Antes da Estante

No proximo outono, você vai se emocionar…

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on agosto 28, 2008

Oito meses após o início da apuração, assinei contrato com a Ediouro. Nele, entre outras cláusulas sempre levemente assustadoras, me comprometo a entregar os originais do livro até o dia 28 de fevereiro de 2009.

E se tudo correr como o planejado, o livro deve estar nas melhores livrarias em maio do ano que vem, no mais tardar.

Época boa porque, de acordo com meus conselheiros astrais, o outono é a estação ideal para plantar novas sementes.

Ou seria a primavera?

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Em campo

Posted in Extra by Tomás Chiaverini on agosto 27, 2008

Mais uma página criada no Antes da Estante.

Agora, no link “Raves  visitadas”, será possível saber que eventos foram xeretados, espionados e dissecados para a elaboração do livro.

Está ali à direita, embaixo do “Leituras Relacionadas (em ordem de ocorrência)”.

O Psytrance e o materialismo histórico

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on agosto 25, 2008

Ontem, numa mesa de bar (mais precisamente numa almofada do novo projeto do DJ Rica Amaral, na Chácara Santa Cecília), eu me ocupava em discutir com uma amigo a respeito do tema levantado no post anterior.

Geógrafo formado, e já um pouco a par do andamento do “Projeto Rave”, Arpad Reiter, lançou mão do nosso bom e velho Marx para dar um exemplo de como as ciências humanas poderiam ser bem aplicadas na explicação do fenômeno das raves.

Falava em particular sobre a mercantilização e massificação da cultura neo-hippie presente nas primeiras raves ­– um processo recorrente no capitalismo.

No passo seguinte passamos a debater sobre a necessidade desse processo ser explicitado como uma teoria no livro. Quer dizer, ao contar a história das festas, essa transição de uma “cultura legítima” para uma “mercadoria”, estará implícita no texto.

Os que possuem formação marxista, irão olhar e dizer, “ah, aí estão os dedos do neoliberalismo”. Outros irão apenas refletir sobre o assunto, e outros irão passar batido sem nem se apegar a esse detalhe.

Para esses últimos talvez fosse de alguma utilidade gastar uns dois ou três parágrafos para apontar o dedo e dizer: vejam, um processo inerente ao modo de produção capitalista. Mas talvez eles seriam os primeiros a pular os parágrafos mais teóricos.

Por isso, em relação aos comentários do post anterior, tendo a pender mais para o lado de Ádrio do que de JC.

O jornalista e o filósofo

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on agosto 21, 2008

Discussões em mesas de bar fazem parte da elaboração de qualquer livro-reportagem que se preze, imagino eu. Nessas ocasiões é comum amigos me questionarem sobre o significado de tudo isso. Por que esse movimento acontece? O que está por trás dessas raves que nunca terminam? Qual é o papel da festa na existência humana e como ele se modificou ao longo da história?

As raves são um movimento de fuga, de busca, de catarse? As raves são um movimento?

E eu também, durante toda a apuração estive cozinhando a massa cinzenta em busca de respostas a questionamentos que vão além do factual ou, mais do que isso, que vão além do material. Sim, porque ao ler certas teses de sociologia ou filosofia, tenho a impressão de que as investigações e considerações feitas ali têm mais a ver com o universo sobrenatural do que com o mundo real.

Mas há diversas questões que rondam minha existência raver nos últimos meses. Uma das mais comuns diz respeito à identidade cultural desse movimento. Ao contrário dos hippies, nós nunca veremos os ravers saindo às ruas reivindicando algo ou tentando fazer o pentágono levitar para parar uma guerra.

Nesse ponto em questão eu até cheguei a algumas conclusões, com ajuda do nobre colega Zuenir Ventura e seu mais recente livro sobre a juventude atual: “1968 – O que fizemos de nós (Planeta/2008)”.

Quem ler o livro poderá avaliar.

