Antes da Estante

Conclusão – Sentindo na pele

Posted in Extra by Tomás Chiaverini on junho 11, 2008

5h28

Bebo água. Não sinto vontade, mas bebo porque sei que tenho. Maxilar sem chiclete seria insuportável.

DJ ruim atrapalha. Estou calmo. Mente a mil, mas calmo.

Murilo fica lá em cima como uma santidade hindu. [um dos organizadores da festa, já entrevistado]

Putz, esses barulhinhos. Parecem insetos brilhantes.

5h32

Tenho que oferecer essas anotações para pesquisa.

Cara tenta arrumar briga tirou um pouco meu êxtase e carregou energia da pista.

Nada mais agradável do que música eletrônica. Labareda. [show de pirofagia]

5h36

DJ ruim atrapalha muito, mesmo assim é bom.

5h43

Bebo mais água sem vontade. Desse estranho, espessa.

5h55

Acendem a Respect. [letreiro com nome da festa pega fogo]

Efeitos do Ecstasy começando a baixar. Estou um pouco surdo. Efeitos colaterais. Chill Out parece um cemitério, gente deitada jogada no chão. [outra saída da pista para conferir andamento da festa]

Pista bombando. Perna pesada, mas preciso voltar para pista. Nunca tive tanta lucidez e noção do meu físico.

Quando me aproximo da pista os efeitos parecem aumentar.

06h02

Muita gente entrando, barracas lotadas, fila para tudo, pra comprar ficha, pra comprar cerveja, pra comprar água.

Ficar aqui sem ter tomado nada não deve ser coisa boa.

Passa muito rápido. Assim como bate, passa muito rápido.

Vista de cima a pista parece um formigueiro.

Deitar descansar um  pouco. Um pouco de calor, suando bastante. [me deito no gramado, perto da pista]

06h06

Sem sono nenhum, o dia começa a amanhecer. Eu estou deitado no chão, olhando o céu, o sol nascendo iluminando as nuvens. A música continua.

Não está me incomodando, pelo contrário. Agradável. Muito cheio. Poderia me incomodar se eu estivesse sóbrio, eu sei disso, mas não me incomoda agora.

06h11

As pessoas passam e quase pisam na minha cabeça e eu não ligo. A festa em si parece não importar muito sob efeito do  ecstasy. Experiência individual. Música é tudo o que importa.

Mas agora que estou aqui, deitado no chão, olhando par ao céu, parece bem melhor do que se eu estivesse num clube na cidade.

Poderia dormir se quisesse. Mas não parece necessário.

Efeito do maxilar passou. Mas ainda tem um bom tanto de ecstasy. Me sentido muito bem. Apesar de não ter vontade de dançar, música continua agradável.

06h15

Mente continua muito acurada, mais do que nunca. Não existe nóia. Posso ficar deitado na grama sem me preocupar com o que os outros estão pensando.

Se tivesse outro ecstasy eu tomava agora.

Amanhã: efeitos colaterais…

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Uma resposta

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  1. Seleta de links « Idéias e etc said, on fevereiro 9, 2009 at 00:33

    […] na pele as sensações de um ravers, ou seja, um freqüentador de rave. O relato está aqui, aqui, aqui e aqui. Apesar de jovem, esse é o seu segundo livro, o primeiro é “Casa de cimento” […]


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