-concebida do que é TRIBAL. Por que saias e tranças e cores de tonalidades naturais e rostos pintados são tribais? Minha resposta: é isso o que aparece no CINEMA. E essa referência indireta tratada como verdade é, de fato, bem pós-moderna.

  2. Tomás Chiaverini said, on setembro 2, 2008 at 21:09

    Certamente que um rave é, como diria minha professora de semiótica, um simulacro de ritual tribal.
    Mas a música repetitiva, a dança e o transe estão lá assim como estavam e estão nos referidos rituais. Aí eu acho que há um paralelo, ainda que os propósitos de uma rave sejam completamente diferentes de uma festa dos índios Guarani, por exemplo.

  3. adrio inveriach said, on setembro 2, 2008 at 22:14

    Não sei se já falei o que vou colocar aqui… se falei vou repetir…

    O que acho muito interessante é como a super hi-tech acaba gerando produtos elementares como linguagem, e como processo de comunicação.
    Como o Tomás disse, nessas festas, todo esse aparato eletrônico gera um tipo de música bastante rudimentar como linguagem. Ritmo quadrado e repetitivo ao extremo, harmonia ridículamente tosca e praticamente não existe melodia.

    A internet usa uma tecnologia de pontíssima e está lotada de bobagens. No orkut, existem comunidades com nomes interessantissimos e 99% do que as pessoas falam é lamentável. Nos recados todo mundo iskrevi erradu di porpósito mensagens como kkkk, rrsss, alo kabçon, sem dizer nada!

    A tv agora entra com uma tecnologia pesadíssima, telas de plasma, tv interativa, satélites, e uskimbau, pra passar seriados americanos idiotas, filmes idiotas e nos domingos o brasileiro tem a felicidade de optar por gugu ou faustão!

    Parece que a hi tech se basta por ela mesmo e as pessoas ficam tão embasbacadas com o aparato técnico que param de pensar…

    Aliás, uma pessoa bem informada hoje é algo totalmente anacrônico. Pra que estudar, e aprender um monte de coisas e ser bem informado? Digite o que vc quer saber naquele momento e o google taí…

    Será que a super hi tech vai nos deixar tapados mesmo?

  4. luiz said, on setembro 3, 2008 at 15:12

    Meu amigo, vc errou completamente sobre as origens musiciais do psy trance, errou mto, não passou nem perto

    O PT tem origens tão tribais qto a própria festa, os índiso do alto xingu tocam psy, as tribos nomades da mongólia tocam psy em seus rituais xamãs. Mas vc quer saber como chegou até aqui, né. A dica é Goa – Índia

    Te recomendo fortemente uma matéria do http://www.spyte.com.br Titulo, renascimento do trance. É so um aperitivo pra vc começar a enender o q procura. aliás o site é jornalisticamente falando mto bom.

    Essa tese de evolução da rebeldia do rock, do woodstock, bobagem, esquece tudo isso, inclusive Zuanir Ventura. PT tem mais relação com yoga do que com rock

    Vc acertou em fazer o blog pra estudar esse assunto, mas ele é bem maior doq se pensa.

  5. Tomás Chiaverini said, on setembro 3, 2008 at 16:20

    Caro Luiz,
    Algumas considerações sobre seu comentário:
    1) Não. Eu não errei sobre as origens do psytrance. E minhas fontes vão muito além de sites da internet, como você mesmo pode conferir, no link “leituras relacionadas” do meu blog.
    O goa-trace (que depois tornou-se psytrance), criado em Goa como vc mencionou, evouiu a partir do trance europeu. O trance europeu evoului do house e do techno, ambos criados na década de 1980, nos EUA. O house e o techno evoluíram a partir da disco-music que possui diversos elementos do rock.
    2)Não. Os índios do alto Xingu não tocam psytrance. Quanto às tribos nomades da mongólia tenho poucas informações, mas, pelo que vi no documentário “Camelos Também Choram” não parece haver nada parecido com psytrance nas tribos de lá.
    3)O termo xamã não tem nada a ver com raves ou psytrance. Ele foi criado Por Mircea Eliade para se referir a rituais religiosos presentes em diversas tribos de etnias variadas ao redor do planeta. O pajé, de certas tribos brasileiras, por exemplo, na visão de Eliade, pode ser considerado um xamã.
    4) Existe sim muita influência do movimento hippie na chamada cultura trance. Quando as festas precursoras das atuais raves surgiram em Ibizza, havia muitos hippies envolvidos. E o hoje mitológico estado de Goa encontrava-se repleto de hippies remanescentes do Woodstock, quando o pessoal do trance europeu, techno e house criou o goa-trance.
    5)Eu não criei um blog para estudar esse assunto, eu estou escrevendo um livro sobre ele.
    Agradeço pela sugestão de leitura e espero vê-lo por aqui com mais freqüência.

  6. adrio inveriach said, on setembro 4, 2008 at 11:51

    Acho que o comentário do Luiz confirma mais ou menos o que eu escrevi.
    A internet pode ser uma fonte infinita de informações, mas está cheia de disparates.
    Como fonte para a realização de algo sério é bastante duvidosa…

  7. Tomás Chiaverini said, on setembro 4, 2008 at 16:17

    Google logo existo.

  8. adrio inveriach said, on setembro 5, 2008 at 13:21

    PÔ MEU!

    “Google logo existo”

    Essa é muito boa!
    É o lema do inicio do séc XXI!!!

  9. Thi2pra1 said, on novembro 27, 2008 at 19:33

    Com todo respeito,vcs estão viajando demais em tentar explicar o inexplicável.Música eletronica ou qualquer tipo de música são simplesmente ondas se propagando graças ao ar.O que cada ser sente quando entra em contato cm essas ondas é o grande barato da música.Eu ñ vivo sem música por uma escolha minha.E lembrem-se:A música ñ tem culpa de nada…….Peace……


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