Mas na maioria das vezes em que tento avançar na seara filosófico-sociológica algo sempre me parece errado. Seria fantástico se esse livro pudesse se tornar uma espécie de retrato da nossa geração, uma radiografia da juventude atual, espelhada nesse incrível e barulhento fenômeno que são as raves.

Pena que o autor talvez não tenha as ferramentas necessárias para ir além da descrição, simples, direta e objetiva.

Mas fica a pergunta: será que é necessário ir além disso?

Projeto “rave” estréia na imprensa especializada.

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on agosto 18, 2008

Segue abaixo a abertura da entrevista que dei para o site Essential, do Limão:

FALAMOS COM… Tomás Chiaverini. Jornalista. 27 anos. Autor do “Cama de Cimento”, livro que narra a vida dos moradores de rua da cidade de São Paulo. Por hora está trabalhando no seu segundo livro, ainda sem título, que explora o fenômeno da cultura trance.

Rapaz de rosto simpático e perguntas curiosas. Um belo ouvinte. Aquele tipo de pessoa que você pode ficar por horas conversando que o assunto nunca acaba. Ele observa tudo. Participa em silêncio. Não entra na dança. É profissional, diria.

O conheci por acaso na viagem para o Festival Trancendence, em que estávamos no mesmo ônibus participando da rota de 25 horas até Alto Paraíso, em Goiás. Tomás colhia material para o seu livro. Era novato no mundo das festas eletrônicas, e já encarava um festival como o Trancendence.

Tomás se sentava no banco atrás do meu. Nas paradas dividíamos um dedo de prosa e um cigarro a tira colo. Mas seu maior companheiro era um bloco de folhas amarelas e uma caneta bic. Ele sempre anotava algo. Isso intrigava a mim e a todos que estavam naquele ônibus. A pergunta que corria entre os acentos: Como será que vai ficar esse livro?

Em entrevista ao Essential, ele conta como está sendo a elaboração do livro, que despertou a curiosidade da galera. Explica também o que o levou a ser jornalista, e como chegou até os livros. E, claro, quais suas pretensões com o seu novo título e como está sendo essa novidade em sua vida, afinal, ele está passando por tudo que um bom raver passa, ou já passou…

Confira, vale a pena!

Operação Trancendence

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on agosto 14, 2008

Durante três das cinco noites do festival Trancendence, a Polícia Civil de Goiânia esteve presente numa operação para coibir o tráfico e o consumo de drogas.

Eram quinze agentes, um delegado e três escrivões. Um total de dezenove policiais que, diariamente enfrentavam os quarenta quilômetros de terra da estrada que levava à festa para passar os dias em uma pousada de Alto Paraíso.

Assim, gastando o dinheiro dos contribuintes, essa brilhante operação autuou 73 pessoas que, quando muito, terão de pagar uma multa, mas, muito provavelmente, serão apenas repreendidas verbalmente por um juiz do interior.

O que mais impressiona, contudo, é a quantidade pantagruélica de drogas apreendidas: 131 gramas de maconha, 45 gramas de haxixe, 19 pontos de LSD e 8 gramas de maconha.

Ou seja, se apenas um daqueles policiais virasse de ponta cabeça a mochila do sujeito que dormia na barraca ao lado da minha, provavelmente iria economizar um bocado de tempo e dinheiro público.

Talvez até achasse uns comprimidinhos de ecstasy para deixar o flagrante mais colorido.

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O Ecstasy numa visão cômico-publicitária

Posted in Extra by Tomás Chiaverini on agosto 13, 2008

Andamento

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on agosto 12, 2008

Já temos 143 páginas de texto no formato A4, o que equivale a pouco mais de 200 páginas no formato de livro.

Nas primeiras oitenta e poucas páginas, temos um primeiro capítulo, que narra uma rave do começo ao fim; e temos uma coleção de perfis de DJs, produtores e personalidades do meio que se misturam a dados históricos e curiosidades sobre os bastidores das festas.

