Antes da Estante

O Psytrance e o materialismo histórico

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on agosto 25, 2008

Ontem, numa mesa de bar (mais precisamente numa almofada do novo projeto do DJ Rica Amaral, na Chácara Santa Cecília), eu me ocupava em discutir com uma amigo a respeito do tema levantado no post anterior.

Geógrafo formado, e já um pouco a par do andamento do “Projeto Rave”, Arpad Reiter, lançou mão do nosso bom e velho Marx para dar um exemplo de como as ciências humanas poderiam ser bem aplicadas na explicação do fenômeno das raves.

Falava em particular sobre a mercantilização e massificação da cultura neo-hippie presente nas primeiras raves ­– um processo recorrente no capitalismo.

No passo seguinte passamos a debater sobre a necessidade desse processo ser explicitado como uma teoria no livro. Quer dizer, ao contar a história das festas, essa transição de uma “cultura legítima” para uma “mercadoria”, estará implícita no texto.

Os que possuem formação marxista, irão olhar e dizer, “ah, aí estão os dedos do neoliberalismo”. Outros irão apenas refletir sobre o assunto, e outros irão passar batido sem nem se apegar a esse detalhe.

Para esses últimos talvez fosse de alguma utilidade gastar uns dois ou três parágrafos para apontar o dedo e dizer: vejam, um processo inerente ao modo de produção capitalista. Mas talvez eles seriam os primeiros a pular os parágrafos mais teóricos.

Por isso, em relação aos comentários do post anterior, tendo a pender mais para o lado de Ádrio do que de JC.

8 Respostas

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  1. adrio inveriach said, on agosto 26, 2008 at 00:37

    Bem, parece que a História se repete (será que foi Marx que falou isso?)

    O movimento hippie, era bem contestatório… um movimento contra a alienação pelo trabalho (e pelo consumo), acho que era até anti-capitalista… Contra essa estória de trabalha trabalha trabalha gasta gasta gasta, que é o grande motor do capitalismo.

    Acho que era mais sério e profundo do que festas rave…. afinal festa é festa. Havia uma certa filosofia embasando tudo. Aparecia como um perigo para o establishment.

    O Sistema inteligentemente não proibiu nem reprimiu…
    O movimento foi engolido pela “mercantilização e massificação” de que fala nosso Tomás, transformando-se em venda de discos, bottons, margaridas e outros produtos industrializados, além de alienação pelo consumo desvairado de alucinógenos, fuga da sociedade, liberação sexual…

    Isso rolou há uns quarente anos, algum cientista social deve ter analisado o assunto, e os trabalhos devem estar por aí. Tais trabalhos poderiam entrar numa lista bibliográfica para os leitores que se interessarem em maiores aprofundamentos teóricos.
    Infelizmente, taí uma área que conheço pouco. Peço a outros frquentadores deste perfumadíssimo bleorghh, que tenham mais conhecimento na área, forneçam dicas ao nosso jovem e promissor reporter.

  2. adrio inveriach said, on agosto 26, 2008 at 00:42

    Puxa eu acabei me esquecendo que os hippies eram pacifistas, contra a guerra do vietnã que acabou envolvendo centenas de milhares de jovens americanos!!
    Por isso que tiveram que ser neutralizados rapidamente!!!

  3. Bruno said, on agosto 26, 2008 at 05:38

    Leia Baumann, criatura.

  4. Danita said, on agosto 26, 2008 at 12:46

    meu assunto favorito.

  5. Tomás Chiaverini said, on agosto 26, 2008 at 13:41

    Então, quanto aos hippies, pelo que andei lendo, no início eles não queriam nada muito além de curtir a vida.
    Depois, com ajuda da música, aquela cultura hedonista se espalhou e acabou chegando à política. E com um presidente como o Nixon e uma guerra como a do Vietnã, ficava difícil não surgir um movimento passifista.
    E hoje… Bem, hoje quem acredita que uma passeata pode mudar alguma coisa?

  6. JC said, on agosto 28, 2008 at 15:02

    Pôxa, eu acredito. HAHAHAHA.

  7. Tomás Chiaverini said, on agosto 28, 2008 at 15:04

    Justo você JC!?

  8. adrio inveriach said, on agosto 29, 2008 at 22:27

    discurpe a inguinorança…. mas que Baumann a criatura recomenda pra lermos?


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