Antes da Estante

Projeto sob ameaça!

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on junho 26, 2008

Pois é, caros leitores do Antes da Estante, sinto informar-lhes que o projeto do livro-reportagem sobre raves está perigosamente ameaçado.

Não, não são problemas de orçamento, de censura editorial ou de criatividade. A coisa é muito mais séria. Trata-se da vontade e disposição deste que vos escreve.

Afinal, depois de todo o esforço para convencer editores; de todas as preocupações com formato, apologias, originalidade, imparcialidade, pluralidade, estética, estilo, precisão, fluência, coesão, marketing, gramática e humor; depois de tudo isso, de noites em claro montando as informações já obtidas e aquelas por vir; ou de noites mal dormidas e pontuadas por sonhos repetitivos como o psytrance; depois de tudo isso, corremos o risco de terminar impressos em um rolo de papel higiênico.

É isso mesmo. Saiu no Jornal Nacional e, portanto, é a mais pura verdade: uma editora espanhola vem ganhando dinheiro ao imprimir os mais diversos textos em rolos de papel higiênico. O Brasil é um grande consumidor da mercadoria e assim, nomes como Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes vêm sendo lidos no banheiro e depois, digamos que estejam sendo… reciclados, na mais ingrata das tarefas.

Eles, ao menos estão mortos e, caso não tenham simplesmente retornado ao pó, provavelmente chegaram a um nível espiritual ainda mais elevado do que haviam alcançado em vida e, lá do alto do éden literário, não se importariam em acabar… reciclados.

Já para nós, que restamos vivos, a perspectiva é mesmo de tirar o ânimo.

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7 Respostas

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  1. Bruno said, on junho 26, 2008 at 16:29

    Larga de ser preciosista, seu animal de teta. Se vc for desanimar com cada idéia idiota desse mundo, não sai da cama.

  2. orlando said, on junho 26, 2008 at 17:33

    Citando aqueles dois gaúchos, sucesso dos anos 80/90, “Triste vida, triste sina, ser poeta de latrina”. Quanto à ameaça, onde fica a resistência para defeder seus credos??? Avante!

  3. orlando said, on junho 26, 2008 at 17:36

    De pé, ó vítimas da fome!
    De pé, famélicos da terra!
    Da ideia a chama já consome
    A crosta bruta que a soterra.
    Cortai o mal bem pelo fundo!
    De pé, de pé, não mais senhores!
    Se nada somos neste mundo,
    Sejamos tudo, oh produtores!

    Bem unidos façamos,
    Nesta luta final,
    Uma terra sem amos
    A Internacional.

    Messias, Deus, chefes supremos,
    Nada esperemos de nenhum!
    Sejamos nós quem conquistemos
    A Terra-Mãe livre e comum!
    Para não ter protestos vãos,
    Para sair deste antro estreito,
    Façamos nós por nossas mãos
    Tudo o que a nós diz respeito!

    O crime do rico a lei o cobre,
    O Estado esmaga o oprimido.
    Não há direitos para o pobre,
    Ao rico tudo é permitido.
    À opressão não mais sujeitos!
    Somos iguais todos os seres.
    Não mais deveres sem direitos,
    Não mais direitos sem deveres!

    Abomináveis na grandeza,
    Os reis da mina e da fornalha
    Edificaram a riqueza
    Sobre o suor de quem trabalha!
    Todo o produto de quem sua
    A corja rica o recolheu.
    Querendo que ela o restitua,
    O povo só quer o que é seu!

    Nós fomos de fumo embriagados,
    Paz entre nós, guerra aos senhores!
    Façamos greve de soldados!
    Somos irmãos, trabalhadores!
    Se a raça vil, cheia de galas,
    Nos quer à força canibais,
    Logo verá que as nossas balas
    São para os nossos generais!

    Pois somos do povo os activos
    Trabalhador forte e fecundo.
    Pertence a Terra aos produtivos;
    Ó parasitas, deixa o mundo!
    Ó parasita que te nutres
    Do nosso sangue a gotejar,
    Se nos faltarem os abutres
    Não deixa o sol de fulgurar!

  4. Tomás Chiaverini said, on junho 26, 2008 at 18:49

    Ê-hehehehe. Ironia, minha gente, ironia.

  5. Adrio Inveriach said, on junho 30, 2008 at 01:00

    Acho que devemos levar muito a séiro a possibilidade de imprimir em papel higiênico.

    gostaria aqui de provar que a cagada, isto é, o ato de defecar é um dos grandes momentos do ser humano no planeta terra.

    Vejam que devido a importância do ato, ele é certamente um momento de prazer. Devo aqui desconsiderar as cagadas´patológicas, como as prisões de ventres ou as hemomorroidas. Falo de uma cagada normal, daquelas que a gente está com vontadae e quando vem o ato de liberação dos dejetos fecais ( acho que merda é mais bonito) é uma cosa muito gostosa.
    Quando a gente chega meio “apertado”, a senção de prazer físico ´poderia ser comparado a um orgasmo (com uma certa dose de exagero).

    Como biólogo, posso afirmar que uma das princiipais funções dos animais, é recilar, r os nutrientes

  6. Adrio Inveriach said, on junho 30, 2008 at 01:28

    Estou usando um notebuc e o mause é uma porcaria… esbarrei nele e ele enviou o texto anterior antes de eu termintar.
    não corrigi
    senção… sensação
    e recilar…. reciclar.

    Então, como ia dizendo… a cagada infelizmente foi apropriada pelo capitalismo internacional (vejam o Hino acima) e passamos a executar tal ato num ambiente completamente artificial cheio de gadgets impostos pelas multinacionais, como vasos sanitários, válvulas de descarga, azulejos com tintas tóxicas, chuveiros que consomem uma quantidade absurda de energia, algo como o equivalente a dezenas de lampadas acesas, pastilhas aromatizantes, detergentes perfurmados… etc.

    Cagar no mato é algo de sublime… a gente sabe que dentro de poucas horas, nosso coc ô, já serviu de alimento prum monte de bichos e o que sobra serve de adubo.

    Para nossos ancestrais que cagavam no mato, esse momento era um momento de comunhão com a natureza.

    Portanto ler um texto interessante no papel higiênico talvez seja uma forma moderna de revalorizar esse ato tão telúrico.
    Problemas somente teriam aqueles leitores muito complexos, que gostam de fazer anotações no livro que estão a ler.

    E, veja prezado jovem jornalista, que se o seu leitor exlamar… este livro é uma merda, vc nunca saberia se ele está xingando ou elogiando!!!

    Bem… acho que cabe aqui mais algumas reflexões. Deixo-as aos outros membros frequentadores deste perfumadíssimo blog

  7. Tomás Chiaverini said, on junho 30, 2008 at 14:48

    Ok, ânimo reestabelecido.


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