Depois temos mais cinqüenta e tantas páginas, que se constituem basicamente na descrição das venturas e desventuras de um grupo de ravers durante o festival Trancendence, em Goiás. Para isso, acompanhamos os festeiros desde o embarque em um ônibus fretado em São Paulo, até passeios pela Chapada dos Veadeiros, após os cinco dias de festa.

A idéia inicial, de que essa narrativa seria intercalada aos primeiros capítulos, foi abandonada. Poderia até se tornar um exercício narrativo interessante, mas, como freqüentemente ocorre com obras que abusam dos malabarismos estilísticos, acabaríamos por perder em objetividade e clareza.

Assim, os capítulos sobre o Trancendence devem ter a honra de finalizar o livro. Em todas as 140 páginas ainda temos uma porção de enxertos sobre consumo, história e tráfico de drogas; sobre mecanismos de produção e comercialização de música eletrônica; sobre moda; sobre sexualidade; enfim, toda uma gama de informações a respeito desse barulhento mundo de diversão e êxtase.

Então está bom. Temos começo, meio, fim. Tudo pronto, no ponto e perfeito? Rodem as prensas?

Evidente que não.

Ainda falta abordar dois temas de peso. Um é a proibição das raves, que está se tornando comum nos municípios de São Paulo e, se um projeto que tramita na Câmara dos Deputados for aprovado, acabará com as festas em todo o estado (pelo menos as legais). O outro é mais divertido: a montagem do festival Universo Paralello, que ocorre na Bahia e é a mãe de todas as festas brasileiras.

Mas se é só isso, o livro está praticamente pronto?, indagariam os leitores mais ansiosos.

Infelizmente a resposta é não mais uma vez.

O que temos nas 140 páginas escritas é o texto bruto. Muitas das informações que estão lá terão de ser checadas, conferidas. Depois serão cortadas, ampliadas ou modificadas e cada parágrafo será lido, relido e reescrito umas três ou quatro vezes.

Além disso, durante todo esse tempo, a apuração continua. Os personagens dessas páginas serão entrevistados muitas vezes mais, e novas histórias surgirão e serão cirurgicamente inseridas no texto que vai ficando cada vez mais redondo e suculento como uma manga madura.

Degustação: trecho da viagem ao festival Trancendence

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on agosto 7, 2008

Quando surgiram as primeiras pontes, passarelas apodrecidas de madeira, assustadoras como gargalhadas banguelas, os dois motoristas até se intimidaram por alguns instantes. Pararam o ônibus, deixaram os faróis clarearem bem o caminho, mas não desistiram nem mesmo quando perceberam que realmente não havia caminho a seguir.

O nordestino desceu com sua barriga quadrada metida numa daquelas camisas de micro-fibra, e caminhando como um velho caubói foi até a cabeceira da ponte, olhar de perto o desafio que os esperava. Com as mãos apoiadas na cintura ele examinou aquele tablado falho coberto de poeira. Depois se agachou e começou a redistribuir as tábuas soltas de forma a permitir a passagem do mastodonte de metal. Foi encaixando os pedaços de madeira e avançando para o outro lado, até chegar novamente na terra esburacada e firme da estrada. Dali virou-se para o colega que esperava aflito na direção, e com um único gesto do braço direito, ordenou que a espaçonave avançasse.

Obediente, ela veio. Devagar, silenciosa, adernando como um navio encalhado na arrebentação, ameaçando a qualquer momento despencar para o meio do mato. Os ravers que olhavam pela janela durante a travessia não conseguiam sequer ver a ponte, que era da largura exata da carroceria de lata, senão um pouco mais estreita. Mas o ônibus vinha, adernando e tateando. Como um gigantesco cavalo que se arrisca sobre um mata-burro, ele foi lentamente avançando. E alguns dilatados instantes depois, finalmente alcançou o outro lado em segurança.

