Sentindo na pele
Nem os mais ferrenhos defensores das raves podem negar que o Ecstasy está intimamente ligado com a cultura das festas desde seu início até hoje. Portanto, creio que um livro sobre o assunto deve tratar o tema de forma profunda.
Assim, li vários artigos e teses sobre a droga, colhi depoimentos de quem usou, e conversei com especialistas diversos. Mesmo assim, achei que nada poderia se comparar à vivência da experiência na pele. E estava certo. Precisamente às 3h30 da manhã deste sábado, tomei uma pílula verde com um smiles gravado em baixo relevo e, meia hora depois, fui para a pista de dança de uma rave próxima a São Paulo.
Como já mencionei outras vezes nesse espaço, não sou grande fã de música eletrônica e, por volta das 4h, a música ainda parecia um tanto desagradável e alta demais. Então, às 4h 20, tudo mudou. Permaneci por cerca de 3 horas na pista, dançando suavemente.
Enquanto isso, mesmo no escuro e cercado de gente, anotei cerca de 70 páginas no meu bloquinho. As anotações são precisas e, creio eu, preciosas. E achei que seria interessante colocá-las aqui sem filtro, do jeito que anotei, o que faço a seguir.
Como há muita coisa, vou colocar aos poucos ao longo da semana. Nos pontos que achei necessário, fiz anotações posteriores, que estão entre colchetes. O resto está como anotei, exceto pela pontuação que inseri posterioremente.
Segue, portanto, a transcrição do que anotei:
- 4h20 ! [ ponto de exclamação foi tudo que consegui anotar quando efeitos começaram]
Enjôo, náusea, vazio na boca do estômago, bom.
Se você não entendeu a mensagem não é pra você. [essa frase era repetida na música]
Ruiva me olha. Não ligo.
Som me envolve, chão vibra junto com meus órgãos. Efeitos sonoros me envolvem, me cercam, me levantam do chão e me fecham. Não quero estar em nenhum outro lugar. Quero que todos os meus entes queridos estejam aqui, suspensos pela música junto comigo.
Chega de anotar, tenho que voltar a sentir.
Pausa. [na música, coisa rara de acontecer na pista].
Gotas me cercam [efeitos sonoros], baixo faz meus ossos vibrarem. E voltam aqueles efeitos que me levantam do chão.
Não há música eletrônica sem E!
Ela veio falar comigo. [a ruiva] Não queria conversar, mas também não me importei.
- 4h40
Pista lotada, barranco muito cheio. [barranco ao lado da pista] Não me importo. Espaço garantido.
Outra menina vem perguntar o que eu estou escrevendo. Não me importo, mas gosto de encostar no ombro dela e no rosto, de leve, sentir o hálito de cigarro.
Estômago oco.
-4h42
Estou dançando. Outros me olham, dançam comigo, eu olho de volta. Danço com eles. Vou precisar mudar tudo, isso não pode estar no começo. Final. [pensando em onde encaixar essa narrativa no livro]
- 4h44
Pista muito cheia. Menina pisa em mim. Não ligo. Posso ficar aqui para sempre. Tenho medo que o efeito passe. Estou louco, parado no meio da pista feito um ET, mas não me importo.
Continua amanhã…


Vim aqui só pra saber o que rolou no caderninho, certeza que pessoas ficariam bizoiando, HUAHUAHUAHUAHUA.
Só o que lembro de ter entendido era a força com que vc escreveu tudo. Bem no estilo morder palito, rs.
Espero que já tenha dormido pra recuperar, beijo!
Hahahahahahahahahahahaha. Perfeito. Que saudade _da substância. Será que você desenvolverá memórias afetivas do MDMA? Eu sim. Ainda hoje tenho arrepios quando lembro das poucas vezes que tomei. O que eu gostaria de dizer é que é tudo VERDADEIRO, tanto quanto os sentimentos gerados MESMO pelo menos químico dos AMORES.
Bem, Mr. Tomas Huxley Chiaverini… que bom que você voltou trazendo novidades palpitantes, pulsantes e trepidantes. (literalmente).
Acho que todos nós partic ipantes deste bleargh sentimos falta de tuas estórias.
aaabrrrrççççççççsssssss do aaaddddddddrrrrrrrrrrrr
Showwwwwwwww Tomás!…
vou acompanhar a transcrição!… manda ver!
pelo que eu sei tem muito por vir ainda… \o/
Bjaummm!
)
[...] poder sentir na pele as sensações de um ravers, ou seja, um freqüentador de rave. O relato está aqui, aqui, aqui e aqui. Apesar de jovem, esse é o seu segundo livro, o primeiro é “Casa de [...]