Antes da Estante

Voltando ao Mago

Posted in De segunda by Tomás Chiaverini on julho 28, 2008

Há quase um mês, postei um texto sobre a incrível história de vida do mais bem sucedido autor nacional, senhor Paulo Coelho de Souza. Na época, estava lendo a biografia escrita por Fernando Morais e fiz algumas considerações, principalmente sobre as vivências do escritor, o que acabou gerando uma breve discussão a respeito dos motivos que o levaram a se tornar o mais traduzido autor de nosso tempo.

Terminei de ler “O Mago” (Planeta/2008 ) há uns vinte dias e fiquei ligeiramente decepcionado com o final do livro, com uma carta, um tanto insossa, escrita por Paulo Coelho, destinada a Fernando Morais.

Outro elemento que pode decepcionar alguns leitores decorre do fato de que Morais não gasta muito tempo buscando explicar os misteriosos fatores que transformaram Paulo Coelho em fenômeno planetário.

De qualquer forma, é possível notar certos ingredientes que vão além de alguma suposta qualidade místico-literária-mercadológica no texto do mago imortal.

Quando lançou seu primeiro livro, Paulo Coelho já era um milionário, devido às letras compostas em parceria com Raul Seixas. Isso permitiu que ele injetasse um bom tanto de dinheiro na divulgação de seus livros. O autor chegou, por exemplo, a pagar a diversas rádios para que inserissem comentários positivos sobre sua obra na programação. Uma espécie de “jabá” literário.

Paulo também não economizava esforços na divulgação nem se furtava a desempenhar papéis pouco convencionais, dando entrevistas sobre seus poderes sobrenaturais e deixando-se fotografar de capa, espada e óculos escuros ­- o que fazia a alegria de entediados editores dos cadernos de cultura.

Além das performances bizarras para a imprensa, Paulo fazia e ainda faz de tudo para vender livros. Quando era desconhecido, passava noites distribuindo panfletos em filas de cinema. Agora que é mundialmente famoso, se auto-promove em seções de autógrafo surpresa, principalmente no exterior, onde é um verdadeiro pop-star.

Nessas ocasiões, entra em uma livraria qualquer, chama o gerente, apresenta-se como o escritor Paulo Coelho e se oferece para autografar seus livros. Enquanto isso, um sem número de admiradores já começa a se aglomerar ao seu redor , esteja ele na França, na Turquia ou no Egito

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4 Respostas

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  1. Renata said, on julho 28, 2008 at 23:31

    Apesar da falta de aprofundamento em relação à fama, achei o final do livro a parte mais interessante, era o que eu estava esperando o tempo todo – ler sobre sua caminhada para a fama e como lida com ela. Admirou-me o quanto ele valoriza seus leitores/fãs. Como comentei no meu blog, a trajetória dele antes do primeiro livro não me pareceu nem um pouco interessante, em parte porque não acredito em absolutamente nada sobrenatural (então todas as “experiências” dele me parecem papo furado) e em parte porque esperava alguém ativo, influente, e não foi o que encontrei…
    Abraços e obrigada por passar lá no blog!

  2. orlando said, on julho 31, 2008 at 02:39

    Meu jovem Walraff, o que você esperava??? Um diário íntimo com revelações inenarráveis??? Tudo sobre o terceiro segredo de Fátima e sexo com extra-terrestres??? Bem……….. Depois que você comentou li partes do livro. Bem escrito, interessante, ao mesmo tempo tedioso e, por vezes, superficial. Mas quem sou eu para tal comentário… apenas um leitor. Já era de se esperar.
    Quanto ao seu, acompanho ávido e feliz suas narrativas e me transporto para as cenas vividas. É engraçado que em geral acho raves um saco, mas suas narrativas me deixam curioso. Bacana. Espero que você custure tudo com uma informalidade linguística que remeta à atmosfera das raves, da preparação, da chegada e da ressaca do fim de maneira “onomatopéica”. Nada de linguagem tradicional… não estou falando de invencionices nem de clichês babacas (até porque sei que isso não tem nada em comum com você), mas de quebrar um pouco a formalidade… sabe? Continua, que tá bom pacas.

  3. orlando said, on julho 31, 2008 at 02:50

    Voltei. Sabe, embora eu reconheça sua formação jornalística, sua isenção (pretensa) quanto a emitir juízo de valor, sua preocupação com a informação e não com a informação qualquer, mas com aquilo que você considera essencial (aí o juízo de valor), creio que você poderia investir mais no artesanato da palavra, dar o clima do que você viveu de maneira a ter uma narrativa mais comprometida sensorialmente, se é que estou me fazendo entender… O Cama de Cimento é bárbaro, mas aquela direção é apropriada àquele assunto. Duro, fatal, desesperador e simples. Aqui, temos um ambiente quase de “glam rock”, um comprometimento atitudinal que disfarça uma série de nuaces menos traduzidas ao senso comum que aquelas dos moradores de rua. Você já pensou em entrevistar alguém do ramo da Psicologia sobre o assunto? Vamos lá meu jovem, se lance a essa aventura…

  4. Tomás Chiaverini said, on julho 31, 2008 at 14:12

    É isso aí. Para o alto e avante!

    Certamente que a linguagem aqui será muito mais festiva ou, como diriam os ravers mais empolgados, psicodélica. Algo como Tom Wolfe em “O teste do ácido do refresco elétrico”, mas com o cuidado de não cair no exagero o que, na minha modesta opinião, aconteceu com Mr. Wolfe neste livro.
    Aliás, acho que já deve ter dado pra perceber um pouco disso nos trechos que coloquei.
    Em breve mais amostras gratis.


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