Antes da Estante

Ossos do ofício

Posted in De Quinta by Tomás Chiaverini on maio 15, 2008

Um bom repórter nunca se cansa. Vai atrás da informação a todo custo, enfrenta nevascas, florestas selvagens, desertos escaldantes e intermináveis congestionamentos.

Já o carro de um bom repórter pode muito bem se cansar ou, como um burro xucro, revoltar-se com a falta de atenção durante os 135 mil quilômetros de serviços prestados, e empacar em plena Teodoro Sampaio no pico da hora de rush.

O bom repórter, contudo, terá um celular com bateria e, depois de intrepidamente encostar o carro no meio-fio enfrentando toda a sorte de xingos e buzinaços, argutamente ligará para o serviço de guincho de seu seguro.

Depois sacará de seu organizadíssimo bloco de anotações onde terá o contato do entrevistado, o que lhe permitirá desmarcar a reunião sem maiores constrangimentos.

E o bom repórter, ao contrário de seu carro, nunca descansa. Por isso, enquanto espera o guincho junto ao rotundo mecânico do seguro, ele aproveitará par angariar algum tipo de informação, algum tipo de informação que a um simples mortal pode até parecer inútil, mas aos olhos do bom repórter podem se revelar um conselho de indispensável utilidade sócio-econômica.

E então o bom repórter virá aqui nesse espaço virtual e tornará pública as informações bravamente colhidas naquela noite de frio e caos urbano. A saber:

Quando seu carro quebrar e você estiver à espera do socorro, mantenha o capô aberto. Isso manterá os marginais afastados. Sim, porque, de acordo com o técnico rotundo, há um sem número de histórias de motoristas agredidos por bandidos que não acreditaram no argumento de que o carro havia quebrado e, por meio da violência, tentaram forçar o dono do veículo a desativar um inexistente sistema de alarme.

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2 Respostas

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  1. Danita said, on maio 17, 2008 at 02:30

    cada dia mais emocionante! haha!

  2. orlando said, on maio 19, 2008 at 00:53

    Tomás, tenho um pedido a lhe fazer. Que tal você publicar comentários sobre matérias suas, no passado? Você conseguiria um pouco de fôlego para ver o que realmente trará ao blog, sobre o novo livro; ao mesmo tempo que demonstraria essa “veia” investigativa e a origem disso no seu trabalho! Que tal? Estou, na verdade, advogando em causa própria. Explico: os conflitos na área da Raposa Serra do Sol tem ocupado as manchetes de muitos veículos. Mas tudo o que leio leva um tom favorável aos fazendeiros – não que eu seja contra eles, nada disso, estou tentando me informar, para tirar uma opinião sobre o assunto. Como sei que você, a despeito da violência (que os fazendeiros praticam contra os índios), procurar ser imparcial; e que muito tempo decorreu desde de sua estada lá, gostaria de lhe ouvir sobre o assunto. O que você me diz?


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