Antes da Estante

Sentindo na pele – continuação

Publicado em Extra por Tomás Chiaverini em Junho 10, 2008

- 4h52

Luzes lazer voam. Parece divertido. Mas nada se compara ao som. Baixos.

Cabeça a mil, não consigo parar de pensar. Otimismo. Sucesso. Preocupação apologia. Vai tudo dar certo.[pensamentos e sentimentos eram em relação ao livro]

4h53

Esses barulhinhos!

Não consigo parar de anotar. Quero dançar.

Clareza mental, mente muito mais ágil. Focada na experiência, no livro. Quero baixos, graves.

5h01

Não sinto o tempo passar. Não vou mais guardar o bloco. Posso ficar aqui sendo espancando pelo resto da vida. Esses Barulinhos! Anoto no escuro cada vez mais.

5h03

Não quero pular, mas meu corpo se move, principalmente cabeça. Esses barulinhos. Entendo porque alguém pode morrer desidratado.

Mais perto. 10 metros. [distância das caixas de som] Prejudicial, sem dúvida, mas muito melhor. Minha calça vibra e massageia pelos das pernas.

Boca seca. Chiclete bom. Esses barulhinhos. Me desequilibro. Não estou tonto, mas música me levanta. Se pulasse cairia.

5h05

Deviam distribuir ecstasy no pescoção. [pescoção é gíria jornalísica para a jornada extra feita na sexta-feira para terminar o jornal de domingo, geralmente acaba por volta das 5h de sábado]

5h08

Maxilar incontrolável. Chiclete bom. Música me comanda. Foda-se o Dj. Música. [considerações sobre importância do DJ, que me pareceu muito pequena]

5h10

Me seguro para não anotar tanto. Viver. Mas quero anotar. Mente a mil. Sinto a textura do papel na ponta da caneta. Maxilar enche o saco.

Esses barulhinhos. Me preocupo se bloco não vai acabar. Anoto letra menor. Pirulito não parece má idéia.

Encontro amiga. Sem vontade conversar.

5h14

É feito para E, sem dúvida. [música eletrônica]. Enxergo no escuro.

Pista muito cheia. Fora, multidão. Meninas e meninos brincam com elástico, muita gente. [Saí da pista para conferir como a festa progredia]

5h20

Há fila para tudo, mas não me importo porque não preciso de nada. Talvez outro bloco.

Me afasto da pista. Barulinhos me perseguem. Maxilar. Mordo bochecha. Banheiro mulheres fila impossível. Visão meio embaralhada. [no claro]

Fora da pista é impossível. Ah, que beleza é a pista e suas luzes roxas. Menina do encontrão pára e me olha.

QUERO MAIS . Fim do livro. [foi uma idéia de como terminar o livro, dizendo precisar de mais festa]

Se a festa acabasse agora seria horrível.

Continua amanhã…

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10 Respostas

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  1. orlando disse, em Junho 10, 2008 às 17:28

    Hehehe! Depois ninguém entendia os beat-nicks…. muito bom meu caro Tomás! Imagino – esses barulhinhos – o livro! Sex, drogs and eletro!

  2. Papai disse, em Junho 11, 2008 às 00:03

    Oh! Onde foi parar meu filhinho!!!

    Que Horror. E eu que me sacrifiquei tanto por ele….

  3. Adrio Inveriach disse, em Junho 11, 2008 às 13:00

    É isso mesmo, presado tomás, essas drogas estimulantes levam o consumidor ao paraíso. E aí onde mora o perigo… o demônio tem que parecer lindo para seduzir!

    Mas o que gostaria de saber é se o Ecstasy dá ressaca.
    Porque a cocaina chupa em o tudo o que te dá… e mais um pouco.

    Assim que vc terminar de descrever essa tua experiência voltarei a comentar sobre o assunto.

  4. Adrio Inveriach disse, em Junho 11, 2008 às 13:01

    Ih, acho que prezado é com Z!!!

  5. Tomás Chiaverini disse, em Junho 11, 2008 às 13:11

    Não se preocupe, caro Ádrio,

    Assim que terminar a viagem coloco os efeitos colaterais.

  6. Tomás Chiaverini disse, em Junho 11, 2008 às 13:54

    E pois é, meu pai. Isso certamente é fruto de uma vida familiar conflituosa…

  7. orlando disse, em Junho 12, 2008 às 21:55

    O problema do seu “pai” é que a identidade secreta dele foi dedada pelas mandalas! Um troço místico… Hehehe

  8. Tomás Chiaverini disse, em Junho 12, 2008 às 23:24

    Vixe desmascarou. E pior que ele é meu pai mesmo.

  9. Adrio Inveriach disse, em Junho 15, 2008 às 21:42

    Ih, caramba… Meu disfarce ficou pior do que os óculos do Clark Kent.

    PÔ, ´Tomás, vc poderia ter dito que o Adrio é um amigo do teu pai…. que sempre te chama de meu filho, ou algo parecido…
    Como Ádrio eu me sentia mais a vontade pra tecer os comentários.

    AAAntâunnn… vou continuar como Ádrio.

    aaabbbrrrrçççççssssss

  10. Seleta de links « Idéias e etc disse, em Fevereiro 8, 2009 às 18:54

    [...] sentir na pele as sensações de um ravers, ou seja, um freqüentador de rave. O relato está aqui, aqui, aqui e aqui. Apesar de jovem, esse é o seu segundo livro, o primeiro é “Casa de [...]


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