– Puta que pariu, isso daqui é pra matar a gente do coração – exclamou o motorista magro, enquanto o outro voltava a se acomodar orgulhoso ao seu lado na cabine.

Divagações: amigos ou personagens

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on agosto 4, 2008

Rica Amaral é um dos nomes mais importantes do universo raver brasileiro. Foi um dos primeiros a tocar (e a mixar) psytrance por aqui, atualmente é um dos DJs mais requisitados e bem-pagos do mercado nacional, e foi o fundador do núcleo de festas Xxxperience, que hoje promove as maiores raves do país.

Conversei com Rica pessoalmente duas vezes até o momento, sem contar trocas de e-mails e telefonemas. Somadas, as entrevistas devem totalizar umas seis horas de áudio gravado e estamos combinando outros encontros, provavelmente para que eu o acompanhe no trabalho.

Nas duas ocasiões em que conversamos ao vivo, o DJ me recebeu em sua casa, me ofereceu um caprichado café expresso com leite, me apresentou para seu filho pequeno e para sua mãe (que estava por lá cuidando do neto), e me emprestou livros e DVDs sobre mundo das raves.

Rica Amaral será um dos principais personagens da nossa narrativa. A partir de sua história de vida, irei abordar o universo das festas visto do ponto de vista dos organizadores dos eventos.

O casal que aparece junto comigo na foto acima (tirada durante o festival Trancendence, em Goiás), cujos nomes provavelmente não estarão no texto final, irá emprestar suas histórias para que eu mostre o mundo das raves a partir do ponto de vista inverso, daqueles que participam, que curtem as festas.

Convivi com eles durante dez dias. Saí de São Paulo no ônibus da excursão em que os dois viajavam, passei cinco dias acampado ao lado deles durante o Trancendence, e depois ainda me hospedei na mesma pousada, e gastei alguns dias grudado nos dois, percorrendo trilhas e cachoeiras da Chapada dos Veadeiros.

Durante as horas que estive com Rica e os dias que passei com o casal, colhi histórias fantásticas, curiosas, divertidas e até dramáticas. Posso dizer, que conheço relativamente bem essas pessoas e que sou capaz de descrever detalhes de suas vidas particulares com certa propriedade.

Ao mesmo tempo, um outro fenômeno acabou ocorrendo: me tornei amigo deles.

E quando estou escrevendo, por mais que tente esquecer o fato de que eles irão ler aquilo tudo, não há como disfarçar a existência de uma pontinha de preocupação. Será que estou sendo canalha com esse caras? Será que determinada frase vai deixá-los ofendidos ou magoados? E, principalmente, se há essa possibilidade, será que aquela frase é essencial, tem que estar no texto final?

A já combalida imparcialidade, acaba sofrendo duros golpes diante dessa proximidade toda.

Por outro lado, em alguns momentos, confrontando os primeiros rascunhos do texto sobre Rica, escrito após nosso primeiro encontro, com o outro, elaborado depois do segundo contato, percebi que o último está muito melhor. Não só pelo fato de que a apuração está mais completa, mas também porque algumas frases daquelas que poderiam deixá-lo chateado, foram deletadas.

E olhando para elas agora, percebo que não foram apagadas apenas por um receio quanto ao que Rica acharia delas. Foram limadas do texto porque eram preconceituosas, apegavam-se a um estereótipo que talvez a imagem do DJ passasse a mim num primeiro momento, e que, após um contato mais profundo, se mostrou infundado.

Portanto, lembrando do que sempre diz meu amigo que deixou de ser jornalista para trabalhar com índios isolados no interior da Amazônia: “foda-se a imparcialidade. O que realmente importa é o compromisso com os fatos” e, no caso, com a essência humana dos personagens.

Mais um dia no escritório

Posted in Extra by Tomás Chiaverini on agosto 3, 2008

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